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A importância do Slow Bier Brasil
Nos dias de hoje, estamos vivenciando uma nova maneira de encarar o consumo de cervejas. Se antes a bebida era simplesmente vinculada com o ato de simplesmente se embriagar ou se refrescar nos dias quentes, atualmente o cenário é bem diferente. A cerveja está sendo vista como uma grande acompanhante para a gastronomia e o seu consumo consciente é incentivado pelas empresas do setor que tem um viés mais responsável. Não bebemos mais cerveja somente para encher a cara, mas para experimentar aromas e sabores diferenciados, dignos de uma cultura milenar.
Com essa ideia na cabeça surgiu o movimento Slow Bier Brasil. Inspirado pelo original alemão, o Slow Bier Brasil surgiu em 2009 com um evento no Frei Tuck, em Belo Horizonte, numa iniciativa de Marco Falcone, cervejeiro da Falke Bier (MG). Pois hoje, dia 9 de julho, Falcone estará em Porto Alegre falando desse movimento no Extramalte, evento mensal capitaneado por Sady Homrich. Veja o texto enviado por Falcone falando sobre o assunto:
No dia 25 de abril de 2009 foi lançado o movimento Slow Bier Brasil, com princípios similares ao Slow Food, com o intuito de valorizar a produção de cervejas de qualidade, bem produzidas, utilizando matérias primas nobres, boas práticas de fabricação, além de conceitos como fair trade (comércio justo), sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Preocupação com o consumo responsável, com cordialidade e convivialidade, com o prazer gastronômico que a cerveja pode proporcionar. Mas, além disto, o movimento se preocupa também com a forma de viabilizar isto, já que é muito mais dispendioso alcançar todos estes requisitos do que produzir em escala industrial, abolindo todas estas preocupações.
O Slow Bier Brasil quer mostrar as vantagens destas práticas que irradiam cultura cervejeira, mas tem que abordar também os desafios e dificuldades, que vão, desde a desproporcionalidade do poderio econômico com relação às mega indústrias até aos percalços da regulamentação, burocracia e tributação.
Desde sua criação o Slow Bier Brasil, que tem como símbolo um bicho preguiça (diferente do Slow Food, que utiliza um caramujo), tem procurado se manifestar e obter adesões em eventos pontuais, como no último ano no Festival Slow Film de Pirenópolis/GO, entre outros.
No lançamento, em 2009, foi feita uma vídeo conferência no bar Frei Tuck Slow Beer, em Belo Horizonte (que já não existe mais), com o movimento correspondente na Alemanha, e que iniciou o conceito, brindando também com Porto Alegre (Leo Sewald e Caroline Bender representando a Acerva Gaúcha) e Campinas (David Figueira e Maurício Beltramelli – Acerva Paulista), além dos cervejeiros da Acerva Mineira, Acerva Carioca, CONFECE (Confraria Feminina da Cerveja de Belo Horizonte) e FEMALE (Confraria Feminina da Cerveja do Rio de Janeiro), estes todos presentes in loco.
Pedimos a adesão de todos na data de hoje, quando estaremos levantando novamente a bandeira do movimento no Extramalte, do cervejeiro Sady Homrich, no Studio Clio, às 20 horas desta segunda-feira.
Um abraço a todos e Pão e Cerveja.
Marco Falcone
Sem dúvida, a ideia é excelente. É de fundamental importância para a cultura cervejeira mostrar que a cerveja é uma bebida muito mais rica do que a reles imagem de “loiras geladas” que estamos acostumados a conhecer. Ela é impregnada de história e as cervejas especiais, mais do que exemplos da variedade sensorial intrínseca à bebida, são veículos de toda essa cultura. Portanto, nada melhor que absorver toda essa informação em cada gole sorvido, em cada prato harmonizado.
No entanto, a bandeira do Slow Bier Brasil também serve para mostrar as dificuldades de se fazer cerveja de qualidade no Brasil. Quem sabe a renovação das ideias desse movimento faça com que as cervejarias, de uma vez por todas, unam-se para ter força política para pleitear organizadamente melhores condições para o mercado nacional? Sob um ponto de vista platônico, é hora de sair do mundo das ideias para o mundo das coisas.
Vou falar publicamente algo que já disse para algumas pessoas: será que a liderança desse movimento não é a grande missão de vida de Marco Falcone? Será que não é ele o líder que o movimento cervejeiro brasileiro necessita para fazer as coisas melhorarem?




