Os melhores do mundo segundo o RateBeer

O RateBeer, um dos maiores sites de avaliação de cervejas, divulgou ontem o seu ranking dos melhores do mundo, de acordo com as avaliações dos seus usuários. Dentre as cervejas, a vencedora foi a belga Westvleteren 12, que desbancou a sueca Närke Kaggen Stormaktsporter, vencedora do ano passado. Já entre as cervejarias, a melhor foi a Three Floyds Brewing Company (EUA), vencedora pelo quarto ano consecutivo.

Os números da competição são impressionantes. Foram computados mais de 140.000 cervejas de mais de 12.000 cervejarias de todo o mundo, gerando mais de 3,5 milhões de avaliações. Para fins de resultado, as notas dadas nos últimos 12 meses tiveram maior peso. O RateBeer teve um crescimento de 16% de usuários no ano passado, principalmente nas cidades de San Francisco, Los Angeles, Chicago e Nova York e em países como Austrália, Suécia, Itália e Brasil. Dentre seus usuários, 79 são considerados master beer tasters, com mais de 5000 avaliações cada. O usuário mais ativo é o dinamarquês Jan Bolvig, com absurdas 23.332 avaliações.

Segue a lista das 10 cervejas melhor avaliadas:

  1. Westvleteren 12
  2. Närke Kaggen Stormaktsporter
  3. Goose Island Rare Bourbon County Stout
  4. Founders KBS (Kentucky Breakfast Stout)
  5. Rochefort Trappistes 10
  6. Bells Hopslam
  7. Russian River Pliny the Younger
  8. Cigar City Pilot Series Passionfruit and Dragonfruit Berliner Weisse
  9. AleSmith Speedway Stout
  10. Deschutes The Abyss

Segue a lista das 10 melhores cervejarias do mundo:

  1. Three Floyds Brewing Company (USA)
  2. Founders Brewing Company (USA)
  3. Bells Brewery (USA)
  4. AleSmith Brewing Company (USA)
  5. Cigar City Brewing (USA)
  6. Hill Farmstead Brewery (USA)
  7. Stone Brewing Co. (USA)
  8. Russian River Brewing (USA)
  9. De Struise Brouwers (Bélgica)
  10. Kuhnhenn Brewing (USA)

A lista completa de vencedores você encontra no site do RateBeer.

Hi5: a primeira Black IPA engarrafada do Brasil

Um estilo (?) relativamente novo, já produzido experimentalmente por algumas nanocervejarias e homebrewers no Brasil, terá seu primeiro representante engarrafado e lançado comercialmente no Brasil. Trata-se da Black IPA Hi5, cerveja que também marcará o lançamento da 2Cabeças Cervejas, um projeto do jornalista, homebrewer e editor do site Homini Lúpulo, Bernardo Couto, e do publicitário e dono do bar BeerJack Hideout, Salo Maldonado. A Hi5 foi inicialmente produzida de forma caseira, mas a receptividade foi tão boa que os responsáveis resolveram lançá-la em escala comercial, com o apoio da Cervejaria Allegra (RJ).

De um estilo raro no Brasil, as Black IPA’s nasceram nos Estados Unidos em experiências de cervejas escuras extremanente lupuladas. O estilo é uma opção com leve torrado para as tradicionais American IPA. A Hi 5 tem coloração escura, com toques acastanhados, não sendo um negro profundo, como uma tradicional stout. No aroma, o torrado e o caramelo do malte se misturam ao cítrico do lúpulo Simcoe, que remete a maracujá e manga. Na boca, trata-se de uma cerveja com corpo leve a médio e notado amargor. O sabor acompanha o aroma, deixando no fundo da garganta um leve sabor de lúpulo.

Apostando em estilos de cervejas pouco usuais no mercado brasileiro, o rótulo também foi uma preocupação da 2Cabeças. Fugindo do tradicional, o trabalho do designer mineiro Armando Fontes – conhecido pelas sua Cerveja Vilã – tem um viés moderno e jovial, acompanhando o espírito da Hi5. “Gostamos de brincar que o dia em que a 2Cabeças tiver produzindo pilsens e weizens, desconfie seriamente, pois deve ser uma pegadinha. Nosso foco são cervejas que tragam uma experiência marcante e diferente para o público brasileiro que cada vez mais entende e aprecia cervejas especiais”, afirma Bernardo Couto.

