Dogfish Head revela o ingrediente secreto da cerveja do Grateful Dead

No fim do ano passado, a cervejaria americana Dogfish Head anunciou mais uma de suas parcerias musicais. Depois de fazer cervejas homenageando músicos e bandas como Miles Davis, Robert Johnson e Pearl Jam, a icônica banda Grateful Dead receberia também uma homenagem em forma de cerveja. Batizada de American Beauty, mesmo nome do disco lançado em 1970, essa imperial pale ale seria fabricada usando algum ingrediente sugerido pelos fãs da banda.

Os que estão familiarizados com a história do Grateful Dead e que estavam esperando algum psicotrópico nessa cerveja, podem apagar seus baseados. O ingrediente escolhido pela DFH foi a saudável granola. Foram mais de 1500 sugestões enviadas pelos fãs, mas a história contada por Thomas Butler seduziu Sam Calagione e cia.. Exemplo de deadhead (como são chamados os fieis fãs da banda), Thomas vai a shows do Dead há 30 anos e também é homebrewer. Sua sugestão de usar granola na cerveja foi puramente por achar que o mel, as nozes, as frutas e os grãos iriam combinar bem com o estilo proposto, além de ser uma refeição bastante popular nos estacionamentos dos shows da banda.

Calagione explica a opção pela sugestão de Butler: “Minha esposa e eu fomos ao primeiro show do Dead 10 anos depois de Thomas e nós paramos para comer hot dogs no caminho. Eu acho que salsichas não seriam bons ingredientes para a cerveja”. Sobre as sugestões de ingredientes proibidos, Calagione justifica que a cerveja tem que estar de acordo com as leis. “Desculpem-nos aqueles que mandaram sugestões de ‘cogumelos mágicos’”.

Butler irá se juntar ao Grateful Dead e ao arquivista David Lemieux na brassagem a ser realizada ainda esse mês na DFH. A previsão é que a cerveja chegue ao mercado americano em outubro.

[Dogfish Head]

Escolha a cerveja comemorativa do BeerCards

O BeerCards, em mais uma demonstração de inovação, está comemorando a marca de 10 mil fãs no Facebook com um duelo de estilos que irá escolher a cerveja comemorativa da ocasião.

Os fãs participarão de enquetes que irão definir o estilo de uma cerveja que levará a marca da empresa. O inusitado campeonato começou na semana passada, entre Pilsen X Weiss, com o estilo alemão levando a melhor, passando para a segunda fase da competição.

O novo duelo, que entrou no ar nesta segunda, é entre IPA X Munchen. Os seguintes serão ESB x Brown Ale e Pale Ale x Stout. Os vencedores de cada duelo se enfrentarão na semifinal e, depois, na grande final.

Definido o estilo, os fãs poderão decidir os atributos da cerveja: amargor, frutado, teor alcoólico, rótulo. A cerveja será fabricada pela Dama Bier e será lançada entre agosto e setembro, numa festa em Campinas/SP.

O Bebendo Bem é parceiro dessa iniciativa e chama todos os leitores para participar desse projeto! Nós abrimos nossa torcida pela brown ale, por ser um estilo que é pouco fabricado no nosso país. Vote você também na fanpage do BeerCards!

[PUBLIEDITORIAL]

Vai uma cervejinha com folha de coca aí?

Todo time brasileiro que vai jogar na altitude sofre com os efeitos do ar rarefeito. Os locais costumam oferecer folha de coca para os estrangeiros que passam mal com os mais de 3000 metros acima do mar. A planta – também usada pra fazer aquela droga que não é o refrigerante mais conhecido do mundo – ajuda a combater a dor de estômago e a tontura causada pela altitude, sendo usada naturalmente pelos andinos há milênios.

Pois agora, para ajudar a minimizar o soroche (nome dado ao mal estar proveniente da altitude), os bolivianos lançaram a Ch’ama, uma cerveja feita com folhas de coca. O nome da cerveja significa “força”, na língua dos nativos da área do lago Titicaca. Sem aditivos e conservantes, ela é puro malte e leva a planta macerada na formulação.

De acordo com os que já provaram a cerveja, ela lembra uma hefeweizen, mas não tão encorpada. “Esta é uma cerveja de alta fermentação, com 5% de álcool, não filtrada, não pasteurizada, e tem o aroma moderado, cor e sabor da folha de coca e lúpulo”, segundo a descrição de Vicos Victor Escobar, proprietário da Cerveceria Vicos, de Sucre, produtora da Ch’ama. Ele também afirma que a cerveja é um “tônico energizante”.

