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As cervejas brasileiras do Atlas Mundial da Cerveja

Num trabalho surpreendente e ágil de tradução e distribuição, a Editora Nova Fronteira lança, com apenas 3 meses de diferença do lançamento original, o Atlas Mundial da Cerveja. Escrito por Tim Webb e Stephen Beaumont, o livro traz informações detalhadas sobre a bebida, passando pela sua história, seus processos de fabricação, tendências e análise de mais de 500 cervejas de mais de 30 países, num trabalho detalhado e de qualidade que o torna um livro indispensável em qualquer biblioteca cervejeira que se preze.

Assim como na edição original, a versão brasileira traz um capítulo especial sobre o Brasil. Numa cortesia do nosso amigo Rafael Rodrigues, da Cervejaria Coruja, trazemos aqui as páginas do livro que falam sobre a cerveja no nosso país, com destaque para a Abadessa Export, Coruja Alba Weizen, Bamberg Rauchbier, Bodebrown Wee Heavy, Falke Tripel Monasterium e Way Amburana Lager, todas elas provadas pelos autores e recomendadas no livro. Confira (clique nas imagens abaixo para ver em tamanho maior)!

E se as cervejarias brasileiras fossem bandas de rock?

Hoje, 13 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Rock. (O dia certo é 13 de JULHO! Obrigado, PJ, por corrigir esse pangaré aqui, hehehehe). E o que isso tem a ver com cerveja? Tudo, ora! O rock’n'roll é a trilha oficial dos amantes da cerveja e quem discordar disso tem um problema crônico de mau gosto #prontofalei. Como o Bebendo Bem é fã inconteste de rock e cerveja, vamos fazer mais um post comemorativo juntando essas duas paixões.

No ano passado, listamos 10 cervejas produzidas em homenagem à bandas e clássicos do rock. Para não repetir a mesma fórmula tão copiada (com ou sem créditos, mas enfim…), vamos fazer uma brincadeira diferente usando a seguinte pergunta: e se as cervejarias brasileiras fossem bandas de rock?

A EISENBAHN seria o IRON MAIDEN

Essa é uma comparação feita a partir de experiências pessoais. Comecei a escutar rock aos 12 anos por causa de uma fita K7 gravada por uns amigos que já eram iniciados no assunto (e que, anos mais tarde, formariam a banda Krisiun). Nessa fitinha, os destaques eram algumas músicas do Iron Maiden, como The Number Of The Beast e Run To The Hills. Desde então, a Donzela de Ferro é parte importante na minha história musical. Estabelecendo o paralelo, foi a Eisenbahn Pale Ale que me apresentou o “caminho sem volta” das cervejas especiais. Foi ela o catalisador que me incentivou a conhecer mais do mundo cervejeiro, o que acabou resultando na criação desse blog. Posso não escutar mais tanto o Iron como em anos anteriores, bem como posso não beber mais Eisenbahns como antes, mas ainda tenho o mais profundo respeito e admiração por eles pelo trabalho de qualidade realizado ao longo dos anos e por fazerem parte da minha história pessoal.


A COLORADO seria o RAIMUNDOS

A cervejaria de Ribeirão Preto tem como filosofia sempre introduzir ingredientes tipicamente brasileiros nas suas receitas. O Raimundos também se notabilizou por misturar o punk com ritmos brasileiros. Como aconteceu com a Colorado, a mistura foi sucesso de crítica e de público. A conversão do vocalista Rodolfo à religião fez com que a banda acabasse (ou você considera o tempo em que o Tico Santa Cruz esteve na banda?). Torçamos para que ninguém lá na Colorado siga o mesmo destino cristão…


A CORUJA seria a GRAFORRÉIA XILARMÔNICA

A comparação entre a cervejaria e a banda fica mais clara para quem mora em Porto Alegre. A Coruja foi uma das primeiras cervejas artesanais a fazer sucesso nos bares boêmios da Cidade Baixa e do Bonfim. Além disso, está intimamente ligada à cena cultural da capital gaúcha, sempre incentivando as produções artísticas da cidade. Tudo isso me faz pensar em uma música apenas: Amigo Punk, o clássico da banda gaúcha, o hino de 11 entre 10 portoalegrenses. E ainda tem gente que tem o peito de dizer que a Coruja é catarinense…


A BODEBROWN seria o PRIMUS

O ar de Chapeleiro Louco combina tanto com o Samuel Cavalcanti quanto pro Les Claypool. O baluarte da revolucion cervejeira no Brasil carrega nas suas cervejas a ousadia de quem quer ver algo diferente sendo feito. Tal qual a banda de San Francisco, essa ousadia gera originalidade. O grande público pode até torcer o nariz para as cervejas da Bodebrown e para o som do Primus, mas os especialistas do assunto atestam a qualidade da banda e da cervejaria.