A Hi5 será lançada no dia 27 de janeiro exclusivamente no Boteco Colarinho e no Beer Jack, e no dia 02 de fevereiro chegará à outros bares do Rio de Janeiro (Delirium Cafe), São Paulo (Empório Alto dos Pinheiros, Bar Brejas e Empório Santa Fé), Paraná (Hop’n Roll Beer Club) e Bahia (Empório Jaguaribe). Outros bares já estão negociando alguns barris e exemplares da nova cerveja.

O Bebendo Bem saúda a chegada da 2Cabeças ao mercado nacional, deseja todo o sucesso aos amigos nessa empreitada e espera ansiosamente a oportunidade de experimentar essa cerveja. Já estamos até dançando como o Dimitri.

Flying Dog lança sua nova cerveja com video bizarro

Na gringa é bem comum as cervejarias criarem videos para lançar suas novas cervejas. A BrewDog, por exemplo, é bem conhecida por seus videos irreverentes. Mas agora a Flying Dog rapou as fichas em se tratando de bizarrices.

Para lançar a sua nova Farmhouse IPA, a Wildeman, a cervejaria de Maryland criou um cenário assustador, pós-moderno e apocalíptico, com um personagem pra lá de estranho. Veja só:

De acordo com o blog Beer Simple, a Wildeman Farmhouse IPA é uma american IPA com lúpulo Citra e fermentada com fermento de saison. A mistura insólita confere à cerveja aromas de limão, mel, laranja, maçã e pêras, e um sabor levemente ácido, característico das farmhouse ales. A cerveja foi feita, inicialmente, para o 25º aniversário do bar holandês In De Wildeman, mas será lançada também no mercado americano. Sob o lema “tentanda via est” (o caminho deve ser tentado), a Wildeman será lançada no próximo dia 30, nos estados de Maryland, Virginia e Washington,DC.

Lembramos que, infelizmente, a Flying Dog não é mais importada para o Brasil. Mas isso não nos faz deixar de torcer para que alguns exemplares aportem por essas terras. IPA com fermento de saison? Isso deve ser uma loucura!!!

Brazilian Beer Bloggers – 2ª temporada: Flavio Roese – Cerveja Para Dois

O meu amigo e confrade Flavio Roese, do Cerveja Para Dois, é o personagem do BBB de hoje. Esse cara entende MUITO de cerveja…

Nome, idade, profissão, onde reside?

Flavio Roese, 37 anos, Arquiteto e Engenheiro de Segurança. Porto Alegre.

Desde quando você escreve no blog?

Dezembro de 2010.

O que lhe motivou a criar o blog/site?

Antes do blog bebia as cervejas e guardava as impressões só para mim. A possibilidade de dividir isso com outras pessoas que também gostam de cerveja foi o principal. Poder aprender mais sobre cerveja também foi outro motivo.

Como foi a escolha do nome do blog/site?

Eu e minha esposa, Karina (que também é editora do blog), sempre degustamos as cervejas juntos, na maioria das vezes. Daí o nome Cerveja para Dois.

Quais são os principais objetivos do blog/site?

Fazer novos amigos e trocar experiências sobre cerveja.

Quais são os seus 3 blogs/sites cervejeiros preferidos?

Não é fácil escolher somente três, com tantos blogs bacanas por aí. Mas cito três que acompanho desde o início: Edu Recomenda, Blog do BOB e Beer Architecture. Também gosto muito do Para Que VoCerveja, do Rodrigo Campos.

Quando foi que você teve aquele estalo, aquele momento em que você descobriu as cervejas especiais? Conte a experiência com o máximo de detalhes possível.

