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Zymurgy Magazine divulga sua lista das melhores cervejas americanas de 2012
A Zymurgy Magazine, publicação oficial da American Homebrewers Association, divulgou a sua lista com as melhores cervejas dos Estados Unidos em 2012 (parafraseando o Maurício Beltramelli: “Alô, importadoras!”). A escolha é feita pelos leitores da revista, que fazem uma lista com as 20 cervejas de sua preferência.
Essa é a 10º edição da lista e a campeã – repetindo o feito pela quarta vez seguida – é a Pliny The Elder, double IPA da Russian River. Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, a Bell’s Two Hearted Ale (pelo 3º ano seguido) e a Dogfish Head 90 Minute IPA (pelo 2º ano seguido). O pódio desse ano é uma repetição do ano passado e, dos dez primeiros lugares, sete são IPA’s, demonstrando que o estilo é o preferido dos americanos.
Segue a lista completa das 50 melhores colocadas:
1. Russian River Pliny the Elder
2. Bell’s Two Hearted Ale
3. Dogfish Head 90 Minute IPA
4. Sierra Nevada Pale Ale
5. Stone Arrogant Bastard
6. Bell’s Hopslam
7. Sierra Nevada Celebration
8. Stone Ruination IPA
9. Sierra Nevada Torpedo
10. North Coast Old Rasputin
11. Firestone Walker Union Jack
12. Sierra Nevada Ruthless Rye
13. Bear Republic Racer 5
14. Oskar Blues Dale’s Pale Ale
15. Dogfish Head 60 Minute IPA
16. Firestone Walker Double Jack
17. Ballast Point Sculpin IPA/Sierra Nevada Bigfoot
19. Stone IPA
20. New Belgium Fat Tire
21. Deschutes Black Butte Porter
22. Avery Maharaja
23. Founders Breakfast Stout
24. Left Hand Milk Stout
25. Dogfish Head 120 Minute IPA/New Belgium Ranger/Stone Sublimely Self Righteous
28. Deschutes The Abyss
29. Goose Island Bourbon County Stout
30. Surly Furious
31. Lagunitas Little Sumpin Sumpin/Rogue Dead Guy/Samuel Adams Boston Lager
34. Troegs Nugget Nectar
35. Lagunitas IPA/New Belgium La Folie
37. Dogfish Head Palo Santo Marron/Founders KBS/Russian River Blind Pig IPA
41. Deschutes Mirror Pond Pale Ale
42. Victory Prima Pils
43. Great Divide Yeti
44. Alaskan Smoked Porter/Anchor Steam/Lagunitas Hop Stoopid/Samuel Adams Noble Pils
48. Great Lakes Edmund Fitzgerald Porter/Oskar Blues Ten Fidy/Russian River Pliny the Younger
Apesar do tetracampeonato, a Russian River ficou apenas no quarto lugar no ranking das cervejarias. A campeã foi a Sierra Nevada, com 5 cervejas no top 20, seguida pela Dogfish Head e pela Stone. Já o prêmio de melhor portfolio ficou com a Boston Beer Co. (Samuel Adams), com 41 cervejas votadas, seguida pela Dogfish Head (34 cervejas) e pela New Glarus (28 cervejas).
Veja a lista completa dos vencedores no site oficial da American Homebrewers Association.
As melhores cervejas americanas de 2011
Os americanos podem ter todos os defeitos do mundo, mas fazem cada cerveja que pelamordedeus! Enquanto alguns discutem se existe ou não uma escola americana de cerveja (minha opinião: sim, existe), os yankees continuam fazendo grandes exemplares do que de melhor tem surgido no mundo.
E para comemorar o dia nacional americano, o 4 de julho, o Bebendo Bem publica a nova lista das melhores cervejas americanas, escolhidas pelos leitores da Zymurgy Magazine. A publicação da American Homebrewers Association promove essa votação há nove anos e em 2011 o recorde de votos foi batido, com 1.306 cervejas votadas, representando 433 cervejarias.