A ABADESSA seria o RAMMSTEIN

Quem conhece o mestre Herbert Schumacher e as cervejas da Abadessa sabe que eles estão impregnados da cultura alemã. Schumacher e suas cervejas são representantes diretos da tradição cervejeira alemã no Brasil e se orgulham disso. Com toda essa aura germânica no ar, difícil não se lembrar do Rammstein, banda de Berlim que faz sucesso no mundo inteiro sem deixar de lado o orgulho de cantar no seu próprio idioma. Tá bem que as cervejas da Abadessa, na proporção, são bem mais leves que o som do Rammstein, mas até que dá pra imaginar uma harmonizasom (a/c Clubier) de Du Hast com um mass de Abadessa Helles na mão, nao dá?


A WÄLS seria o ARCADE FIRE

A banda canadense vem deleitando os ouvidos de quem gosta de rock de qualidade, com inovação e competência musical. Tanto é assim que nomes como David Bowie e Bruce Springsteen já fizeram elogios rasgados ao Arcade Fire, uma das boas revelações musicais dos últimos anos. Assim como eles, a Wäls também está abrindo caminho no cenário cervejeiro nacional com a qualidade de suas cervejas. A similaridade entre a os canadenses e os mineiros também pode ser vista nos prêmios de Cervejaria do Ano na South Beer Cup de 2012 e no Grammy de Álbum do Ano de 2011, pelo disco The Suburbs. Para muitos, os prêmios podem até serem considerados uma surpresa, mas quem acompanha a história da banda e da cervejaria sabe que eles foram mais que merecidos.


A SEASONS seria o SOUNDGARDEN

A cabeça por trás da Green Cow é um fã confesso do movimento grunge. O cabelo comprido, o goatee e as indefectíveis camisas xadrez são marcas registradas de Leonardo Sewald. Além disso, o próprio nome da cervejaria também é uma homenagem ao movimento de Seattle: Seasons é o nome de uma música da carreira solo de Chris Cornell, vocalista do Soundgarden. Mas não é só isso que motivou a referência à banda. Por mais óbvio que pudesse ser a comparação com o Pearl Jam – principalmente por Sewald se notabilizar por ser um ótimo emulador de Eddie Vedder nas performances da Banda dos Cervejeiros – as cervejas da Seasons são conhecidas pela alta lupulagem, o que remete ao som do Soundgarden, talvez a banda mais pesada do movimento grunge.


A WAY seria o THE KILLERS

A cervejaria paranaense é conhecida pela modernidade na sua apresentação visual e pela qualidade de suas cervejas. No entanto, pode se dizer que elas são reinvenções de estilos já bem conhecidos, com um toque de originalidade. Assim como o The Killers, que faz bastante sucesso com um pop rock com inspirações oitentistas que não traz nada de novo, mas que, paradoxalmente, tem uma cara própria e com muita qualidade. Assim como quem provou as cervejas da Way, quem escutou Mr. Brightside do Killers pela primeira vez pensou: “esses caras vão ser grandes”.


A BAMBERG seria o AC/DC

A cervejaria de Votorantim tem várias semelhanças com a banda australiana. A primeira é a consistência de seu portfolio que, se não prima pela ousadia, é certeza de qualidade e correção. Tal como os discos do AC/DC, que são sempre “mais do mesmo”, mas com muita competência. Outra similaridade são os fãs pra lá de fiéis. A qualquer novo lançamento, seja da banda, seja da cervejaria, o sucesso de público é garantido. Por fim, a fidelidade à proposta inicial. A Bamberg, desde o seu início, declarou-se seguidora da Lei da Pureza alemã e se propôs a reproduzir estilos da escola germânica, bem como o AC/DC, que faz rock puro e genuíno, sem desvios e sem firulas.