Portanto, fica a dica para os times brasileiros nessa Libertadores: cuidado com aquela cervejinha que sempre dão para o jogador se “inspirar” antes de fazer o teste anti-doping. Pode dar um resultado não muito agradável. Lembram do Zetti, em 93?

[Dawn.com]

Novas cervejas da De Molen chegando ao mercado brasileiro

Fãs da cervejaria holandesa De Molen, preparem-se! Uma chuva de novos rótulos está chegando ao Brasil.

Com 6 rótulos disponíveis desde 2012 no país – Op & Top, Vuur & Vlam, Rook & Vuur, Hel & Verdoemenis, Donder & Bliksem e Hemel & Aarde – a Beer Concept agora resolveu investir forte na importação das cervejas do mestre Menno Oliver, trazendo mais 33 novidades para o mercado brasileiro.

Ainda é pouco perto dos 300 rótulos já produzidos pela cervejaria holandesa, mas para quem conhece a qualidade das cervejas produzidas pelos caras, a salivação é instantânea.

Dentre os rótulos que estão chegando, destacam-se as cervejas envelhecidas em barris de conhaque e bourbon, algumas sazonais e uma imperial gose, a primeira do estilo disponível no Brasil. Veja abaixo a descrição de cada uma delas, fornecida pela importadora.

Amerikaans 4,5% Pale Ale/Bitter
American Pale Ale feita com lúpulos Amarillo, que oferece uma bela característica cítrica de Grapefruit e damascos. Corpo médio e final longo.

Amarillo 9,2% Imperial IPA
Nota 99 no RateBeer. Bastante aromática, esta Imperial IPA tem 9,2% de potencia alcoólica bem inseridos em seu corpo maltado. Seca, amarga e muito lupulada.

Bar & Boos 9,8% Imperial Stout Buffalo Trace Bourbon BA
Envelhecida em Barris do Bourbon Buffalo Trace, esta Imperial Stout de cor preta com reflexos avermelhados e baixíssima carbonatação, possui notas de chocolate amargo, Bourbon, baunilha, passas, frutas vermelhas e maltes torrados.

Bitter & Zoet 10% Imperial Tripel
Misto entre Imperial IPA e Abbey Tripel, de cor marrom avermelhada. Esta perfumada cerveja possui uma mistura de notas, cítricas e herbais e florais, com longo e alto amargor no aftertaste. Corpo médio e cremoso. Álcool presente.

Blikken & Blozen 8,5% Imperial Saison
Com alta formação de espuma, media carbonatação e de cor âmbar turva, essa Saison oferece notas cítricas e florais no aroma além de condimentadas, terrosas no sabor. Equilibrada.

Bommen & Granaten 15,2% Barley Wine
Uma Potente, complexa e licorosa Barley Wine, feita para ser bebida lenta e calmamente, buscando apreciar sua grande paleta de aromas e sabores. Como tais características, podemos buscar laranja, mel, tangerina, nozes, xerez e porto. Surpreenda-se.

Bommen & Granaten Bordeaux 15,2% Barley Wine BA
A Bommen & Granaten orginal envelhecida em barris de vinho Bordeaux, que confere notas do vinho homônimo como frutas vermelhas e ameixa, assim como notas amadeiradas.

Dubbelbock 2011 7,7%
Bem maltada, com notas de toffee, caramelo e frutas secas. Esta dubbelbock se mostra bastante encorpada, com amargor equilibrado e final adocicado.

Engels 4,5% English Bitter
Uma tradicional Bitter inglesa, com um toque da De Molen. Turva, de cor dourada escura. No aroma notas herbáceas, maltadas e de fermento. No sabor nozes, biscoito e fermento belga.

Hamer & Sikkel 5,2% Porter
Uma excelente Porter com notas de biscoito, chocolate, café, caramelo, maltes torrados e lúpulo. Bastante cremosa por conta da aveia em sua receita, seu sabor apresenta as mesmas características notadas no aroma. Encorpada.

Hel & Verdoemenis 666 11% Imperial Stout BA Cognac
Nota 100 no RateBeer. A Hel & Verdoemenis tradicional, envelhecida em barris de conhaque. No aroma, madeira, mel, café, chocolate, cravo e conhaque. No sabor, baunilha, carvalho, cacau, malte e conhaque.

