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Nacionais a preço de importadas? Como assim, Bial?
A celeuma em torno dos altos preços das cervejas especiais nacionais já é antiga, mas parece que está longe de acabar. Algum tempo atrás, quando do lançamento da Colorado Ithaca, cerveja muito esperada pelos entusiastas, a discussão no fórum do Brejas foi tão exaltada que o tópico que tratava sobre o assunto teve que ser bloqueado. Na época, o preço de lançamento da Ithaca foi de R$ 50,00, valor considerado altíssimo por vários consumidores. Vários foram os argumentos dados para explicar o valor da cerveja, uns consistentes, outros nem tanto. O engraçado de tudo isso era que os que reclamaram na época eram felizes e não sabiam…
No final de 2010, a notícia do lançamento da Bamberg St. Michael, uma weizenbock dunkel maturada por 6 meses em barris de carvalho e refermentada em garrafa com fermento de champagne, agitou o mercado cervejeiro nacional. Ávidos para provar a novidade de Votorantim, os consumidores deram pra trás quando viram o altíssimo valor pelo qual ela está sendo vendida nas lojas do ramo. Outro lançamento polêmico foi o da vencedora do III Concurso Mestre-Cervejeiro da Eisenbahn, a São Sebá. O reajuste de preços em relação às vencedoras anteriores rendeu uma bela discussão aqui no Bebendo Bem. Sensível aos apelos de consumidores e lojistas, a cervejaria acabou reduzindo seus preços, acarretando uma redução considerável no preço ao consumidor.
Mas o pior ainda estava por vir. A Cervejaria Bodebrown de Curitiba tem um papel fundamental no fomento da cultura cervejeira do Brasil, isso é inegável. Suas cervejas são de altíssima qualidade e criatividade, isso é fato. Entretanto, no dia 03 de fevereiro, os seguidores do twitter da Bodebrown ficaram estupefatos ao saber do lançamento do mais novo invento do figuraça Samuel Cavalcanti: uma barley wine com graviola, maturada por 7 meses e que cuja produção foi limitada em 25 garrafas, que custa R$ 100,00 a garrafa EM PREÇO PROMOCIONAL! O preço causou polêmica no principal fórum de debates sobre cerveja do Brasil. Com toda a justiça, convenhamos.
Não quero aqui levantar bandeira nenhuma, mas não há como não concordar com todos aqueles que reclamam dos altos preços das cervejas brasileiras. Fica aqui, então, o pedido para quem produz essas cervejas, que expliquem o porquê desses altos preços. Só um conselho: não subestimem seus consumidores. Afinal, parafraseando um confrade do Brejas, estamos prontos para ajudar a “cultura cervejeira” com todas as forças, mas a “cultura cervejeira” tem que nos ajudar de volta…
P.S. 1: Foram produzidas apenas 25 garrafas da barley wine da Bodebrown. Foi uma produção caseira, então? 20 litros, talvez? Se foi isso mesmo, legalmente, pode ser vendida?P.S. 2: Como já disse aqui antes, não sou cervejeiro. Porém, o Leonardo Botto falou aqui que o custo do litro de uma cerveja artesanal feita com os melhores ingredientes gira em torno de R$ 4,00. Alguém me explique…
Os melhores de 2010: Resultados da pesquisa
Continuando a retrospectiva do ano que passou, divulgaremos agora os resultados da pesquisa que fizemos com nossos leitores para saber quais foram os melhores de 2010. Sem mais delongas, vamos aos vencedores:
Melhor lançamento nacional: Biertruppe VNTG n°1 e Colorado Ithaca
As cervejas mais esperadas do ano vieram e não decepcionaram. Em edições limitadas, os apreciadores agora esperam que novas levas dessas duas delícias sejam produzidas.
Melhor importação do ano: Brooklyn Brewery
Num ano em que várias cervejas americanas chegaram ao mercado brasileiro, a Brooklyn se destacou pela altíssima qualidade das suas cervejas e pelo excelente custo-benefício.