A BIERLAND seria o BLACK KEYS

Assim como a banda, a Bierland já era bem conceituada. Mas, nos últimos anos, os dois tiveram um salto tremendo de qualidade e de popularidade. O Black Keys conheceu o sucesso de público com os discos Brothers (2010) e El Camino (2011), o 6º e o 7º da carreira, respectivamente. Já a cervejaria de Blumenau começou a ter o reconhecimento da crítica com os lançamentos da Vienna, da Imperial Stout e da Strong Golden Ale, em 2011. Os novos rótulos já ganharam vários prêmios internacionais, algo inédito na história da cervejaria até então, enquanto El Camino chegou ao 2º lugar na parada da Billboard.


A FALKE seria o QUEEN

A cervejaria mineira é, sem dúvida, uma das mais importantes e respeitadas do Brasil. Muito disso se deve à figura de Marco Falcone, um dos líderes do movimento cervejeiro que desponta no país. A paixão de Falcone pela cerveja, bem como o seu companheirismo e sua humildade, fazem com que ele seja uma das raras unanimidades do meio cervejeiro. O Queen tem várias semelhanças com a Falke. A banda também tinha um frontman carismático e foi importantíssima no rock mundial na sua época. A versatilidade estílística é outro aspecto em comum. Enquanto a Falke tem em seu portfolio representantes de todas as grandes escolas cervejeiras mundiais, o Queen também circulou entre vários estilos musicais como o funk, o techno, o rockabilly, o heavy metal e o pop. Pode até ter alguém que não goste das cervejas da Falke ou das canções do Queen, mas ninguém duvida do talento e do carisma de Freddie e Falcone.


A BADEN BADEN seria o U2

A Baden Baden se apresenta no mercado como sendo uma cerveja gourmet. O próprio nome já dá uma aura de qualidade aos seus produtos. Todavia, apesar de ter ótimas cervejas no portfolio, o mesmo é inconsistente, com alguns rótulos nem tão bons assim. Algo como o U2, que por mais que seja considerada uma das grandes bandas da história do rock, ao longo da carreira alternou bons e maus discos. Mesmo assim, o saldo da Baden e da banda irlandesa é positivo, merecendo o respeito e a admiração de seus fãs.


A AMBEV seria o COLDPLAY

É inegável o apelo comercial do Coldplay. As canções pop da banda de Chris Martin caem facilmente no agrado do grande público. Com melodias simples feitas na medida para atingir o sucesso certeiro, os ingleses tem fãs no mundo inteiro, de todos os tipos. As cervejas da Ambev também tem esse talento. Por mais que a crítica especializada torça o nariz para elas, a massa não está nem aí e enche os cofres da empresa garantindo vendas astronômicas. Há quem diga que as cervejas da Ambev estão para as cervejas assim como o rock do Coldplay está para o rock, mas a verdade é que, tanto a gigante cervejeira, quanto a banda do marido da Gwyneth, não estão nem aí para seus detratores…


Gostou da lista? Faltou alguém? Deixe suas sugestões e críticas nos comentários.

 

Festival Brasileiro da Cerveja: eu fui!

O Festival Brasileiro da Cerveja que rolou em Blumenau na última semana, possivelmente seja o maior evento brasileiro de cervejas. O que já era grande nos últimos anos, ficou ainda maior em mais importante com a realização simultânea da South Beer Cup. Tive o prazer de prestigiar o último dia do Festival e contarei um pouco do que vi por lá pra vocês.

Maurício Beltramelli

O sábado começou pra mim com a palestra do Maurício Beltramelli falando sobre “A Força da Internet na divulgação das cervejas especiais”. Maurício contou um pouco da história do Brejas, mostrando números impressionantes da audiência do site. Também mostrou que o investimento numa boa comunicação na internet é a opção mais efetiva – senão a única, visto os valores que envolvem outros tipos de publicidade – para as pequenas cervejarias divulgarem seu produto. Com muito bom humor e simpatia, Maurício deu alguns exemplos interessantes de como as cervejarias podem engajar e arregimentar mais consumidores. Uma pena que apenas dois empresários do ramo estavam presentes na platéia, já que o assunto era de extrema importância para as cervejarias.