Hel & Verdoemenis Wild Turkey 11% Imperial Stout BA
Nota 100 no RateBeer. A Hel & Verdoemenis tradicional, envelhecida em barris de Wild Turkey Bourbon. Aroma incrível, que mescla perfeitamente Bourbon, baunilha, caramelo, toffee, maltes torrados, biscoito e carvalho. No sabor uma cerveja cremosa que evidencia Bourbon, sutilmente condimentada, chocolate, toffee. Equilibrada.

Hel & Verdoemenis Misto Bourbon 11% Imperial Stout BA
Nota 100 no RateBeer. Blend da Wild Turkey com um barril “new charred”(nova tosta). Sabor bastante similar ao da H&V Wild Turkey oferecendo um saborosa mistura de bourbon, defumado, biscoito torrado, chocolate, e um toque de umami. Madeira aparece em seqüência, no final características doces de malte.

Hemel & Aarde Bourbon BA 11% Smoked Imperial Stout
A Hemel & Aarde tradicional, envelhecida em barris de Bourbon. No aroma, malte trufado, um quê de torrado e baunilha e bourbon. No sabor, certo dulçor, torrado, chocolate, Bourbon e café.

Klap Van De Molen 2012-2013 9% Spiced Belgian Dark Strong Ale
Feita com maltes de cevada, centeio e trigo, condimentada com cardamomo, baunilha de Madagascar colhidas a mão e alcarávia, uma semente que confere notas picantes e adocicadas.

Kopi Loewak 11,2% Imperial Coffee Imperial Stout
Nota 99 no RateBeer. Robusto porém agradável aroma de café, mostrando certa acidez característica. Corpo médio e media alta carbonatação, conforme esquenta, revela sabores e aromas de malte levemente torrados, notas terrosas, café e chocolate.

Lentehop 6,2% Seasonal IPA
IPA sazonal da De Molen. A versão de Primavera (Lente em holandês) é feita com os lúpulos premiant e saaz para amargor. Para late-hopping utilizam columbus e cascade. Com agradável aroma frutado dos lúpulos, que oferecem amargor médio a forte.

Licht & Lustig 5,2% Specialty Multigrain
Cross-over entre uma lager tcheca e uma hefe-weizen alemã. Leva cevada, trigo e aveia. Com notas de frutas tropicais, cravo e pão no aroma. O corpo médio, bem carbonatado. Final condimentado.

Lief & Leed 6,2% Sour Ale BA
Uma Red/Brown Ale com notas acidas de cereja, algo como framboesa e vinagre. Seca, picante e azeda. Adstringente. Leve dulçor.

Molenbier 7,5% – Strong Ale
De cor âmbar escura, possui aroma frutado, maltado e condimentado, com notas de caramelo tostado, que se mostram também no sabor, ale de notas de frutas escuras .

Mooi & Meedogenloos -10,2% Quadruppel
Uma belíssima Quaddrupel. Muito figo, açúcar mascavo, ameixa e melado no aroma. Em seu rico sabor encontram-se notas de chocolate, notas doces e frutadas de tâmaras, passas e ameixas. Um quê de torrado e de fermento belga. Complexa e excelente.

Mout & Mocca 11,6% Imperial Coffee Stout
Nota 99 no RateBeer. De cor preto sólido, e espuma bege. Mostra notas terrosas, café cru, chocolate, e folhas verdes. No sabor bastante Mocha (notas de café com leite e chocolate), malte, caramelo e cacau. Uma Imperial Stout incrível.

Muhle & Bahnhoff 9,2% Imperial Gose BA
Feita em colaboração com o Gosebraumeister Mathias Richter, esta rara Imperial Gose oferece uma experiência única. De carbonatação próxima do zero, cor âmbar e turva. No aroma, notas de madeira, frutas do bosque, uvas condimentos e sal. No sabor, acidez, sal, brettanomyces, caramelo e álcool.

Pijl & Boog 10,3% Belgian Strong Ale
De aroma fresco herbal, com algo cítrico. Sabor maltado, amargo, encorpada e com álcool bem inserido.

Rasputin 10,4% Imperial Stout
Nota 99 no RateBeer. Imperial Stout sem igual. De aroma doce, torrado suave, com algo de Bourbon, baunilha, figos, tabaco, cinzas, malte e lúpulos herbais. No sabor, notas frutadas, caramelo, melaço, Bourbon, e chocolate ao leite, café e malte torrado conferindo amargor em conjunto com os lúpulos.