A cerveja tricampeã foi a Pliny The Elder, uma double IPA da Russian River. O vice-campeonato ficou com a também IPA Bell’s Two Hearted Ale e em terceiro lugar, empatadas, a Dogfish Head 90 Minute IPA (os americanos são mesmo chegados numa IPA, hein?) e a Founders Kentucky Breakfast Stout.
Confira a lista das mais votadas:
1. Russian River Pliny the Elder
2. Bell’s Two Hearted Ale
3. Dogfish Head 90 Minute IPA/Founders Kentucky Breakfast Stout
5. Bell’s Hopslam
6. Stone Arrogant Bastard
7. Sierra Nevada Celebration
8. Sierra Nevada Torpedo/Stone Ruination
10. Sierra Nevada Pale Ale
11. Stone Sublimely Self Righteous
12. Sierra Nevada Bigfoot Barleywine
13. Goose Island Bourbon County Stout
14. Great Lakes Edmund Fitzgerald Porter/Oskar Blues Dale’s Pale Ale
16. Dogfish Head 60 Minute IPA/New Glarus Belgian Red
18. North Coast Old Rasputin
19. Bell’s Expedition Stout
20. Deschutes The Abyss/Left Hand Milk Stout/Odell IPA/Samuel Adams Noble Pils/Surly Furious/Troegs Nugget Nectar
26. Rogue Dead Guy Ale/Samuel Adams Boston Lager
28. Anchor Steam
29. Bear Republic Racer 5/Ommegang Three Philosophers/Oskar Blues Ten Fidy/Three Floyds Alpha King/Three Floyds Dark Lord
34. Avery Maharaja/Dogfish Head Indian Brown/Dogfish Head Palo Santo Marron/Three Floyds Gumballhead
38. Dogfish Head 120 Minute IPA/Lost Abbey Angel’s Share/New Belgium La Folie/New Belgium Ranger/Oskar Blues Old Chub
43. Ballast Point Sculpin IPA/Great Divide Yeti/New Belgium 1554/Russian River Blind Pig/Ska Modus Hoperandi
48. Alesmith Speedway Stout/Dark Horse Crooked Tree/Green Flash West Coast IPA/Summit EPA/Victory Prima Pils
Uma ótima lista de encomendas pra aquele seu brother que está voltando dos EUA, hein?
De onde viemos? Para onde vamos? Pt. II
Continuando a discussão levantada no post de ontem, vamos ver o que o cervejeiro gaúcho Leonardo Sewald, da Cervejaria Seasons, tem a dizer sobre o assunto:
*Leonardo é cervejeiro formado pelo Siebel Institute of Technology e membro da Brewers Association e Master Brewers Association of Americas.
Gosto muito de comparar a realidade da indústria cervejeira brasileira com o que ocorre nos Estados Unidos. Em parte porque estudei lá* e vi que temos realmente muitas coisas em comum (mercado dominado por grandes marcas, costume do público geral de consumir propaganda e cervejas massificadas, mais barato é melhor, etc), mas também porque a cerveja de lá é muito boa e temos tudo pra fazer o mesmo! Mas o texto do Fabian aqui no Bebendo Bem dessa vez vem com o propósito de dar um alerta para a nossa indústria, e ele o faz em boa hora. E, mais uma vez, a comparação com a indústria cervejeira americana vem a calhar. Em resumo é o seguinte: a gente está indo bem, mas temos que nos espelhar nos bons exemplos pra não nos darmos tiro no pé.
Falo nos EUA porque lá eles começaram com a onda de cerveja artesanal a mais de 30 anos, mas foi só depois de 1997 que a indústria amadureceu e se consolidou como está hoje. Isso porque o mercado deles teve o equivalente a uma bolha no ano de 1997: com crescimento nas vendas a taxas de 40-50% ao ano, grande parte das microcervejarias não conseguiram se sustentar, e acabaram fechando as portas (sobraram coisas como Anchor Brewing, Sierra Nevada, Sam Adams, Dogfish…), das centenas de fabricantes de equipamentos, sobraram menos de 10, e por aí vai. O motivo: alta diversidade e baixa qualidade. A grande maioria das empresas estava querendo entrar na onda do momento com o simples interesse de ficar rico. Faziam um produto desbalanceado e inconsistente e o colocavam na prateleira do supermercado, e em posição privilegiada. O que ocorreu em 1997-1998 foi uma revolta dos consumidores, que já haviam provado “N” cervejas artesanais, na sua maioria ruins, e disseram: “cansei, não jogo mais dinheiro fora, vou voltar pra Bud”. Esse sentimento se espalhou por todo o território americano e deu no que deu. De 1999-2004, as estatísticas de cervejarias fechando foram maiores do que as de cervejarias abrindo (dados da Brewers Association). Por sua própria culpa e ambição, o mercado tinha perdido o encanto.