Mesa diretora da 1ª Convenção dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja. Foto: Tarcísio Vascão

Depois de uma correria de volta para o hotel, banho e volta para a Vila Germânica, cheguei em cima da hora para participar da mesa diretora da 1ª Convenção Nacional dos Blogueiros de Cerveja. Pessoalmente, foi o momento mais importante do Festival. Além de poder conhecer ao vivo pessoas que eram até então amigos apenas virtuais, a Convenção deixou nos presentes uma sensação de que os blogueiros estão comprometidos com um projeto em comum, visando a nossa inserção definitiva como um player fundamental no mercado de cervejas no Brasil. Aguardem que o ano promete grandes novidades!

Acompanhado dos amigos Fabrício (Drinkability), Bernardo (Homini Lúpulo), Tiago e José Felipe (Wäls)

Depois de um rápido almoço com o Rafael, do Have a Nice Beer, adentramos o pavilhão que abrigava o Festival. Era uma grande festa, com um público gigantesco que quase lotava o enorme pavilhão. Stands de cervejarias, homebrewers e empresas do setor cervejeiro atendiam as pessoas ávidas por cerveja de qualidade e informação. Alguns, como os da Seasons, Bodebrown, Way, Wäls e, principalmente, o da Duff, estavam tão cheios que era difícil conseguir ser atendido. Outro destaque foi o stand da Tarantino, pela variedade de chopes importados, souvenirs e o desafio Faxe, que consistia em ver quem derrubava um mass da cerveja alemã num só gole. Como não poderia deixar de ser, houveram alguns problemas naturais para um evento desse tamanho, mas no geral, a organização deu um show. Foi a oportunidade de brindar e abraçar amigos que não via há muito tempo e conhecer outros tantos. Nessa hora, a Banda dos Cervejeiros animava a festa, botando todo mundo a beber e dançar ao ritmo do bom e velho rock’n'roll.

No intervalo do show, aconteceu a premiação dos vencedores da South Beer Cup. As cervejarias brasileiras fizeram bonito nessa edição. Opa (Göttlich Divina), Bierhoff, Way, Seasons, Bierland, Klein, Mistura Clássica, Falke, Zehn, Bamberg, Eisenbahn, Bierbaum, Karavelle, Das Bier, Colorado, Bodebrown, Backer e Wensky levaram medalhas e menções honrosas (confira todos os vencedores aqui), mas a maior vencedora da noite foi a Wäls, ganhadora do ouro nas categorias Pilsner (Wäls Pilsen), Imperial Stout (Wäls Petroleum) e Special PMC (Wäls Brut), além do prêmio de Cervejaria do Ano. Parabéns a todos os medalhistas e especialmente à Wäls, que tem feito um trabalho de muita qualidade nos últimos anos, sem se acomodar com o já grande sucesso.

Anúncio dos vencedores da South Beer Cup 2012

Em relação à cerimônia de premiação, o único problema foi a falta de um protocolo na apresentação. Apesar do entusiasmo do organizador Martin Boan em apresentar os vencedores, os presentes tiveram dificuldade de entender quem eram os vencedores e as categorias. Houve até uma confusão constrangedora na hora de premiar a Bierbaum na categoria Dunkel, que foi confundida com a Bierland na hora do anúncio. Um concurso que é considerado a “Copa América das Cervejas” deveria ter uma apresentação à altura de sua importância. Fica a dica para as próximas edições.

Outro fato constrangedor foi a premiação da Bierland na categoria Red Ale. É sabido que a cervejaria de Blumenau não possui nenhum exemplar do estilo em seu portfolio. Respondendo os questionamentos feitos no Twitter sobre o assunto, o sommelier da cervejaria, Paulo Bettiol, explicou que a Bierland Vienna foi inscrita na categoria Red/Amber Lager e por uma confusão do concurso, acabou sendo julgada como uma Red Ale. Apesar da inquestionável qualidade já comprovada da Bierland Vienna, a pergunta que não quer calar é como uma cerveja completamente fora do estilo é julgada e premiada? Os jurados não notaram a diferença? Estamos na espera de um comunicado oficial da organização do Concurso à respeito do assunto.

Enfim, foi um dia inesquescível que, como todos os dias assim, passou rápido demais. Só não foi perfeito devido à um incidente lamentável que aconteceu comigo no final da noite, envolvendo pessoas do mais baixo nível. Infelizmente este tipo de gente sempre existe em qualquer meio, mesmo no cervejeiro, cuja grande maioria é composto de gente legal, humilde e simpática. Porêm, o saldo foi extremamente positivo: grandes cervejas, grandes amigos e grande festa. Deixo um lembrete para mim mesmo e pra quem quiser ir à festa do ano que vem, que ocorrerá dos dias 20 a 23 de março: um dia é muito pouco!