Rhythm & Blues 10,2% Barley Wine BA
Barley Wine envelhecida em barris de Bourbon, Com notas de madeira, caramelo e toffee, baunilha e coco tostado no aroma. No sabor inicial percebe-se a doçura do toffee e caramelo, couro, alem do calor gerado pelo álcool. No after taste, carvalho, Bourbon, coco tostado e butterscotch. Saborosa e complexa.

Rye IPA Cascade Amarillo 7,2%
IPA com centeio e lúpulos Centeio e Amarillo. Aroma leve cítrico com notas de Lima-Limão, notas de laranja e notas florais. No sabor, amargor médio, seco e condimentado.

Rye IPA Chinook 6,6%
IPA com centeio e lúpulo Chinook. De cor acobreada, corpo médio. Aroma resinoso, condimentado e cítrico como pêssego. No sabor bom amargor com notas herbais e florais. Aftertaste longo com notas herbais.

Rye IPA Legacy 7,2%
IPA com centeio e lúpulo Legacy. Aroma de frutas cítricas frescas, leve pinho no inicio e herbal ao final. No sabor se equilibram as notas maltadas com notas de amargor e picância do centeio somadas as notas florais e cítricas de amargor do lúpulo.

Spanning & Sensatie 9,8% Imperial Stout
Imperial Stout produzida com Cacau, Pimenta Chili e sal marinho. No aroma, destacam-se o chili e o cacau em pó. No sabor, notas características do estilo como chocolate, caramelo. Chili leve, corpo médio e média translucidez.

Storm & Averij 10,2% IPA
IPA bastante aromática. Aromas de malte caramelo, lúpulo cítrico, lúpulo herbáceo, grama fresca cortada, pinho. No sabor inicia-se com um pouco de doçura do caramelo dando lugar a uma mistura de lúpulo cítrico com notas amargas herbais e terrosas. O final é bastante seco, com amargor longo.

Super Charged Saison – Collab w/ Hoppin Frog 10,4% – Imperial Saison
De cor alaranjada e turva, esta Imperial Saison apresenta notas de frutas tropicais no aroma e algo condimentado. Sabor compreende casca da laranja, grapefruit, manga, açúcares, frutas cítricas, nota picante, notas minerais leves, lúpulo aparente, mas em segundo plano. Encorpada, bem carbonatada, final seco.

Winterhop 6,2% Seasonal IPA
IPA sazonal da De Molen. A versão de Inverno (Winter em holandês) é feita com os lúpulos Sladek e Columbus para amargor. Para late-hopping utilizam Chinook e Cascade.

 

Coluna de abril/2013 do Have a Nice Beer

Na minha coluna de abril da revista do Have a Nice Beer, falo sobre o meu ritual ao degustar uma cerveja. Dá uma olhada:


E você, já se associou?

Coisas que os beer geeks falam

Apesar do Rio Grande do Sul ser o centro do universo e Porto Alegre ser a capital de todas as galáxias, não foi o Coisas que Porto Alegre Fala o primeiro video do estilo a surgir. Segundo o Know Your Meme, tudo começou com o Shit Girls Say, canal do YouTube que adaptava em video o que era veiculado no Twitter.

A ideia se popularizou e várias adaptações foram feitas. Era de se esperar que um dia alguém fizesse uma falando de cerveja, né? Foi o que o pessoal da Bridge Road Brewers e do Good Beer Week fizeram para promover o evento, que acontecerá de 18 a 26 de maio em Melbourne, Austrália.

De acordo com os realizadores do video, as falas foram escritas a partir de sugestões enviadas via Twitter. O site do GBW enaltece a existência dos beer geeks: “Eles são os amantes da cerveja na vanguarda da revolução da cerveja artesanal: mais dedicados, obsessivos e conhecedores do que o resto. Eles são as pessoas que estão sempre em busca de algo novo, nunca tímidos em dar suas opiniões, e que inspiram cervejeiros – e o Good Beer Week – a serem tão ousados quanto possível, para ultrapassar os limites de das cervejas e dos eventos cervejeiros”.

Nada como rir de si mesmo, certo? Infelizmente, o video não é legendado, mas pra quem entende inglês, a risada é garantida.

 

Quem nunca, meus amigos? Quem nunca…

Reinheitsgebot: o alvo da vez

No maior país católico do mundo, com também milhares de praticantes do candomblé, o dia 23 de abril é marcado como o Dia de São Jorge, ou Ogum. No entanto, para os devotos da cerveja, esse dia é conhecido por ser o aniversário da data de promulgação da Reinheitsgebot, conhecida como a Lei da Pureza Alemã. Instituida em 1516 pelo Duque Guilherme IV, da Baviera, ela proibia o uso de outros ingredientes na fabricação da cerveja que não fossem água, malte de cevada e lúpulo – a levedura, não conhecida na época, foi introduzida na lei posteriormente.