Aqui no Brasil nós já demos um passo bem grande, que é o de conseguir criar um mercado. O perfil do consumidor já está traçado. Esse consumidor valoriza a qualidade da cerveja em primeiro lugar, antes mesmo do preço. Esse consumidor gosta não apenas de novas experiências de sabor, mas também de informação, detalhe, conteúdo, cultura. O público que consome esse tipo de bebida é ávido por conhecimento. Neste ponto a cerveja, enquanto bebida mais antiga da humanidade, tem bastante a contribuir.
É importante termos essa visão e nos espelharmos na atitude dos americanos, especialmente os profissionais do mercado cervejeiro. Em um mercado pequeno como esse, qualidade, informação e colaboração são palavras-chave.
O conceito de cerveja artesanal aqui no Brasil ainda está vinculado a algumas cervejarias de grande porte, e estamos brigando muito para repatriar esse termo pra gente. Ser artesanal não é fazer “de qualquer jeito”, é fazer algo único e muito bem feito. É fazer e mostrar para o cliente todo o trabalho que você teve para fazer aquilo que ele está comprando. É mostrar que o seu produto não é nem melhor, nem pior, mas sim diferente de todos os demais por ser artesanal, mas mesmo assim mostrar que você, enquanto produtor, faz parte de uma comunidade, que está unida e fortalecida. O cliente de uma microcervejaria também é o mesmo cliente que, em sua próxima compra, pode adquirir um produto de outra microcervejaria. A fidelidade do cliente não está com uma marca (a exceção fica pela Guinness), mas sim com uma bebida melhor. Nesse ponto, todas as cervejas artesanais precisam estar juntas, como bebidas superiores, todas elas com um padrão elevado de qualidade.
Qualidade, palavra essa tão difícil de definir, tão banalizada pela massificação, mas tão fácil de distinguir no mundo real. É importante sempre nos lembrarmos das raízes desse movimento, da cerveja de melhor qualidade, e não deturpar esse conceito. Colocando este atributo em primeiro lugar e lembrando que informação e colaboração são importantes para a disseminação dessa cultura, não vamos precisar nos preocupar, pois sempre teremos cervejas boas para consumir por aqui.
De onde viemos? Para onde vamos? Pt. I
As cenas cervejeiras americana e brasileira tem vários aspectos em comum. As duas tem crescido demais, ano após ano. Lá, entretanto, a cerveja artesanal/especial já é uma realidade, a ponto de incomodar até mesmo as grandes cervejarias. Se aqui ainda o mercado é pequeno, apesar do crescimento notável dos últimos anos, temos em comum com os americanos a alta qualidade da nossa produção cervejeira. No entanto, as cervejas americanas levam vantagem sobre as brasileiros por terem uma característica que as distinguem das demais: o seu alto amargor. Hoje já se fala, inclusive, que esse aspecto lupulado das cervejas yankees permite considerar os Estados Unidos como berço de mais uma “escola” cervejeira.
A criatividade dos cervejeiros americanos colocou em questão até as listagens de estilos de cerveja disponíveis, como por exemplo, a do BJCP. Em vez de ficarem presos às características listadas dos estilos já conhecidos, os americanos inventam coisas como as pumpkin beers (cervejas com abóbora) e as India Black Ale’s (algo como uma mistura entre uma porter e uma IPA). Lei da pureza então? Essa já foi revogada faz tempo na terra do Tio Sam. É só ver as experiências feitas pela Dogfish Head, que já jogou crisântemos, pimenta e até tomates nos seus tanques.