No início dos anos 90, a onda de importados que atingiu o Brasil trouxe também novas cervejas (americanas,belgas,inglesas).Então cada lata ou garrafa que comprava para minha coleção era também degustada, e assim comecei a querer entender cada vez mais sobre o assunto. As informações eram escassas, então conversava com gente mais experiente que já entendia alguma coisa e podia me explicar mais sobre alguns estilos de cerveja. Destaco aqui uma grande pessoa, Davi Rodrigues, que sempre foi um apaixonado por cervejas e adorava conversar sobre o assunto.

Depois disso, que outros momentos marcaram a sua experiência com as cervejas especiais?

Visitar outros países, onde a cerveja está incorporada á toda uma cultura e que é tratada com respeito, não apenas como um produto para se matar a sede.

Onde você encontra as cervejas que você degusta?

Compro em lojas especializadas, troco com amigos ou ganho de presente.

Quais são os seus 3 estilos de cerveja preferidos?

Difícil dizer, pois para mim se a cerveja é bem feita gosto de qualquer estilo. Mas para não fugir da pergunta cito três que mais consumo atualmente: IPA, Weizenbier e Imperial Stout.

Quais são as suas 3 cervejarias preferidas?

Também difícil escolher apenas três, com tantas muito boas no Brasil e no exterior, mas destaco três pela criatividade e ousadia: Brewdog, Mikkeller e Dogfish Head.

Se você pudesse trabalhar numa cervejaria, qual seria? Por quê?

Mikkeller. Deve ser muito interessante não ter estrutura própria e poder utilizar qualquer cervejaria do mundo que se proponha a fazer uma marca colaborativa.

Você também é homebrewer? Se for, conte alguma experiência inusitada que teve.

Não sou.

Além do blog/site, quais são seus outros hobbies?

Colecionar latas e garrafas de cerveja e fazer churrasco.

Como você vê o seu blog/site no contexto cervejeiro do Brasil?

Uma pequena peça de toda uma grande engrenagem, que se movimenta cada dia mais rápido.

Wäls vai produzir a Petroleum em escala comercial

O Blog do Bob, num grande exemplo de jornalismo cervejeiro de qualidade, divulgou em primeira mão a notícia na quinta-feira, mas ela se confirmou com o comunicado oficial emitido pela Cervejaria Wäls e pelos cervejeiros da Dum, via Facebook, nesse final de semana:

É com imensa alegria que informamos oficialmente a parceria das cervejarias para a produção da mais falada cerveja caseira do Brasil: Petroleum.
O sonho começou a ser construído no saudoso Saaz Bier Bar em Curitiba um dia antes do Beer Day 2011. Com um brinde uníssono bradamos uns aos outros a intenção de produzir a Petroleum em escala industrial.
Quase um ano se passou e a produção aconteceu neste final de semana que será marcado para sempre na história cervejeira do Brasil.
A deliciosa Russian Imperial Stout foi desenvolvida pelos sócios Murilo Foltran, Luiz Felipe Araújo e Júlio Moutinho em Julho de 2010 . De lá pra cá ela veio conquistando os paladares dos aficionados por cervejas especiais. Foi considerada por muitos uma cerveja platônica e inacessível, devido a pequena produtividade da DUM. A parceria surgiu para solucionar tal fato.
A cervejaria Wäls se orgulha de ser palco para o espetáculo chamado Wäls Petroleum. É a primeira cerveja do estilo produzida em escala comercial no Brasil*. Estamos presenteando o consumidor com a mais deliciosa Stout.
A primeira produção aconteceu nos dias 20 e 21 nas dependências da cervejaria Wäls em Belo Horizonte e entrará na linha de produtos comercializados pela cervejaria.
Aqueles que realmente tiveram paciência estão prestes a serem recompensados.
Viva la Revolución
Wäls & DUM

Quem já teve a oportunidade de provar a Petroleum sabe que se trata, realmente, de uma cerveja ímpar. Sedosa, com MUITO cacau e chocolate e extremamente equilibrada em toda a sua intensidade. A dificuldade em se conseguir um exemplar ajudou ainda mais a criar o hype em cima do seu nome. A Wäls, entendendo todos esses fatores, foi muito feliz ao estabelecer essa parceria com os cervejeiros paranaenses. Somando a qualidade incensada da Petroleum com a consistência da produção da cervejaria mineira, o sucesso desse lançamento já é uma certeza.

