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E se as cervejarias brasileiras fossem bandas de rock?

Hoje, 13 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Rock. (O dia certo é 13 de JULHO! Obrigado, PJ, por corrigir esse pangaré aqui, hehehehe). E o que isso tem a ver com cerveja? Tudo, ora! O rock’n'roll é a trilha oficial dos amantes da cerveja e quem discordar disso tem um problema crônico de mau gosto #prontofalei. Como o Bebendo Bem é fã inconteste de rock e cerveja, vamos fazer mais um post comemorativo juntando essas duas paixões.

No ano passado, listamos 10 cervejas produzidas em homenagem à bandas e clássicos do rock. Para não repetir a mesma fórmula tão copiada (com ou sem créditos, mas enfim…), vamos fazer uma brincadeira diferente usando a seguinte pergunta: e se as cervejarias brasileiras fossem bandas de rock?

A EISENBAHN seria o IRON MAIDEN

Essa é uma comparação feita a partir de experiências pessoais. Comecei a escutar rock aos 12 anos por causa de uma fita K7 gravada por uns amigos que já eram iniciados no assunto (e que, anos mais tarde, formariam a banda Krisiun). Nessa fitinha, os destaques eram algumas músicas do Iron Maiden, como The Number Of The Beast e Run To The Hills. Desde então, a Donzela de Ferro é parte importante na minha história musical. Estabelecendo o paralelo, foi a Eisenbahn Pale Ale que me apresentou o “caminho sem volta” das cervejas especiais. Foi ela o catalisador que me incentivou a conhecer mais do mundo cervejeiro, o que acabou resultando na criação desse blog. Posso não escutar mais tanto o Iron como em anos anteriores, bem como posso não beber mais Eisenbahns como antes, mas ainda tenho o mais profundo respeito e admiração por eles pelo trabalho de qualidade realizado ao longo dos anos e por fazerem parte da minha história pessoal.


A COLORADO seria o RAIMUNDOS

A cervejaria de Ribeirão Preto tem como filosofia sempre introduzir ingredientes tipicamente brasileiros nas suas receitas. O Raimundos também se notabilizou por misturar o punk com ritmos brasileiros. Como aconteceu com a Colorado, a mistura foi sucesso de crítica e de público. A conversão do vocalista Rodolfo à religião fez com que a banda acabasse (ou você considera o tempo em que o Tico Santa Cruz esteve na banda?). Torçamos para que ninguém lá na Colorado siga o mesmo destino cristão…


A CORUJA seria a GRAFORRÉIA XILARMÔNICA

A comparação entre a cervejaria e a banda fica mais clara para quem mora em Porto Alegre. A Coruja foi uma das primeiras cervejas artesanais a fazer sucesso nos bares boêmios da Cidade Baixa e do Bonfim. Além disso, está intimamente ligada à cena cultural da capital gaúcha, sempre incentivando as produções artísticas da cidade. Tudo isso me faz pensar em uma música apenas: Amigo Punk, o clássico da banda gaúcha, o hino de 11 entre 10 portoalegrenses. E ainda tem gente que tem o peito de dizer que a Coruja é catarinense…


A BODEBROWN seria o PRIMUS

O ar de Chapeleiro Louco combina tanto com o Samuel Cavalcanti quanto pro Les Claypool. O baluarte da revolucion cervejeira no Brasil carrega nas suas cervejas a ousadia de quem quer ver algo diferente sendo feito. Tal qual a banda de San Francisco, essa ousadia gera originalidade. O grande público pode até torcer o nariz para as cervejas da Bodebrown e para o som do Primus, mas os especialistas do assunto atestam a qualidade da banda e da cervejaria.


A ABADESSA seria o RAMMSTEIN

Quem conhece o mestre Herbert Schumacher e as cervejas da Abadessa sabe que eles estão impregnados da cultura alemã. Schumacher e suas cervejas são representantes diretos da tradição cervejeira alemã no Brasil e se orgulham disso. Com toda essa aura germânica no ar, difícil não se lembrar do Rammstein, banda de Berlim que faz sucesso no mundo inteiro sem deixar de lado o orgulho de cantar no seu próprio idioma. Tá bem que as cervejas da Abadessa, na proporção, são bem mais leves que o som do Rammstein, mas até que dá pra imaginar uma harmonizasom (a/c Clubier) de Du Hast com um mass de Abadessa Helles na mão, nao dá?


A WÄLS seria o ARCADE FIRE

A banda canadense vem deleitando os ouvidos de quem gosta de rock de qualidade, com inovação e competência musical. Tanto é assim que nomes como David Bowie e Bruce Springsteen já fizeram elogios rasgados ao Arcade Fire, uma das boas revelações musicais dos últimos anos. Assim como eles, a Wäls também está abrindo caminho no cenário cervejeiro nacional com a qualidade de suas cervejas. A similaridade entre a os canadenses e os mineiros também pode ser vista nos prêmios de Cervejaria do Ano na South Beer Cup de 2012 e no Grammy de Álbum do Ano de 2011, pelo disco The Suburbs. Para muitos, os prêmios podem até serem considerados uma surpresa, mas quem acompanha a história da banda e da cervejaria sabe que eles foram mais que merecidos.