Melhor evento cervejeiro do ano: 5° Encontro Nacional da Cerveja Artesanal
O evento realizado em junho em Porto Alegre que reuniu microcervejarias, homebrewers e apreciadores foi realmente um sucesso. Agora estamos na espera pela próxima edição, que será realizada em Florianópolis.
Melhor cerveja nacional do ano: Colorado Double Indica
Mesmo não lançada em garrafas, quem provou essa maravilha sabe que não teve para mais ninguém. O que era para ser um experimento, se tornou um grande sucesso. Queremos mais!!!
Melhor cerveja importada do ano: Tripel Karmeliet
Na categoria mais disputada e com maior variedade de votos, venceu essa cerveja que é, sem dúvida, uma das melhores opções disponíveis no país.
Melhor cervejaria nacional do ano: Cervejaria Colorado
A cervejaria de Ribeirão Preto é a que mais se destacou nesse ano de 2010. Além de lançar duas novas cervejas excelentes (Ithaca e Double Indica), a Colorado melhorou bastante seu marketing, com ações de sucesso na Flip, em Paraty, e com a aproximação com seus clientes via redes sociais. Parabéns, Colorado!
Melhor cervejaria internacional do ano: Dogfish Head
A cervejaria de Sam Calagione já alcançou o status de ícone devido ao sucesso da série Brew Masters, do Discovery Channel. Como ela ainda não foi importada para o Brasil, poucos provaram as cervejas dos caras, mas quem provou, adorou. Portanto importadoras, se liguem!
Quanto vale a “cultura cervejeira”?
O lançamento da Colorado Ithaca lançou um questionamento que está crescendo entre os amantes da cerveja na mesma medida em que os preços ultimamente praticados pelas cervejarias: quanto vale uma cerveja especial?
A história e a atuação da Colorado no meio cervejeiro é inquestionável. Com sua ousadia e seu pioneirismo em lançar cervejas diferentes do comum, a microcervejaria paulista firmou um nome de prestígio entre os que gostam de cervejas de verdade. Mas essa imagem foi maculada com o início das vendas da Ithaca pelo valor de R$ 50,00.
Uma bola fora da Colorado, sem dúvida. Lançar uma cerveja que já tinha um mercado certo – levando em consideração a expectativa criada desde os tempos da Black Rapadura – por esse preço proibitivo, é demonstração de falta de conhecimento do seu público alvo. A empresa poderia ganhar muito mais sem incorrer no erro de querer ganhar na unidade e não no volume de vendas. Isso sem considerar a mancha criada na imagem da cervejaria, uma das que levantava com orgulho a bandeira da “cultura cervejeira” no Brasil. Analisando essa estratégia, é impossível não lembrar do lançamento da Bohemia Oaken, que chegou a ser vendida em um kit que beirava os R$ 100,00 no início e, logo depois, voltou às prateleiras por um preço normal. Uma medida, no mínimo, equivocada, já que o alto preço afasta os novos clientes e deixa de fidelizar os antigos.
Vendo as reações nos fóruns de discussão e em alguns blogs especializados, nota-se que muita gente ficou indignada com esse preço absurdo, e com razão. O preço da Ithaca é tão fora da realidade que, comprando pelo site e pagando o SEDEX até Porto Alegre, por exemplo, a cerveja ficaria em torno de R$ 90,00. Por esse preço, dá pra fazer um belo estoque de ótimas cervejas nacionais, tão boas e até mesmo tão exclusivas quanto a Ithaca. Ou comprar duas Ola Dubh 40, por exemplo, uma cerveja importada da Escócia, com todos os encargos de importação incidentes e de qualidade mais do que aferida. Conforme informações, nem mesmo o Melograno, bar da capital paulista notório pela variedade da sua carta de cervejas, vai vender a Ithaca por causa do valor desproporcional.
Quem conhece o público consumidor de cervejas especiais sabe que este público não chora por migalhas, não se importa em gastar um pouco mais para tomar uma cerveja de qualidade. No entanto, isso não é motivo para que as cervejarias usem o nome de uma “cultura” como argumento de venda de produtos com preços exorbitantes. Isso só resulta na elitização do mercado, o que fere na essência o significado da verdadeira cultura cervejeira. Se quisermos consolidar o Brasil como um lugar onde são consumidas e produzidas cervejas de qualidade, temos que contar com que as cervejarias atuem no sentido de cativar seu público com qualidade nos produtos e preço competitivo. Isso deu certo na Alemanha, na Inglaterra, na Bélgica, nos EUA… Aqui também dará certo, sem dúvida.