Como consumidor, só me resta dar os parabéns pela iniciativa e esperar ansiosamente pela chegada em breve dessa delícia às prateleiras brasileiras.

* Entendemos a felicidade das cervejarias ao emitir o comunicado oficial da parceria, mas a questão foi muito bem levantada no twitter. A Wäls Petroleum não é a primeira Russian Imperial Stout a ser produzida comercialmente no Brasil. A Colorado Ithaca e a Bierland Imperial Stout já foram produzidas antes. Há quem diga que a Ithaca não tem produção regular e que a Bierland não se enquadra no estilo, mas de qualquer forma, a informação passada pela Wäls e pela Dum não procede.

Bier Markt lança nova carta de cervejas

O Bier Markt, reduto cervejeiro de Porto Alegre, irá lançar a sua nova carta de cervejas. O bar, que já levou os prêmios da Revista Veja de “Melhor Carta de Cervejas” em 2011 e “Melhor Chopp”, em 2010, não se acomoda com o sucesso alcançado e busca melhorar ainda mais o que já é bom.

A nova carta contará com 120 rótulos, incluíndo os novos lançamentos das cervejarias BrewDog, Rogue e Delirium, além dos já consagrados Abadessa Helles e Weihenstephan Vitus. Nas suas 12 torneiras, chegou a vez de apresentar a Seasons Green Cow IPA, além dos já tradicionais chopes da Abadessa, Eisenbahn e Colorado.

O bar, que preza por produtos sem processos industriais e não possui contrato com nenhuma cervejaria ou grupo, tem sempre à disposição do público bebidas nacionais e importadas fabricadas sob diferentes processos, sempre com foco na qualidade e apreciação sensorial, sem falar nos rótulos e torneiras exclusivos no Estado.

Além de cervejas e chopes de cervejarias consagradas, um dos diferenciais do Bier Markt são as cervejas convidadas, que trazem sempre novidades de cervejarias e homebrewers locais. Pedro Braga, um dos sócios e grande apaixonado pelo assunto, explica o direcionamento do bar, que desde o início apoiou cervejarias e produtores independentes, trazendo chopes convidados para o conhecimento dos frequentadores. “Sempre demos importância para as cervejas convidadas, que demonstram a qualidade e crescimento da cultura cervejeira local. Agora pretendemos também focar nas cervejas fixas exclusivas, outro grande diferencial que o Bier Markt traz a Porto Alegre”.

Os sócios do Bier Markt, Alaor Peruzzo, Adolfo Bandeira e Pedro Braga

A festa de lançamento da nova carta do Bier Markt acontecerá no dia 26 de janeiro, a partir das 18h. O endereço é Castro Alves, 422 – Bairro Rio Branco – Porto Alegre/RS.

E aguarde: em breve o Bier Markt lançará novidades ainda mais bacanas! Algo a ver com 24 torneiras… \o/

Minha estreia no Have a Nice Beer

Fiquei muito honrado e feliz com o convite feito pelos amigos do Have a Nice Beer para ser um dos colaboradores da sua revista mensal. Além da companhia de ilustres como Mauricio Beltramelli, Sady Homrich e Alinne Bernd, fazer parte de um projeto inovador e de tanto sucesso é um orgulho pra mim.

A proposta da minha coluna é de falar sobre variedades e notícias do mundo cervejeiro, com uma pitada de opinião. Em outras palavras, é uma extensão do conteúdo do Bebendo Bem.

A minha primeira contribuição tratou da combinação de rock e cerveja. Dá uma olhada:

Clique na imagem para ver em tamanho maior

E não deixe de se associar no Have a Nice Beer e receber as melhores cervejas do mundo em sua casa!

Brazilian Beer Bloggers – 2ª temporada: Luciano Castro – O Mestre Cervejeiro

O personagem do BBB de hoje é o grande amigo e parceiro de boas cervejas Luciano Castro, do blog O Mestre Cervejeiro. Blogueiro e cervejeiro de mão cheia esse rapaz, mas meio tímido. Não quis mandar foto, vê se pode! Mas quem conhece o Luciano sabe que ele é bem parecido com esse mongezinho, hehehehe…

Nome, idade, profissão, onde reside?