2011: Um ano cervejeiro

bira2012 Seria clichê demais falar que 2011 passou voando. Da mesma forma, também seria lugar comum dizer que 2011 foi um grande ano para a cerveja brasileira. Todavia, as duas afirmações são a mais pura verdade. O ano que passou marcou a consolidação da popularização das cervejas especiais no Brasil. As sementes plantadas em 2009 e 2010 deram ótimos frutos, com grandes eventos cervejeiros, discussões acirradas em torno do mercado, levas de beer sommeliers formados e já trabalhando na área, diversos prêmios internacionais, a formação dos primeiros juízes BJCP do Brasil, cervejarias novas abrindo e as antigas aumentando consideravelmente seu portfolio, zilhões de e-commerces cervejeiros inaugurando, blogs de cerveja se fortalecendo… Para celebrar esse grande ano, vamos tentar relembrar um pouco do que aconteceu de mais marcante em 2011.

Os eventos cervejeiros tiveram destaque em 2011. Fica difícil dizer qual foi o principal, mas os mais importantes foram, sem dúvida, o VI Encontro Nacional das Cervejas Artesanais, em junho, a Brasil Brau 2011, em julho, o Beer Experience, em agosto, e o Festival Brasileiro da Cerveja, em novembro. Todos eles foram sucesso de público, com a participação maciça das cervejarias que abrilhantaram os eventos com novidades especiais. Cervejas como a Vivre Pour Vivre, da Falke, a Grâo-Pará (em breve, Bertho), da Colorado, a Strong Golden Ale, da Bierland e a 8S, colaborativa da Way/Bodebrown/Coruja/BrewDog/Wäls debutaram no mercado nesses eventos, tendo o retorno do seu público-alvo in loco. Todo esse sucesso já reflete em 2012, com a realização da South Beer Cup juntamente com a próxima edição do Festival Brasileiro da Cerveja, no próximo mês de março.

As cervejarias também fizeram bonito em 2011. Com a crescente demanda do público ávido por novidades, várias cervejarias aumentaram as opções de seus portfolios. A catarinense Bierland lançou 3 novos rótulos neste ano – Vienna, Imperial Stout e Strong Golden Ale – frutos da parceria com o beer sommelier Paulo “Feijão” Bettiol, e se consolidou como uma das empresas mais importantes do setor no Brasil. Tal iniciativa foi reconhecida com 5 prêmios internacionais recebidos neste ano. A mineira Falke também aumentou consideravelmente seu portfolio com o lançamento da weizen Estrada Real, da dry stout Villa Rica e da pilsen Diamantina, bem como a Vivre Pour Vivre, cerveja que deu muito o que falar em 2011, seja pelo altíssimo preço, seja pela ousadia em tentar recriar um estilo até então inédito no Brasil. A paulista Bamberg também agitou o mercado com o lançamento da bohemian pilsner Camila, Camila, da oktoberfest Die Wiesn e da ESB feita em parceria com o vencedor do I Concurso Paulista de Cerveja Caseira, Guilherme de Santi. Mas pelo que o Alexandre Bazzo tem dito no seu twitter, as novidades não vão parar em 2012. Estamos esperando!

E por falar na Bamberg, a cervejaria seguiu sua senda de prêmios internacionais. Em 2011 foram 13 medalhas, sendo que destes, um ouro para a Weizen na Copa Cervezas de America! A Eisenbahn veio logo atrás no número de prêmios, com 9, com destaque para os 3 prêmios recebidos no World Beer Awards 2011 pela Rauchbier, Pale Ale e Weizenbier, evento que também premiou a Baden Baden Bock como a melhor da sua categoria. Outros grandes destaques em se falando de prêmios internacionais foram o ouro conquistado pela Wee Heavy, da paranaense Bodebrown, no Mondial de La Bière, no Canadá e os já mencionados prêmios recebidos pela Bierland, com ênfase na prata recebida pela sua Vienna no European Beer Star. Esses prêmios atestam a qualidade e a evolução das cervejas brasileiras e devem servir de incentivo para as outras cervejarias aprimorarem ainda mais os seus produtos.

