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Hi5: a primeira Black IPA engarrafada do Brasil
Um estilo (?) relativamente novo, já produzido experimentalmente por algumas nanocervejarias e homebrewers no Brasil, terá seu primeiro representante engarrafado e lançado comercialmente no Brasil. Trata-se da Black IPA Hi5, cerveja que também marcará o lançamento da 2Cabeças Cervejas, um projeto do jornalista, homebrewer e editor do site Homini Lúpulo, Bernardo Couto, e do publicitário e dono do bar BeerJack Hideout, Salo Maldonado. A Hi5 foi inicialmente produzida de forma caseira, mas a receptividade foi tão boa que os responsáveis resolveram lançá-la em escala comercial, com o apoio da Cervejaria Allegra (RJ).
De um estilo raro no Brasil, as Black IPA’s nasceram nos Estados Unidos em experiências de cervejas escuras extremanente lupuladas. O estilo é uma opção com leve torrado para as tradicionais American IPA. A Hi 5 tem coloração escura, com toques acastanhados, não sendo um negro profundo, como uma tradicional stout. No aroma, o torrado e o caramelo do malte se misturam ao cítrico do lúpulo Simcoe, que remete a maracujá e manga. Na boca, trata-se de uma cerveja com corpo leve a médio e notado amargor. O sabor acompanha o aroma, deixando no fundo da garganta um leve sabor de lúpulo.
Apostando em estilos de cervejas pouco usuais no mercado brasileiro, o rótulo também foi uma preocupação da 2Cabeças. Fugindo do tradicional, o trabalho do designer mineiro Armando Fontes – conhecido pelas sua Cerveja Vilã – tem um viés moderno e jovial, acompanhando o espírito da Hi5. “Gostamos de brincar que o dia em que a 2Cabeças tiver produzindo pilsens e weizens, desconfie seriamente, pois deve ser uma pegadinha. Nosso foco são cervejas que tragam uma experiência marcante e diferente para o público brasileiro que cada vez mais entende e aprecia cervejas especiais”, afirma Bernardo Couto.
A Hi5 será lançada no dia 27 de janeiro exclusivamente no Boteco Colarinho e no Beer Jack, e no dia 02 de fevereiro chegará à outros bares do Rio de Janeiro (Delirium Cafe), São Paulo (Empório Alto dos Pinheiros, Bar Brejas e Empório Santa Fé), Paraná (Hop’n Roll Beer Club) e Bahia (Empório Jaguaribe). Outros bares já estão negociando alguns barris e exemplares da nova cerveja.
O Bebendo Bem saúda a chegada da 2Cabeças ao mercado nacional, deseja todo o sucesso aos amigos nessa empreitada e espera ansiosamente a oportunidade de experimentar essa cerveja. Já estamos até dançando como o Dimitri.
Brazilian Beer Bloggers – 2ª temporada: Bernardo Couto – Homini Lúpulo
Hoje, no BBB, apresentaremos o Bernardo Couto, do Homini Lúpulo. Quando era apenas um blog independente, ele já era o mais acessado do Brasil. Imaginem só agora que é um portal!!! Mesmo com todo o trabalho que um site daquele tamanho dá, Bernardo ainda arranja tempo para ser um cervejeiro profissional. Sua última empreitada é a Cervejaria 2 Cabeças, que está lançando em breve uma Black IPA chamada Hi5, conforme contou o Goronah.
Nome, idade, profissão, onde reside?
Bernardo Couto, 29 anos, jornalista e morador do Rio de Janeiro
Desde quando você escreve no blog?
Desde 2010
O que lhe motivou a criar o blog/site?
Fazíamos cerveja em casa, e sentimos a necessidade tanto de expor o que estávamos fazendo como trocar experiências. Assim, os 3 amigos que faziam cervejas juntos criaram um blog com esse intuito, e todos escreviam nele.
Como foi a escolha do nome do blog/site?
Demoramos muito para definir o nome. Homini Lúpulo surgiu de uma brincadeira com aquele ditado em latim homo homini lupus. Mas Homo Homini Lúpulo não seria muito bom por motivos óbvios, e acabamos chegando ao Homini Lúpulo. Outra coisa que fortalece o nome do blog é o nome científico do lúpulo, que é humulus lupulos.