Luciano Castro, 40 anos. Uma delas, Biersommelier, Porto Alegre,

Desde quando você escreve no blog?

Comecei o blog em 2009

O que lhe motivou a criar o blog/site?

Vi que Porto Alegre não acompanhava uma tendência de democratização e difusão da cerveja artesanal para um público crescente que necessitava de informação.

Como foi a escolha do nome do blog/site?

Nada mais direto e que remete a produção de cerveja do que “O Mestre Cervejeiro”, e digo nesse caso a figura do mestre-cervejeiro, o monge como cervejeiro que eu uso no avatar, e não o título de formação.

Quais são os principais objetivos do blog/site?

Começou com a pretensão de ajudar quem quer produzir cerveja em casa, mas hoje é também um canal para aprender mais sobre vários aspectos da cerveja e divulgar os eventos que organizamos para reunir as pessoas interessadas.

Quais são os seus 3 blogs/sites cervejeiros preferidos?

Bottobier, Bebendo Bem e Brejas.

Quando foi que você teve aquele estalo, aquele momento em que você descobriu as cervejas especiais? Conte a experiência com o máximo de detalhes possível.

Máximo de detalhes acho que não lembro…hehehe. Mas segui um caminho de experimentar novos sabores e não me satisfazer com o que era vendido na época. A cerveja artesanal foi consequência e o grande incentivo do meu irmãozão Leonardo Botto fez com que eu me aprimorasse nesse caminho mais técnico e também fazer blog.

Depois disso, que outros momentos marcaram a sua experiência com as cervejas especiais?

Não sou um cara de falar sobre marcas para não induzir ninguém, acho que cada um deve seguir sua intuição na escolha dos sabores e aromas. Posso dizer marcante a descoberta das Lambics, não como o meu estilo favorito de  cerveja, mas pela peculiaridade do produto e a instigante complexidade. O curso de Biersommelier da Doemens/Senac foi um passo importante para me aprofundar no conhecimento das cervejas e sobre o negócio de cervejas especiais.

Onde você encontra as cervejas que você degusta?

Distribuidoras ou comércio especializado. Não costumo ser o “chato pedinte” para o amigo trazer garrafas na mala de viagem.

Quais são os seus 3 estilos de cerveja preferidos?

ALE, LAGER e LAMBIC, heheheh.

Quais são as suas 3 cervejarias preferidas?

Doeu, 3 só. Vamos lá não vou ficar sem responder essa. Sem frescura. Brooklyn, Flying Dog. Brew Dog e Seasons. Opa eram 3.

Se você pudesse trabalhar numa cervejaria, qual seria? Por quê?

Trabalhar dentro da cervejaria? Funcionário? Não tenho o perfil.

Você também é homebrewer? Se for, conte alguma experiência inusitada que teve.

Gosto de fazer cerveja para experimentações. A diversidade que proporciona é que seduz a trabalheira que dá em montar o equipamento e fazer todo o processo. Eu incentivo as pessoas a fazerem para experimentarem essa brincadeira. Quem quer levar um pouco mais a sério depende de sua disposição. A degustação e mistura de ingredientes é que eu me divirto mais. Acho que todo o cervejeiro já passou por perrengues na produção e um dos grandes foi que eu comecei as 7:30am e fui até as 2:00am do outro dia acontecendo todos os problemas possíveis, a satisfação foi que a cerveja ficou boa, mas no outro dia eu estava com cãimbra em todo o corpo.

Além do blog/site, quais são seus outros hobbies?

Fazer cerveja, mas não tenho regularidade. Somente quando algo me instiga.  E se pode ser considerado um hobby, comprar e ler livros. Me larga em uma livraria fico horas hehe.

Como você vê o seu blog/site no contexto cervejeiro do Brasil?

Faço uma pequena parte na informação para as pessoas e não sou vinculado a nenhuma empresa, instituição ou associação. Não recebo nenhum incentivo para fazer o que faço. Por um lado é bom porque é bem pessoal mesmo e me dá liberdade para escrever o que eu quero. pena que está uma bagunça e não tenho a habilidade para melhorá-lo. Alguém se habilita? Ainda acho que no Brasil a informação e a união dos interessados em cervejas por paixão ou negócio é precária. Alguns movimentos são feitos e existe um longo caminho ainda e no que eu puder colaborar estarei fazendo.

