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Veja como foi o lançamento da Eisenbahn Dez Anos

A Eisenbahn está fazendo da comemoração de seu 10º aniversário uma festa memorável. O lançamento da Eisenbahn Dez Anos, cerveja especial comemorativa à data, será feito em várias frentes. O ponto alto será uma grande festa típica alemã no bar da fábrica, em Blumenau. A função será no dia 21 de julho, das 10h às 22h, com muito chopp e comidas típicas, tudo isso embalado pelo som das bandinhas Cavalinho Branco, Alpenmusikanten e Hausmusikanten. Além disso, haverão festas de lançamento em São Paulo (Cervejaria Ô Fiô), Blumenau (The Basement Pub), Rio de Janeiro (Delirium Café), Porto Alegre (Biermarkt Vom Fass) e Curitiba (Cervejaria da Vila).

Além de todas essas festividades, na última quarta-feira, 18 de julho, um grupo de blogueiros e formadores de opinião do mercado cervejeiro foram convidados para conhecer, em primeira mão, essa cerveja tão esperada. O Bebendo Bem, com muita honra, esteve lá para conferir.

Da esquerda para a direita: Sady Homrich (Extramalte), Luciano Dutra (Grupo Schincariol), Rafael Bombonatti (WE3), Daniel Wolff (Mestre-Cervejeiro), Fabian Ponzi (Bebendo Bem), Robson Grespan (Grupo Pão de Açúcar), Guilherme Schwinn (Gastrobirra), José Padilha (Sommelier de Cervejas), Maurício Beltramelli (Brejas), Juliano Mendes (Eisenbahn), Bernardo Couto (Homini Lúpulo), Leonardo Botto (cervejeiro caseiro), Patrick Stephanou (TeleCerveja), Pedro Braga (Biermarkt) Fabrício Santos (FullPintBR), Gerhard Beutling (Eisenbahn) e Jaína Camargo (Grupo Schincariol).

Numa gentileza da Eisenbahn e do Grupo Schincariol, controladora da marca, fomos recebidos na unidade de Itu/SP para uma visita às instalações da empresa, seguida de uma confraternização, quando iríamos então conhecer a Dez Anos.

O passeio para conhecer a fábrica – guiado pelo simpático Samuel - foi longo, afinal de contas, estávamos em Itu, a capital mundial da superlatividade. Como não poderia deixar de ser, as gigantescas instalações honram a tradição da cidade. O tour serviu para conhecer como funciona uma cervejaria de grande porte, logicamente bem diferente de uma microcervejaria. Não pudemos tirar fotos por uma questão de segurança empresarial, mas posso garantir-lhes que foi um passeio pra lá de interessante.

Ao fim da caminhada pela fábrica, chegamos à Toca do Tatu, espaço onde seria o coquetel de lançamento da Dez Anos. Já de cara podíamos ver os copos prontos e algumas garrafas na geladeira esperando o momento de serem abertas, o que nos deixava ainda mais ansiosos. Para acalmar os ânimos, era servido um chopp Schin tirado diretamente do tanque (surpreendentemente delicioso!), além de outras cervejas do portfolio da Eisenbahn e da Baden Baden, outra marca que faz parte do segmento de cervejas especiais do Grupo Schincariol.

Material promocional da Eisenbahn Dez Anos

As delícias que nos aguardavam na geladeira.

A apresentação introdutória feita por alguns integrantes da equipe que desenvolveu a cerveja deixou clara a interação entre setores da Eisenbahn e do próprio Grupo Schincariol, demonstrando que o projeto uniu forças tanto da cervejaria blumenauense, quanto do grupo controlador. A Dez Anos foi uma cerveja desenvolvida em conjunto com executivos da empresa, marketing e, como não poderia deixar de ser, com a coordenação dos mestres-cervejeiros Peter Ehrhardt (Grupo Schincariol) e Gerhard Beutling (Eisenbahn), além da consultoria de Juliano Mendes. Após inúmeras reuniões, o grupo chegou ao conceito de uma doppelbock diferente de todas as já feitas aqui no Brasil.

O grupo de trabalho que desenvolveu a Eisenbahn Dez Anos: Luciano Dutra, Juliano Mendes, Gerhard Beutling, Marina Barros, Edilson Tonon, Peter Ehrhardt e Fábio Bax. Ao fundo, o CEO do Grupo Schincariol, Gino di Domenico.

Passadas as apresentações, partimos para uma degustação guiada da cerveja, comandada pelo Juliano. Digo sem medo nenhum que a Dez Anos irá surpreender positivamente até quem guarda as maiores expectativas com relação à ela. Dourada e turva, ela é muito diferente das doppelbocks que estamos acostumados. A ação dos chips de carvalho francês usados na sua fabricação é bastante perceptível, expressas no delicioso aroma de baunilha, somado às notas florais provenientes do processo de dry-hopping pelo qual ela passa. Alguns até podem dizer que ela não se enquadra em nenhuma variação do estilo proposto, mas isso, de forma nenhuma, desfaz da qualidade da cerveja. Na minha opinião, o mais surpreendente da Dez Anos é a sua complexidade, mesmo usando ingredientes relativamente comuns como o malte pilsen e o lúpulo Saaz. Seu final é seco, com um leve aquecimento dos 7,2% ABV. Uma dica: não cometa a asneira de degustá-la abaixo de 8ºC.