Os consumidores apóiam a idéia. Passamos a bola para as empresas.
Chegou a Ithaca!

Depois de muita espera, eis que enfim começaram as vendas da nova cerveja da Colorado. A imperial stout Ithaca – antiga Black Rapadura Vintage – é, nas palavras da própria cervejaria, “uma cerveja de alta fermentação, com 10,5% de teor alcoólico. A Ithaca é elaborada artesanalmente com generosas quantidades de malte e lúpulo, mais o toque da rapadura queimada. O longo período de maturação na garrafa originam uma cerveja encorpada, de cor escura, ao mesmo tempo doce e amarga. A Colorado Ithaca é uma cerveja de guarda, com elevada longevidade e interessante evolução de sabores com o decorrer do tempo, para isso deve ser mantida em local escuro e fresco”.
Você pode adquirir o seu exemplar, que vem acondicionado numa caixa de madeira, na loja virtual da Colorado.
Novidade no mercado: Colorado Ithaca

Algumas cervejas dão muito o que falar até mesmo antes do seu lançamento. A expectativa em cima do lançamento da Colorado Black Rapadura Vintage foi frustrada pela dificuldade criada pelo Ministério da Agricultura em liberar a cerveja para o mercado. Resolvida a pendenga – causada pelo “vintage” do nome – eis que é anunciada a chegada do mais novo rótulo da cervejaria de Ribeirão Preto.
Tem umas coisas nesse país que não dá pra entender mesmo, hein? Ora, complicar com o “vintage” do nome? Mas enfim, parabéns ao pessoal da Colorado que viu que contra a burrice não existe contra-argumentação (e também à Biertruppe, que simplesmente trocou o “vintage” da sua Nº 1 pelo moderno VTNG e conseguiu a liberação para lançar em breve a sua barley wine maturada em barris de carvalho). O nome mudou, mas quem se importa?
Segue o release oficial da Colorado publicado no Brejas:
Nova cerveja chega ao mercado com novo nome
A Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, coloca no mercado a nova Colorado Ithaca, legítima representante do estilo Imperial Stout, tipicamente inglês, com alto teor alcoólico mais a adição de rapadura queimada, genuinamente brasileira.
Depois de lançada há um ano, com o nome Colorado Vintage, o proprietário da cervejaria Marcelo Carneiro da Rocha foi obrigado a mudar o nome Colorado Ithaca para conseguir aprovação legal. A idéia do nome tem origem na Odisséia, de Homero. Ítaca é uma pequena ilha grega, invadida e dominada por séculos por diferentes povos. “O conceito refere-se ao período de luta que passamos com a Vintage”, explica.
Cerveja de alta fermentação, com 10,5% de teor alcoólico, a Ithaca é elaborada artesanalmente com generosas quantidades de malte e lúpulo, mais o toque da rapadura queimada. O longo período de maturação na garrafa originam uma cerveja encorpada, de cor escura, ao mesmo tempo doce e amarga. A Colorado Ithaca é uma cerveja de guarda, com elevada longevidade e interessante evolução de sabores com o decorrer do tempo, para isso deve ser mantida em local escuro e fresco.
Harmoniza com carnes de caça, queijos duros bem maturados, presunto cru e sobremesas caramelizadas, como creme brulée e pudim de leite. É aconselhável degustar um pouco fria, a uma temperatura entre 9ºC e 10ºC.
Com edição limitada – foram produzidos somente 4 mil litros – é uma cerveja para colecionadores. As garrafas serão apresentadas em embalagem especial de madeira e a venda será feita exclusivamente pela Internet através do site da Cervejaria Colorado.
Para se manter informado sobre o lançamento, envie um e-mail para colorado@cervejariacolorado.com.br e solicite o cadastramento.