As “intocáveis” cervejas especiais

calagioneeeO bafafá na gringa foi grande ontem, com a manifestação de Sam Calagione no forum do Beer Advocate. Estava rolando um tópico para saber qual era a cervejaria mais superestimada dos EUA. Muitas foram as citadas, principalmente pela questão preço/qualidade. Eis que, lá pelas tantas, o dono da Dogfish Head exerceu o seu direito de resposta, detonando a negatividade dos foristas e dizendo que eles estavam deixando de lado o histórico das cervejarias americanas em detrimento do crescimento que elas tiveram durante os últimos anos (veja aqui a resposta na íntegra). A intervenção de Calagione gerou até uma hashtag no twitter, #calagiowned, e um sem número de manifestações nos blogs cervejeiros americanos, favoráveis ou não ao cervejeiro/celebridade.

A primeira vista, Calagione está com toda razão. Com o crescimento da comunidade cervejeira, com mais e mais aficcionados, é natural que apareçam alguns espírito-de-porco que queiram ver o circo pegar fogo. Esses tipos são facilmente combatíveis, é só não dar lenha para a fogueira que eles tentarem criar. No entanto, esse crescimento também aumenta a consciência coletiva acerca do mercado e das questões que lhes são peculiares. Ou seja, é mais e mais gente se somando à massa crítica que debate sobre preço, qualidade, distribuição e, até mesmo, sobre a cerveja em si. Essa massa crítica são os verdadeiros consumidores, aqueles fiéis, os tais que já percorreram o “caminho sem volta” das cervejas especiais e que consolidaram a pequena, mas crescente, fatia de mercado que as cervejarias conquistaram nos últimos tempos.

Essa realidade também é facilmente identificável aqui no Brasil. Estamos longe do tamanho do cenário cervejeiro americano, mas estamos no mesmo caminho. Aqui também existe uma tendência de crescimento de mercado e de fãs das cervejas especiais. Microcervejarias são inauguradas aos borbotões, bem como os bares especializados em boas cervejas. Nesse mesmo passo, blogs, perfis no twitter, comunidades no Facebook, beer sommeliers sendo formados… mais e mais gente está pesquisando, descobrindo e entendendo de cerveja no Brasil. Algumas dessas pessoas gostam de expressar sua opinião, por óbvio.

Entretanto, essa nova massa crítica tem sido rechaçada por alguns que já estão há mais tempo no movimento cervejeiro. Muitos são tachados de inexperientes e ridicularizados por dar opiniões que não acrescentam nada à tal “cultura cervejeira”. Realmente, tem cada coisa sendo dita por aí que é difícil de defender… Porém, uma cultura se faz assim mesmo, na discussão e no debate, com gente que fala bobagem sendo convencida por gente que tem argumentos consistentes e que não se nega a repassar conhecimento. Se alguém que está aprendendo não tiver a humildade de absorver esse conhecimento, o problema é dele. A cultura cervejeira, no sentido macro, está sendo formada apesar desses. Em resumo, cultura não é feita de cima pra baixo, com regras pré-impostas, mas sim, de uma construção coletiva de conhecimento.

censuraVoltando ao assunto em questão – a reação de Calagione frente às críticas feitas à Dogfish Head – aqui também podemos ver alguns casos em que a “patrulha cervejeira” atua com muita força. Algumas cervejas, algumas cervejarias e até mesmo, alguns personagens do cenário cervejeiro brasileiro, são quase intocáveis, protegidos por uma barreira tácita anti-crítica. Essa barreira é sempre escorada no argumento da manutenção da união e da cultura cervejeira (de novo ela…). Mas… e o consumidor, como fica? Fica obrigado a tomar uma cerveja ruim e dizer que é boa, só porque a cervejaria é isso ou aquilo? Só porque a cerveja é “bem feita” e não tem erros? Só porque todos os “formadores de opinião” disseram que ela é boa? Isso não é cultura cervejeira. Isso é desrespeito à opinião do consumidor que paga por um produto que espera gostar de consumir.