A princípio, a Dez Anos não fará parte do portfolio normal da Eisenbahn, mas dependendo da resposta do mercado, a ideia inicial de ser apenas uma edição limitada poderá sofrer modificações. Seu preço de prateleira será em torno de R$ 20 a R$ 25.

Para finalizar, gostaria parabenizar a Eisenbahn pelos 10 anos de sucesso e competência e agradecer pela oportunidade e pelo acolhimento, bem como por proporcionar uma confraternização com alguns dos grandes amigos normalmente separados pela extensa geografia do nosso país.

Veja o que o Brejas, o Homini Lúpulo e o FullPintBR falaram sobre o assunto e confira também o video que fizemos com a participação de Fábio Bax, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Schincariol, e Juliano Mendes, falando sobre o processo de fabricação e as características sensoriais da cerveja.

 

[O Bebendo Bem viajou para Itu a convite da Eisenbahn.]

As grandes cervejarias são mesmo o diabo?

A grande maioria dos apreciadores das cervejas especiais tende a execrar qualquer coisa que venha chancelada por uma grande cervejaria. Ambev, Femsa, Grupo Schincariol, são nomes que, comumente, são associados à cervejas de baixíssima qualidade. Também são questionadas as estratégias agressivas de mercado dessas empresas, que dificultam o crescimento da concorrência. Eu mesmo, aqui no Bebendo Bem, já falei mal dessas empresas.

No entanto, olhando para os vários exemplares de Eisenbahn, Leffe, Heineken e Kaiser Gold presentes na minha geladeira, pensei que essa postura é meio hipócrita, não é mesmo? Será que as grandes empresas cervejeiras são mesmo o diabo?

OK, não vamos também dizer que a Skol e a Nova Schin são grandes cervejas. Uma coisa que as grandes cervejarias tem em comum é a sua linha popular, de altíssima vendagem, cheia de adjuntos e cujo controle da produção é mais responsabilidade do departamento de marketing que do mestre-cervejeiro. Mas alguém já parou pra pensar porque a qualidade dessas cervejas é tão baixa?

Um fator importante, certamente, é o custo baixo de produção, já que essas cervejas levam muito menos malte e lúpulo que uma cerveja especial. No entanto, quem já tentou beerevangelizar algum bebedor comum de cerveja, sabe que qualquer coisa diferente do normal assusta. Uns acham muito amarga, outros acham muito “forte”, e se a breja não estiver trincando de gelada, já viu. A cerveja gelada e sem gosto virou um padrão completamente arraigado no paladar do brasileiro médio. Ah, mas alguns podem dizer que isso aconteceu por culpa das cervejarias, que mal-educaram o gosto da população. Em parte, sim. Mas isso é dizer que o consumidor é burro, por ter aceitado passivamente a queda da qualidade das cervejas.

Só que a tendência está mudando. Nos últimos anos, o setor de cervejas especiais tem crescido exponencialmente. O consumidor, aproveitando o maior poder de compra e o aumento da oferta, está buscando conhecer novos rótulos, novos estilos. E é aí que eu digo que as grandes cervejarias tem feito um ótimo trabalho.

Anos atrás, quando o Grupo Schincariol comprou a Eisenbahn, a Baden Baden e a Devassa, muitos ficaram receosos de que a qualidade dessas cervejarias iria cair. Não foi o que aconteceu. Com o incremento em publicidade e na logística, hoje em dia é muito mais fácil encontrar essas cervejas nos bares e restaurantes. Aqui em Porto Alegre, por exemplo, já é possível beber uma Eisenbahn Pale Ale até mesmo numa loja de conveniência, no meio da madrugada. O que antes era um produto altamente segmentado e difícil de achar, agora é fácil de ser encontrado, com um preço justo e com a mesma qualidade de antes. Se isso não é beerevangelização em larga escala, não sei o que é.

Outro bom exemplo de atuação das grandes cervejarias é a importação de novos rótulos. As prateleiras dos supermercados brasileiros foram invadidas por cervejas como as belgas Hoegaarden e Leffe, a alemã Franzsiskaner e as irlandesas Murphy’s, todas ótimas cervejas e com preços acessíveis. Isso só foi possível por causa da multinacionalidade das grandes cervejarias, que por produzirem esses rótulos no exterior, conseguem importar para o Brasil com preços competitivos. Quem costuma comprar cervejas importadas sabe a diferença de preços entre uma cerveja importada da Ambev, por exemplo, e uma cerveja que vem para o Brasil via importação normal. Sem entrar nos meandros tributários e alfandegários, o que importa é que o consumidor só tem a ganhar quando boas cervejas chegam ao mercado por preços convidativos.

Esse texto não tem a intenção de ser definitivo, nem de defender as Skols e Brahmas que embrulham nosso estômago. Só achei que devia fazer um pouco de justiça, já que nem tudo que vem dos grandes grupos cervejeiros é ruim. O que não presta, deve ser criticado, não é mesmo? Então, por que não elogiar o que deve ser elogiado?

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