Com a chegada de diversos rótulos americanos ao mercado brasileiro, a influência americana na produção cervejeira brasileira começou a ser notada, tanto entre os homebrewers, quanto nas microcervejarias. Os mais novos lançamentos nacionais bebem da fonte americana de cascade e amarillo. Alguns produtores, inclusive, competem para ver quem faz a cerveja com maior IBU do Brasil, como se isso fosse um prêmio a ser ganho.
No entanto, eu pergunto: basta simplesmente encher uma cerveja de lúpulo e classificá-la como “american qualquer coisa” para ela ser considerada uma cerveja da “escola” americana, se é que essa “escola” existe?
A grande verdade é que, salvo algumas ótimas exceções, uma cerveja muito amarga é somente uma cerveja desequilibrada. Não adianta, portanto, somente seguir uma tendência sem se preocupar com a qualidade. Também nesse caso, adjuntos não são bem-vindos. Esta banalização do lúpulo me faz lembrar de todos aqueles filmes que sempre vem na esteira de um grande sucesso, como os inúmeros erotic thrillers de quinta categoria que se seguiram à Instinto Selvagem na década de 90. Em resumo, variações de menor qualidade sobre um mesmo tema. Todavia, a criatividade é sempre bem-vinda. O Brasil já deu provas que esse ingrediente não falta por aqui. Por isso, pergunto: em vez de tentar copiar os americanos, não está na hora de se tentar criar um estilo genuinamente brasileiro de se fazer cerveja?
Meu objetivo com esse texto não foi criticar o movimento cervejeiro brasileiro. Pelo contrário! Sou fã da maioria das experimentações lupuladas que tenho provado nos últimos meses (mesmo que algumas tenham apenas gosto de grama). Meu medo é que esse movimento, que tem dado tão certo até agora, se perca pela falta de originalidade. Não precisamos copiar cegamente o que vem de fora. Exemplos bons devem ser seguidos, e os ruins, descartados. Simples assim…
Colorado elege governador cervejeiro
O estado americano do Colorado é conhecido por ser um dos maiores expoentes da cena cervejeira dos EUA. O estado é o número 1 em produção bruta de cerveja e 3° lugar em volume de cervejarias e microcervejarias. O Colorado é o berço de 92 empresas do setor, sendo que 4 delas estão entre as 50 maiores dos EUA*. Em Denver, capital do Estado, acontece o Great American Beer Festival, evento anual que reúne o que há de melhor em termos de cervejas americanas. Além disso, a cidade é considerada a “Napa Valley da cerveja”, em comparação com a região da Califórnia conhecida pela qualidade dos seus vinhos.
Portanto, nada mais justo que esse estado tão cervejeiro tenha escolhido como governador John Hickenlooper. O prefeito de Denver é conhecido por ser o fundador do Wynkoop Brewing Co., o primeiro brewpub da cidade, em funcionamento desde 1988. O Wynkoop foi o estopim para a revitalização do LoDo (Lower Downtown Historic District), uma área histórica de Denver que hoje é um dos centros turísticos e de entretenimento da cidade. Hickenlooper também foi um dos responsáveis da mudança das leis que proibiam os estabelecimentos de vender a própria cerveja, vigentes na Denver dos anos 80.
Hickenlooper foi eleito Governador do estado do Colorado pelo Partido Democrata, nesta quarta-feira, com 50% dos votos.
E para não perder a oportunidade, já que acabamos de passar por um período eleitoral – e também gostamos de uma eleição – em quem você votaria para o Governador da Cerveja do Brasil?