Quais são os principais objetivos do blog/site?
Começamos sem pretensão alguma, mas como sou jornalista, conseguimos dar uma dinâmica boa ao blog. O Eduardo Melo, que também escrevia junto, é engenheiro e fazia muitos posts sobre equipamentos de cerveja caseira, e tudo isso gerou muito acesso. Outro que escrevia era o Eduardo Sardinha, que contribuiu muito com viagens e eventos de fora do Rio de Janeiro. Assim, em junho, o formato blog foi deixado para se tornar um portal, com informações mais variadas, e já com uma abordagem profissional e comercial. O objetivo, atualmente, é fazer do Homini Lúpulo uma referência em comunicação e informação no mercado de cervejas artesanais e caseiras, sem perder o foco no mais importante: fomentar e celebrar a cultura cervejeira. Para o futuro, o objetivo é que ele cresça, tenha mais pessoas escrevendo e seja um canalizador de informações sobre cervejas, facilitando a informação, e com isso, o crescimento do mercado. Acredito que as pessoas só bebem com qualidade quando tem informação sobre o que estão bebendo.
Quais são os seus 3 blogs/sites cervejeiros preferidos?
O Ranking do Brejas é fantástico. Sempre que ouço falar de uma cerveja nova me pauto por lá para saber o nível de qualidade dela. Os blogs que mais acesso são o Bebendo Bem e o Goronah, pois tratam de temas interessantes e muitas vezes sobre uma visão diferente do usual. E isso é muito importante, produzir conteúdo, refletir, criar. Uma menção honrosa é para o Gole de Cerveja, que tem pouca atualização, mas faz excelentes posts, sem contar o documentário Arte para beber, que é muito bom e sem precedentes na blogsfera cervejeira.
Quando foi que você teve aquele estalo, aquele momento em que você descobriu as cervejas especiais? Conte a experiência com o máximo de detalhes possível.
Acho que tiveram vários momentos de descoberta ao longo da vida. O mais longínquo seria quando fui numa festa de um restaurante alemão que era dentro de uma cervejaria. Lá tinham uns 5 tipos de chope, o que era raríssimo àquela época, e todos de boa qualidade. Isso foi há cerca de 8 anos. Lembro como se fosse hoje do meu pai falando que era uma pena que no Brasil quase não haviam pequenos produtores, com produtos diferenciados como aqueles. Depois disso, voltei para as normais com algumas idas ao Mikes Haus, único bar do Rio que vendia chope alemão. Quando casei, minha mulher sempre falava que achava que em casa a gente devia beber cervejas melhores, não tinha porque comprar as padronizadas. E assim começamos a beber algumas como Paulaner, Bitburguer e outras fáceis de encontrar na época. Em 2009, fiquei sabendo de um conhecido que estava fazendo cerveja caseira nos EUA, e fiquei curioso. Eu e minha cunhada começamos a pesquisar sobre isso e descobri que tinha o curso de um tal de Leonardo Botto. E era em cerca de 2 semanas. Liguei para ele, me inscrevi, e em cerca de 1 mês depois do curso já estávamos produzindo nossa primeira leva. Isso foi em meados de 2009. Foi interessante pois fizemos uma pale ale, e nem eu nem nenhum dos outros amigos tínhamos bebido uma pale ale na vida! E, enquanto fazíamos cervejas e em outros eventos, começamos a querer conhecer, montar degustações entre a gente e começamos a conhecer mais e mais. Aí, como sabemos, é um caminho sem volta. Quanto mais descobrimos, mas nos interessamos e mais queremos. Com certeza começar a fazer cerveja mudou minha cabeça para este mundo.
Depois disso, que outros momentos marcaram a sua experiência com as cervejas especiais?
Fazer uma enorme compra de cervejas belgas foi marcante para mim. Ao longo de meses bebia toda semana alguns exemplares de alta qualidade e comecei a entender mais os detalhes e as possibilidades de cada uma. Outra situação marcante foi me associar à ACervA e começar a conviver com grandes cervejeiros caseiros. Aprende-se muito sobre cervejas e sobre produção a cada encontro. No primeiro grande encontro da ACervA era tanta cerveja boa, em variedade e quantidade… nossa, foi demais! rs
Onde você encontra as cervejas que você degusta?