Sem se estender na história da Lei – o Brejas e o Mestre Cervejeiro já fizeram isso muito bem – perguntamos: seria ela um atestado de qualidade, ou um cerceamento da criatividade dos cervejeiros? A resposta é: nem um, nem outro. Assim como em vários casos que envolvem a religião, o que denigre a Reinheitsgebot não é a letra da lei, mas a interpretação que se faz dela. Não é porque a cervejaria segue a Lei da Pureza que a sua cerveja é boa, tampouco não seguir significa inovação com qualidade.

Achincalhar a Lei da Pureza virou bordão de alguns proto-revolucionários anti-estabilishment que não sabem muito bem quem é o inimigo. Acham que a mesma é sinônimo de cervejas sem graça, limitadas em aromas e sabores. Ora, pensar assim é de uma falta de conhecimento histórico, coerência e, porque não dizer, burrice extrema.

Veja bem: as cervejas populares, pilsens genéricas feitas por grandes corporações, são ricas – ou pobres, dependendo do ponto de vista – em adjuntos que só servem para diminuir os custos, diminuindo também a qualidade do produto. Sob a égide da Lei da Pureza, isso nunca aconteceria. Aí o revolucionário de apartamento diz que “na Alemanha é que se toma cerveja boa”. Adivinha porquê…

Mas também tem aqueles que consideram as cervejas alemãs “sem graça” e simplórias. Pobres incautos! Talvez não tenham tomado uma Schneider Weisse Tap X Mein Cuvée Barrique, weizenbock envelhecida em barris de Pinot Noir. Ou mesmo uma Weihenstephaner Vitus, considerada várias vezes a melhor cerveja do mundo e, nas palavras de um amigo, “uma das expressões da existência de Deus”. Complexidade não é jogar no tanque tudo que estiver à disposição, desde especiarias até o pano que limpa o chão da cervejaria. Complexidade é o resultado da alquimia entre os ingredientes, bem misturados pelo talento do cervejeiro. Esses ingredientes podem ser os mais variados possíveis, mas também podem ser apenas os quatro permitidos pela Lei da Pureza. O mercado está inundado de cervejas que comprovam isso.

Justiça seja feita. Várias cervejarias que se intitulam revolucionárias e inovadoras não são contrárias à Reinheitsgebot. A revolução, corretamente, é focada contra outros fatores, principalmente contra as empresas monopolistas do setor, e não contra os ingredientes da cerveja. Se analisarmos as cervejas carro-chefe do portfolio de cervejarias que se posicionam nesse sentido, como as brasileiras Seasons, Bodebrown e Way, e as gringas Stone e BrewDog, veremos que dá pra se fazer muita coisa boa com os quatro ingredientes permitidos pela Lei da Pureza. Ou você não considera a Green Cow, a Perigosa, a Way APA, a Arrogant Bastard Ale e a Punk IPA grandes cervejas? “Oh, que surpresa! Elas são feitas apenas com água, malte, lúpulo e fermento!”.

Então, meu pequeno revolucionário, antes de sair tirando onda com a Lei da Pureza, estude, se informe, beba mais cervejas bacanas e pense 10 vezes antes de falar bobagem. Não é a existência de uma lei restritiva – que só vale na Alemanha – que vai fazer com que a cerveja seja boa ou ruim, mas sim, o que se faz com os ingredientes. Talvez, se no Brasil tivéssemos uma lei dessas, você não teria passado a vida inteira tomando suco de milho e saberia o que é uma boa cerveja desde a tenra idade, e não só de uns quatro, cinco anos pra cá.

Aplicativo da New Belgium posta nas redes sociais enquanto você bebe com os amigos

Já é comum, nos dias de hoje, você olhar uma turma de amigos numa mesa de bar e alguns deles – quando não são todos – estão fuçando no celular. Mea culpa, eu sou um que não consegue ficar sem dar uma olhada no que está acontecendo nas redes sociais. Além de monitorar os passos dos amigos, muitos de nós também não conseguem deixar de postar o tempo todo tudo o que acontece na própria vida. Sem querer tecer opiniões elaboradas sobre o papel dos celulares e da internet na vida de todos nós, a verdade é que eles já fazem parte da vida em sociedade e não adianta mais tentar mudar isso.