Rogue Hazelnut Brown Nectar
A expressão não é minha, mas da minha esposa, que saiu com essa só de cheirar a cerveja: “cheiro de Nutella”. Essa Rogue realmente cumpre o que promete. O “nectar de avelã” citado no rótulo está mais que presente, dando à essa american brown ale uma característica exclusiva, incomum e deliciosa. A Hazelnut Brown Nectar é marrom-avermelhada, completamente turva e possui um creme espesso e persistente, que gruda nas paredes do copo e deixa uma lâmina até o final da degustação. O aroma, já referido no início do post, remete à avelã e nozes, mas também são notáveis traços de chocolate, amêndoas e café, somados a um leve floral do lúpulo. No entanto, toda essa complexidade não é muito intensa, sendo o aroma, portanto, o ponto fraco dessa deliciosa cerveja. Ao entrar na boca, meu Deus! A impressão é de estar comendo uma colher de Nutella misturada com cerveja! A avelã explode em intensidade, deixando todos os outros sabores – caramelo, chocolate, café com leite… – em segundo plano. Seu corpo é médio e sua carbonatação é leve, características que só somam no conjunto. Seu retrogosto, como não poderia deixar de ser, lembra avelãs (Nutella) e chocolate, e perdura por um bom tempo na boca. Apesar de poder parecer enjoativa à primeira vista, sua drinkability é excelente. Pena só ter uma garrafa em casa…
Americano não é só sinônimo de lúpulo. Cerveja criativa e deliciosa. Não fosse o alto preço, teria caixas dela em casa. Nota 8,4/10.
Anderson Valley Barney Flats Oatmeal Stout
Já diziam alguns que a cerveja é “o café da manhã dos campeões”. Depois de provar essa oatmeal stout, confesso que entendo e concordo com a expressão. Eu nunca tinha provado uma cerveja que passasse tanto a sensação de “nutrição” como essa breja americana. A sua aparência não é bem seu ponto forte. De uma coloração negra e opaca, ela não forma um belo creme, se resumindo a uma pequena coroa marrom-clara e espumosa, de curta duração. Entretanto, seu aroma povoado com todas aquelas notas carameladas, de café, chocolate, malte tostado e aveia dão a impressão de que estamos diante de uma bela cerveja. O lúpulo floral aparece discretamente, conferindo um perfume gostoso e suave. Quando ela entra na boca é que ela mostra mesmo sua identidade. A Barney Flats é encorpada, leitosa, pesada. A impressão é de que estamos tomando um café com leite turbinado. Os caracteres do aroma aparecem novamente, com destaque ainda maior para o café e o tostado, que formam um belo conjunto com a sensação aveludada da aveia. No final, as notas tostadas permanecem na boca e, apesar de seu peso e da sua complexidade, ela se mostra equilibrada.
Cerveja para incluir na dieta! Nota 8,2/10.
Brooklyn Black Chocolate Stout

Quando se fala em extreme beers, a idéia que vem à mente são aquelas cervejas lupuladíssimas, ou com absurdos níveis de álcool. Adoradas por alguns, elas são odiadas por outros como Garrett Oliver, a cabeça por trás da Brooklyn Brewery. Segundo ele, “a cerveja mais lupulada é como o prato mais salgado. Qualquer um pode jogar lúpulo numa panela, mas isso deixa a cerveja melhor”? Mr. Oliver responde à esse movimento fazendo outro tipo de extreme beer: extrema em sabor, em corpo, em qualidade. Sou um fã assumido das cervejas da Brooklyn Brewery, mas eles sempre acham um jeito de me surpreender. Essa imperial stout sazonal de inverno não deixou nada a desejar em relação à alta expectativa que tinha. Pelo contrário. Ela já mostra sua imponência pelo rótulo classudo, de extremo bom gosto. Ao abrir a garrafa – notem bem, “ao abrir”, não “ao servir” – o aroma exalado já mostra que lá vem coisa boa. Notas de um maltado intenso, toffee, caramelo, tostado, o café inerente ao estilo e o prometido chocolate, juntamente com um perfumado maravilhoso dos lúpulos Willamette e American Fuggle, inundam o ambiente. Além disso, pode-se sentir o álcool e um certo frutado, que identifiquei como uvas, mas confesso que a complexidade já tinha me deixado atordoado. No copo, a BCS é negra como petróleo, precedida por um creme marrom-claro que, se não é grande, é persistente e cremoso, deixando um excelente belgian lace. O sabor é tudo aquilo que se esperava, de acordo com o seu aroma intenso, porém, com o álcool aparecendo bem mais, causando um aquecimento confortável na boca. A BCS é encorpadíssima, quase licorosa, e deixa um retrogosto duradouro, alcoólico e bem balanceado entre o adocicado e o amargo tostado. Por conta disso, sua drinkability é comprometida. No entanto, a sua intensidade de sabor, de aroma e de corpo, é mais que suficiente pra satisfazer o paladar.