A SEASONS seria o SOUNDGARDEN

A cabeça por trás da Green Cow é um fã confesso do movimento grunge. O cabelo comprido, o goatee e as indefectíveis camisas xadrez são marcas registradas de Leonardo Sewald. Além disso, o próprio nome da cervejaria também é uma homenagem ao movimento de Seattle: Seasons é o nome de uma música da carreira solo de Chris Cornell, vocalista do Soundgarden. Mas não é só isso que motivou a referência à banda. Por mais óbvio que pudesse ser a comparação com o Pearl Jam – principalmente por Sewald se notabilizar por ser um ótimo emulador de Eddie Vedder nas performances da Banda dos Cervejeiros – as cervejas da Seasons são conhecidas pela alta lupulagem, o que remete ao som do Soundgarden, talvez a banda mais pesada do movimento grunge.


A WAY seria o THE KILLERS

A cervejaria paranaense é conhecida pela modernidade na sua apresentação visual e pela qualidade de suas cervejas. No entanto, pode se dizer que elas são reinvenções de estilos já bem conhecidos, com um toque de originalidade. Assim como o The Killers, que faz bastante sucesso com um pop rock com inspirações oitentistas que não traz nada de novo, mas que, paradoxalmente, tem uma cara própria e com muita qualidade. Assim como quem provou as cervejas da Way, quem escutou Mr. Brightside do Killers pela primeira vez pensou: “esses caras vão ser grandes”.


A BAMBERG seria o AC/DC

A cervejaria de Votorantim tem várias semelhanças com a banda australiana. A primeira é a consistência de seu portfolio que, se não prima pela ousadia, é certeza de qualidade e correção. Tal como os discos do AC/DC, que são sempre “mais do mesmo”, mas com muita competência. Outra similaridade são os fãs pra lá de fiéis. A qualquer novo lançamento, seja da banda, seja da cervejaria, o sucesso de público é garantido. Por fim, a fidelidade à proposta inicial. A Bamberg, desde o seu início, declarou-se seguidora da Lei da Pureza alemã e se propôs a reproduzir estilos da escola germânica, bem como o AC/DC, que faz rock puro e genuíno, sem desvios e sem firulas.


A BIERLAND seria o BLACK KEYS

Assim como a banda, a Bierland já era bem conceituada. Mas, nos últimos anos, os dois tiveram um salto tremendo de qualidade e de popularidade. O Black Keys conheceu o sucesso de público com os discos Brothers (2010) e El Camino (2011), o 6º e o 7º da carreira, respectivamente. Já a cervejaria de Blumenau começou a ter o reconhecimento da crítica com os lançamentos da Vienna, da Imperial Stout e da Strong Golden Ale, em 2011. Os novos rótulos já ganharam vários prêmios internacionais, algo inédito na história da cervejaria até então, enquanto El Camino chegou ao 2º lugar na parada da Billboard.


A FALKE seria o QUEEN

A cervejaria mineira é, sem dúvida, uma das mais importantes e respeitadas do Brasil. Muito disso se deve à figura de Marco Falcone, um dos líderes do movimento cervejeiro que desponta no país. A paixão de Falcone pela cerveja, bem como o seu companheirismo e sua humildade, fazem com que ele seja uma das raras unanimidades do meio cervejeiro. O Queen tem várias semelhanças com a Falke. A banda também tinha um frontman carismático e foi importantíssima no rock mundial na sua época. A versatilidade estílística é outro aspecto em comum. Enquanto a Falke tem em seu portfolio representantes de todas as grandes escolas cervejeiras mundiais, o Queen também circulou entre vários estilos musicais como o funk, o techno, o rockabilly, o heavy metal e o pop. Pode até ter alguém que não goste das cervejas da Falke ou das canções do Queen, mas ninguém duvida do talento e do carisma de Freddie e Falcone.


A BADEN BADEN seria o U2

A Baden Baden se apresenta no mercado como sendo uma cerveja gourmet. O próprio nome já dá uma aura de qualidade aos seus produtos. Todavia, apesar de ter ótimas cervejas no portfolio, o mesmo é inconsistente, com alguns rótulos nem tão bons assim. Algo como o U2, que por mais que seja considerada uma das grandes bandas da história do rock, ao longo da carreira alternou bons e maus discos. Mesmo assim, o saldo da Baden e da banda irlandesa é positivo, merecendo o respeito e a admiração de seus fãs.


A AMBEV seria o COLDPLAY

É inegável o apelo comercial do Coldplay. As canções pop da banda de Chris Martin caem facilmente no agrado do grande público. Com melodias simples feitas na medida para atingir o sucesso certeiro, os ingleses tem fãs no mundo inteiro, de todos os tipos. As cervejas da Ambev também tem esse talento. Por mais que a crítica especializada torça o nariz para elas, a massa não está nem aí e enche os cofres da empresa garantindo vendas astronômicas. Há quem diga que as cervejas da Ambev estão para as cervejas assim como o rock do Coldplay está para o rock, mas a verdade é que, tanto a gigante cervejeira, quanto a banda do marido da Gwyneth, não estão nem aí para seus detratores…


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