Atualmente, praticamente só compro cervejas na internet, em lojas online, pois tem o melhor preço. Isso para beber em casa. Fora isso, no Rio há ótimos bares, como BeerJack, Colarinho e Delirium, com muita variedade e ótimos chopes. Isso sem contar as cervejas caseiras que bebo, que são muitas, tanto minhas quanto dos amigos.
Quais são os seus 3 estilos de cerveja preferidos?
Boa e difícil pergunta, se me perguntasse em outro dia talvez responderia de outra forma. Mais fácil perguntar do que responder, né? Mas vamos lá: IPA, Quadruppel e Imperial Stout
Quais são as suas 3 cervejarias preferidas?
Wäls, Falke e Bodebrown
Se você pudesse trabalhar numa cervejaria, qual seria? Por quê?
Nossa, em várias, cada uma por um motivo especial hehehe. Mas gosto muito da criatividade e excelência que a Wäls busca. Trabalhar lá ajudando a testar e criar inovações e trabalhando a comunicação deles seria muito legal. A proposta deles de ser a melhor cervejaria do Brasil é muito legal. Não por eles se considerarem ser, mas por eles buscarem ser acabam chegando em um nível altíssimo.
Você também é homebrewer? Se for, conte alguma experiência inusitada que teve.
Sou sim! E recentemente comecei a dar cursos de produção de cerveja caseira também. Tivemos vários casos insólitos, como a história da luva fazendo Hi 5, do fermentador em erupção. Mas uma importante é da nossa primeira leva. Erramos tudo o que tinha direito. Deixamos para montar o equipamento na hora da brassagem, e colocar as torneiras nas panelas foi um transtorno. Erramos em alguns litros a quantidade de água, e não corrigimos na lupulagem, o que gerou uma cerveja muito mais amarga do que deveria ficar. O tanque fermentador estava com um micro vazamento. Naquela época não tinha um freezer, então ela era refrigerada com garrafas pet congeladas num isopor cheio de água. Ou seja, não dava para ver o vazamento dentro da água. De 20 litros, ficamos com 9. No resfriamento, uma mangueira soltou e entrou uma quantidade boa de água da torneira no mosto após a fervura. Ou seja, tinha tudo para ir para o ralo, certo? Mas não é que ela ficou gostosa? Foi um começo animador!
Além do blog/site, quais são seus outros hobbies?
Além de cerveja caseira, que já foi falado, gosto de cozinhar. O próximo passo é fazer sorvete! Fora isso, tento me manter um forma para compensar beber acima do limite. Então, outro hobbie é a corrida. E também toco violão, que é uma coisa que gosto muito. Já estudei e me dediquei mais, hoje em dia é só diversão mesmo.
Como você vê o seu blog/site no contexto cervejeiro do Brasil?
Apesar de novo, o site Homini Lúpulo tem hoje um grande destaque, com muitos acessos. A campanha para compra da Schincariol, assim como o #cervejadeverdade e o foco em produção de cerveja caseira deu muita visibilidade ao blog. Mas, mais do que isso, o que mais me gratifica e me dá dimensão da relevância do HL é receber o incentivo das cervejarias, dos cervejeiros caseiros e dos amantes da cerveja. Quando cheguei no Festival de Cervejas Artesnais, em Florianópolis, pessoas de diversos lugares do Brasil conheciam, liam e gostavam do Homini Lúpulo, mas eu não as conhecia. Foi algo impressionante para mim. Ele cresceu tanto que hoje tenho colunistas que escrevem como uma maneira de falar sobre a cultura cervejeira através de uma mídia com mais visibilidade. Ao invés de criar um blog pessoal com pouca atualização, preferem escrever lá e ser mais visto. E, claro, para manter o site neste patamar é preciso ser relevante. Ajudar a divulgar a cultura, mas ao mesmo tempo criar conteúdo, de uma maneira leve e agradável para o leitor.