A melhor stout que já tomei, sem nenhuma dúvida. Nota 9,0/10.
As melhores cervejas da América pela Zymurgy Magazine
A Zymurgy Magazine, publicação da American Homebrewers Association (AHA), publicou sua lista das melhores cervejas comercializadas nos EUA. O concurso é realizado há 8 anos e os vencedores são escolhidos pelos leitores da revista, que mandam uma lista de 20 cervejas que, pela regra, tem que ser comercializadas em algum ponto do país. Neste ano, o concurso bateu o seu recorde de votos, com 1192 cervejas votadas representando 450 cervejarias. No concurso, também são premiadas a melhor cervejaria (maior número de votos somados), o melhor portfolio (maior número de cervejas rankeadas) e “espírito cervejeiro” (nº de votos dividido pela produção anual da cervejaria).
A cerveja vencedora, pelo 2º ano seguido, foi a Pliny the Elder, uma double IPA da Russian River Brewing Co. de Santa Rosa, California, que ganhou da IPA Bell’s Two Hearted Ale, de Michigan, por dois votos. Em 3º lugar, vem a american strong ale Stone Arrogant Bastard, de Escondido, na California. A cervejaria que recebeu o maior número de votos foi a Rahr & Sons Brewing Co. de Fort Worth, Texas, que também levou o prêmio “espírito cervejeiro”. O melhor portfolio foi o da Boston Beer Co. (Samuel Adams) com 22 cervejas na lista. Uma curiosidade: do “top 10”, seis são IPA’s, provando o gosto dos leitores pelas cervejas lupuladas.
“Como homebrewers e amantes da cerveja, os leitores da Zymurgy são alguns dos maiores conhecedores da bebida no planeta”, disse Jill Redding, editor da Zymurgy. “se você é um cervejeiro profissional, é um prestígio estar nessa lista”.
Veja a lista completa no site da American Homebrewers Association.
(com informações do Beernews.org e da American Homebrewers Association)
Flying Dog Gonzo Imperial Porter

Mais uma representante da nova escola americana de cervejas aqui no Bebendo Bem, a Gonzo Imperial Porter faz parte da linha “Canis Major” da cervejaria de Frederyck, em Maryland. A apresentação da cerveja merece um post a parte, tamanha a criatividade e a originalidade do rótulo criado por Ralph Steadman, em homenagem ao jornalista e escritor Hunter Thompson. Pra ver que rótulo de cerveja não precisa se limitar a brasões e ramos de cevada… Enfim, a porter da Flying Dog é uma cerveja que representa as novas extreme beers que vem da terra do Tio Sam, mas não convence tanto quanto o esperado. Um salve à ousadia da cervejaria americana em tentar reinventar um estilo clássico, mas a experiência de adicionar uma ultra-dosagem de lúpulo numa porter acabou por deixar a cerveja desequilibrada. Sua aparência é a default do estilo, com um creme pequeno e denso precedendo um líquido preto, calmo e opaco feito petróleo. Já no abrir da garrafa podemos sentir no aroma a marca registrada das novas cervejas americanas, o agradável e delicioso cheiro do lúpulo Cascade. Numa análise mais detalhada, podemos também sentir no background um pouco de malte torrado. Como esperado, o lúpulo é o protagonista, característica que segue no sabor, amargo e picante. Os 85 IBU declarados no rótulo acabam por esconder as outras notas maltadas que se espera de uma boa porter, apesar de não parecerem tão violentos na boca. Sua textura é oleosa, encorpada, deixando um retrogosto amargo, duradouro e levemente enjoativo.
Uma experiência interessante mas um pouco desequilibrada. Pela ousadia, pelo rótulo e pelo perfume do Cascade, nota 7,0/10.