Se 2010 foi o ano em que os primeiros beer sommeliers brasileiros se formaram, o ano de 2011 ficou marcado pela formação dos primeiros juízes BJCP do Brasil. Apesar da discussão criada entre as duas funções, o fato é que os dois são extremamente importantes no contexto cervejeiro, cada um nas suas atribuições. Esperamos que em 2012 tanto os beer sommeliers, quanto os juízes BJCP, tenham bastante trabalho e nos passem o conhecimento intrínseco do título que ostentam, com profissionalismo e competência.

Não dá pra falar em 2011 sem lembrar da mobilização que ocorreu para a inclusão das cervejas brasileiras no projeto de lei do Supersimples. Blogueiros, empresários do ramo cervejeiro, beer sommeliers, integrantes das Acervas… todos se uniram em torno desse objetivo. O que começou com a Carta de Florianópolis, culminou com um jantar na residência do Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), onde as cervejas artesanais e a cultura cervejeira em geral foram apresentadas aos parlamentares. Ficou claro que ainda falta uma união formal das microcervejarias para defender politicamente seus interesses, mas o saldo da mobilização foi positivo. Nada foi decidido ainda, mas os dados foram lançados. Ficamos na torcida para que em 2012, os nossos congressistas reduzam a aviltante carga tributária incidente nas cervejas brasileiras.

As redes sociais também foram invadidas pelas cervejas em 2011. Um fato marcante foi a iniciativa da #cervejadeverdade. Capitaneada pelos Blogueiros Brasileiros de Cerveja, a mobilização que ocorreu no dia 6 de maio agitou o twitter e alçou a hashtag ao topo dos trending topics nacional, fazendo com que muitos internautas que não conheciam outro tipo de cerveja senão as mais conhecidas abrissem seus horizontes para o vasto mundo de opções cervejeiras que existem no mercado. Como toda iniciativa de destaque, ela não agradou gregos e troianos, mas serviu para “marcar território” e mostrou a força que os blogs cervejeiros tem no contexto das cervejas especiais. Por falar em blogs, 2011 marcou também o crescimento da blogosfera cervejeira, tanto em número (atualmente, somos mais de 190), quanto no crescimento de alguns, como o Homini Lúpulo – que se tornou um portal – e do Goronah – que recebeu uma repaginada, ficando mais profissional – , por exemplo. O Bebendo Bem também registrou um crescimento em relação à 2010, com a audiência aumentando em 60% e com o fechamento da primeira parceria comercial da sua história. O Brejas também foi destaque em 2011, pelas informações em primeira mão e, principalmente, por suscitar discussões pertinentes ao cenário cervejeiro. Entretanto, mesmo que pontualmente alguns blogs tenham tido maior visibilidade, a nuvem de conhecimento e informação gerada por todos os blogueiros contribui para o crescimento da cultura cervejeira no Brasil, algo necessário se quisermos que a cerveja especial seja uma realidade no nosso país.

Certamente muita coisa ficou de fora dessa retrospectiva, mas acredito que esses foram os fatos mais emblemáticos do ano que termina (e os que eu consegui salvar na minha memória recente :D ). Os comentários estão abertos a quem quiser complementar o post. Para 2012 fica o meu desejo de união, fortalecimento, harmonia, crítica construtiva e aumento constante da qualidade de tudo que se relaciona com as cervejas no Brasil. O caminho está trilhado, só basta segui-lo sem se perder.

Feliz 2012!!!

“Beyond Brahma”: cervejarias brasileiras na revista All About Beer

O Rapha, do All Beers, já tinha noticiado a reportagem da revista americana All About Beer sobre o cenário cervejeiro brasileiro, com a participação das cervejarias Bodebrown, Krug, Bamberg, Falke, Wäls, Eisenbahn, Baden Baden, Devassa e Colorado e do bares Frei Tuck, Haus Munchen e Frangó. Mas agora, numa gentileza da Bia, da Cervejaria Colorado, postamos em primeira mão a matéria completa escrita pelo designer e cervejeiro Randy Mosher para os nossos leitores. Divirtam-se!

Videozinhos cervejeiros

No Rio Show, do Globo, o mestre Leonardo Botto ensina como fazer uma cerveja em casa.