Talvez tenha sido aí o erro de Calagione. Não se discute o conteúdo, mas o emissor da mensagem. Se fosse um forista/consumidor comum, falando a mesma coisa, ok. É a tal construção de conhecimento coletivo que citei anteriormente. Todavia, por ele ser representante de uma das cervejarias criticadas e por ser, talvez, a maior celebridade do cenário cervejeiro mundial, ficou uma sensação “Xuxa” no ar (“vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”). O seu consumidor foi constrangido no caso em questão, já que viu que o dono da cervejaria não tem papas na língua na hora de espinafrar publicamente quem lhe critica. A vida inteira eu ouvi que “o cliente sempre tem razão”. OK, não é seeeempre. Mas mesmo sem razão, ele deve ser ouvido e, se a crítica for justa e fundamentada, que sirva de norte para a melhoria do produto.

Um consumidor que critica não está ofendendo ninguém. Está apenas dizendo que, se o produto não melhorar, ele não vai mais consumir. Se eu tivesse uma cervejaria, ficaria preocupado com isso…

Os melhores de 2011: Resultados da pesquisa

Conforme o prometido, seguem abaixo os resultados da pesquisa que fizemos com os nossos leitores para saber quem foram os melhores de 2011.

Melhor lançamento nacional: Seasons Green Cow IPA

greencow

A IPA da Seasons já era conhecida e admirada pelos gaúchos, mas chamou a atenção do Brasil no 6º Encontro Nacional de Cervejas Artesanais, que ocorreu em junho, em Florianópolis. Com o início do processo de engarrafamento e a consequente possibilidade de distribuição para outros estados, a Green Cow acabou se tornando quase que uma cerveja-fetiche entre os admiradores das cervejas especiais. Quem conhece a cerveja, sabe que o hype não é em vão.


Melhor importação do ano: Rogue

rogueportfolio

A cervejaria do Oregon voltou com tudo no final de 2011 para o Brasil, invadindo as prateleiras com seu portfolio que alia diversidade e qualidade.


Melhor evento cervejeiro do ano: Beer Experience

Print

O evento que ocorreu em SP em agosto e que reuniu cervejas especiais, harmonização e degustação, foi realmente um sucesso, tanto na grande participação de público, quanto na adesão das empresas do setor presentes. Ficamos no aguardo da 2ª edição!


Melhor cerveja importada do ano: St. Bernardus ABT 12

stbernardus

Esta clássica quadrupel é considerada uma “irmã gêmea” da Westvleteren, já que as duas tem um passado de produção que se confundem. Ela chegou ao Brasil no final de 2011 a um preço bastante acessível. Por isso, sua degustação se torna essencial a qualquer apreciador das boas cervejas.


Melhor cervejaria nacional do ano: Seasons Craft Brewery

seasons

Numa disputa acirrada com a Bodebrown, a cervejaria porto-alegrense levou a melhor por ínfima margem de votos. Isso mostra que os leitores do Bebendo Bem apreciam as cervejarias ditas “revolucionárias”, que tem como filosofia a diversificação de seus produtos, saindo da mesmice e do lugar-comum. “Start a revolution, drink better beer”! Parabéns!


Melhor cervejaria internacional do ano: Dogfish Head/Rogue/Brewdog

Doghoguebrew

Na categoria mais disputada, as três cervejarias empataram na preferência dos leitores do Bebendo Bem. A Dogfish Head, mesmo não sendo importada para o Brasil, deu o que falar em 2011 por conta da exibição da série Brew Masters, que mostrava o dia-a-dia da cervejaria. A Rogue mantém a coerência da votação, já que os leitores também a escolheram a melhor importação do ano. Por fim, a Brewdog já é uma cervejaria consolidada no Brasil no que diz respeito aos fãs que tem, seja pela atitude “punk”, seja pela qualidade indiscutível das suas cervejas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Publicidade
onde beber


Visualizar Bebendo Bem em Porto Alegre em um mapa maior

Arquivos