Mas nem todo contato social real está perdido. Para os viciadinhos como eu, a New Belgium criou o Beer Mode, um aplicativo que posta nas redes sociais para você enquanto você curte sua cerveja com seus amigos numa boa.

Você coloca o seu celular em beer mode, escolhe uma persona – “cerebral”, “preocupado” e “trabalhador” – e o aplicativo posta comentários nas suas redes sociais em seu nome, considerando o perfil escolhido. Por exemplo, se você escolher o “trabalhador”, o Beer Mode irá postar assuntos que passarão a ideia de que você está trabalhando. Ou seja, serve também como álibi para uma ou outra escapadinha inocente para molhar a garganta.

Segundo Steve Dolan, criador dos perfis, as postagens tem a intenção de serem realistas, mas não muito, para que as pessoas se perguntem o que está acontecendo “com você”. O aplicativo também responde comentários feitos nas postagens e conta com conteúdo exclusivo com notícias, informações e ofertas das cervejas da New Belgium.

Para Adrian Glasenapp, estrategista de mídia da New Belgium, a ideia de desenvolver o que ele descreve como um “anti-aplicativo” partiu da constatação de que perdemos muito tempo no telefone nos dias de hoje. “Nós queremos deixar de ficar no telefone e nos conectar mais com nossos amigos ao beber uma cerveja”, diz Glasenapp.

O Beer Mode está disponível para download gratuito no Google Play e AppStore.

[coloradoan.com]

Coluna de março/2013 do Have a Nice Beer

Na minha coluna de março da revista do Have a Nice Beer, falo sobre o preço das cervejas. Dá uma olhada:

Clique na imagem para ver em tamanho maior.

E você, já se associou?

Como lidar com os mendigos de cerveja

Ontem, o seguinte tweet do Paulo Cavalcanti, da Bodebrown, me tirou do sério:

Não condeno a atitude do cervejeiro, pelo contrário. Esse tipo de proposta pornográfica está cada vez mais sendo difundida por alguns aventureiros que acham que ter um blog de cervejas ou qualquer veículo de divulgação do tipo é sinônimo de beber na faixa. Esses picaretas, mendigos de cerveja, é que fazem com que alguns empresários do setor cervejeiro considerem os blogueiros em geral uns aproveitadores.

Vamos ser francos: alguns até são mesmo assim. No entanto, hoje temos o BBC, um coletivo sério e atuante que reúne os blogueiros brasileiros de cerveja, auto-regulamentando a atividade e estabelecendo diretrizes éticas na relação entre quem escreve e quem produz. Esse compromisso firmado entre os signatários da Carta de Intenções dos Blogueiros de Cerveja é a garantia de que as pessoas sérias não compactuam com “parcerias” como essa que o Paulo Cavalcanti citou no Twitter.

Confesso que cada vez que leio algo do tipo, me dói por ver que a maioria dos meus colegas blogueiros são pessoas idôneas, mas por causa dessa meia dúzia de safados acabam por serem jogados, junto comigo, na mesma vala comum dos mendigos cervejeiros. Por causa deles, temos que conviver com o estigma de “jabazeiros”, pecha que na grande maioria das vezes é pra lá de injusta. Como eu sempre digo, as faturas do meu cartão de crédito estão aqui para mostrar o quanto eu normalmente gasto em cervejas.

Veja bem, não estou aqui sendo hipócrita de dizer que ganhar cervejas de graça é condenável, sob qualquer perspectiva. Isso faz parte do negócio e é plenamente aceitável quando a iniciativa PARTE DO EMPRESÁRIO. Em outras palavras, vale o que você aprendeu em casa com seus pais: feio é PEDIR presente, não GANHAR presente. Mesmo assim, cabe ressaltar que, depois de ganhar o mimo, um blogueiro sério tem o compromisso com os seus leitores de deixar clara a origem da cerveja em questão, para que quem leia a sua opinião saiba que ela pode, de alguma forma, ter sido influenciada pela relação estabelecida.

Esse desabafo termina com uma sugestão: vamos dar nomes aos bois. Se vocês, cervejeiros, receberem uma dessas propostas indecorosas, escancarem quem foi o proponente. Digam para que todos saibam quem é quem nesse cenário. Isso ajuda a separar o joio do trigo e, de quebra, faz justiça a quem trabalha seriamente, evitando generalizações. Não caiam na comodidade de, ao não dizer o nome do santo, acusar genericamente a todos. E, principalmente, tenham coragem de denunciar quem vê o mercado cervejeiro como uma forma de levar alguma vantagem espúria.

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