Já a Rede Minas, em seu programa Trilhas do Sabor, mostrou um pouco da cultura cervejeira de Minas Gerais, com a participação dos ilustres Fabiana Arreguy (Pão e Cerveja), José Felipe Carneiro (Wäls), Pablo Furtado (Artesanato da Cerveja), Paulo Patrus e Gabriela Montandon (Grimor) e Marco Falcone (Falke).

Bebendo Bem no Hoje em Dia – 14.10.2010

A pesquisa que elegeu a Falke Bier como a melhor cervejaria do Brasil ainda repercute. Ela foi citada no jornal mineiro Hoje em Dia. Clique na imagem abaixo ou neste link para ler a notícia.

E não deixe de votar na melhor cerveja do Brasil!

Qual a melhor cerveja do Brasil?

Depois de um mês de pesquisa, acaba hoje a enquete que queria saber qual a melhor cervejaria do Brasil. A disputa foi acirrada, fazendo com que os primeiros lugares trocassem de mão inúmeras vezes. As próprias cervejarias trataram de fazer campanha nas redes sociais, ampliando a disputa.

Enfim, depois de cerca de 3.600 votos, os leitores do Bebendo Bem escolheram a Falke Bier como a melhor cervejaria do Brasil. Parabéns à cervejaria mineira, realmente um ícone da cultura cervejeira brasileira. No entanto, as outras cervejarias votadas também são vitoriosas, por serem pioneiras de um cenário em franco crescimento. Obrigado e continuem com esse trabalho maravilhoso!

Só que a curiosidade do Bebendo Bem não acabou! Em comemoração ao nosso 200° post, resolvemos ir mais à fundo e descobrir qual é a melhor cerveja do Brasil! Como não podíamos colocar na lista todas as cervejas fabricadas no país, usamos como critério de seleção o portfolio regular das cinco melhores colocadas na pesquisa anterior, com base nos respectivos sites das cervejarias. Entretanto, o rol abaixo não é fechado. Serão computados também os votos dados à outras cervejas via comentários.

Sempre lembrando que não temos a pretensão de estabelecer definitivamente qualquer coisa. Essa é somente a opinião dos leitores do Bebendo Bem e uma grande diversão. Participe!!!

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Falke Estrada Real

Segundo o site da Falke Bier, a inspiração dessa cerveja foi a própria origem do estilo india pale ale.  Aproveitando as características bactericidas e conservantes do lúpulo em grande quantidade e aumentando o teor alcoólico da cerveja, os ingleses faziam que suas ales durassem o tempo necessário da viagem entre a Inglaterra e a Índia. Ao estabelecer um paralelo com a história do Brasil, a cervejaria mineira criou a Estrada Real, uma cerveja que, se existisse na época do Brasil-Colônia, certamente seria a escolhida para os 95 dias de viagem entre Paraty e Ouro Preto. A garrafa da ER é alusiva a essa época, com ícones que remetem a essa odisséia. Já a cerveja é uma autêntica IPA. De coloração âmbar e um creme bege claro de boa formação e duração, a Estrada Real é uma cerveja bonita. Seu aroma traz notas proeminentes de caramelo e toffee, com um agradável lúpulo floral em média intensidade. Algumas discretas notas frutadas também são identificáveis. No sabor, o lúpulo aparece com mais força, mas bem equilibrado com o caramelado do malte. Outra demonstração do bom equilíbrio dessa cerveja é a imperceptibilidade do álcool que, mesmo com o alto teor, não agride. A Estrada Real tem um corpo médio e uma textura oleosa, e deixa um retrogosto doce no início e amargo no final, sendo esse último ficando por um bom tempo na boca.

Uma IPA correta e easy drinking. Devido ao equilíbrio e a menor potência em relação a outras similares, é uma boa pedida para apresentar o estilo para os não-iniciados. Nota 7.6/10.

“As Pequenas Notáveis” – Playboy Agosto 2010

A edição de agosto da Playboy, comemorativa de seu 35º aniversário, convidou Edu Passarelli e Cássio Piccolo, dois dos maiores experts em cervejas do Brasil, para avaliar 10 produções das principais microcervejarias brasileiras. São as boas cervejas tomando a mídia de assalto!
Agora você pode dizer que compra a Playboy para ler as reportagens sem mentir…

(fonte: Cervejaria Colorado)

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