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Reinheitsgebot: o alvo da vez

No maior país católico do mundo, com também milhares de praticantes do candomblé, o dia 23 de abril é marcado como o Dia de São Jorge, ou Ogum. No entanto, para os devotos da cerveja, esse dia é conhecido por ser o aniversário da data de promulgação da Reinheitsgebot, conhecida como a Lei da Pureza Alemã. Instituida em 1516 pelo Duque Guilherme IV, da Baviera, ela proibia o uso de outros ingredientes na fabricação da cerveja que não fossem água, malte de cevada e lúpulo – a levedura, não conhecida na época, foi introduzida na lei posteriormente.

Sem se estender na história da Lei – o Brejas e o Mestre Cervejeiro já fizeram isso muito bem – perguntamos: seria ela um atestado de qualidade, ou um cerceamento da criatividade dos cervejeiros? A resposta é: nem um, nem outro. Assim como em vários casos que envolvem a religião, o que denigre a Reinheitsgebot não é a letra da lei, mas a interpretação que se faz dela. Não é porque a cervejaria segue a Lei da Pureza que a sua cerveja é boa, tampouco não seguir significa inovação com qualidade.

Achincalhar a Lei da Pureza virou bordão de alguns proto-revolucionários anti-estabilishment que não sabem muito bem quem é o inimigo. Acham que a mesma é sinônimo de cervejas sem graça, limitadas em aromas e sabores. Ora, pensar assim é de uma falta de conhecimento histórico, coerência e, porque não dizer, burrice extrema.

Veja bem: as cervejas populares, pilsens genéricas feitas por grandes corporações, são ricas – ou pobres, dependendo do ponto de vista – em adjuntos que só servem para diminuir os custos, diminuindo também a qualidade do produto. Sob a égide da Lei da Pureza, isso nunca aconteceria. Aí o revolucionário de apartamento diz que “na Alemanha é que se toma cerveja boa”. Adivinha porquê…

Mas também tem aqueles que consideram as cervejas alemãs “sem graça” e simplórias. Pobres incautos! Talvez não tenham tomado uma Schneider Weisse Tap X Mein Cuvée Barrique, weizenbock envelhecida em barris de Pinot Noir. Ou mesmo uma Weihenstephaner Vitus, considerada várias vezes a melhor cerveja do mundo e, nas palavras de um amigo, “uma das expressões da existência de Deus”. Complexidade não é jogar no tanque tudo que estiver à disposição, desde especiarias até o pano que limpa o chão da cervejaria. Complexidade é o resultado da alquimia entre os ingredientes, bem misturados pelo talento do cervejeiro. Esses ingredientes podem ser os mais variados possíveis, mas também podem ser apenas os quatro permitidos pela Lei da Pureza. O mercado está inundado de cervejas que comprovam isso.

Justiça seja feita. Várias cervejarias que se intitulam revolucionárias e inovadoras não são contrárias à Reinheitsgebot. A revolução, corretamente, é focada contra outros fatores, principalmente contra as empresas monopolistas do setor, e não contra os ingredientes da cerveja. Se analisarmos as cervejas carro-chefe do portfolio de cervejarias que se posicionam nesse sentido, como as brasileiras Seasons, Bodebrown e Way, e as gringas Stone e BrewDog, veremos que dá pra se fazer muita coisa boa com os quatro ingredientes permitidos pela Lei da Pureza. Ou você não considera a Green Cow, a Perigosa, a Way APA, a Arrogant Bastard Ale e a Punk IPA grandes cervejas? “Oh, que surpresa! Elas são feitas apenas com água, malte, lúpulo e fermento!”.

Então, meu pequeno revolucionário, antes de sair tirando onda com a Lei da Pureza, estude, se informe, beba mais cervejas bacanas e pense 10 vezes antes de falar bobagem. Não é a existência de uma lei restritiva – que só vale na Alemanha – que vai fazer com que a cerveja seja boa ou ruim, mas sim, o que se faz com os ingredientes. Talvez, se no Brasil tivéssemos uma lei dessas, você não teria passado a vida inteira tomando suco de milho e saberia o que é uma boa cerveja desde a tenra idade, e não só de uns quatro, cinco anos pra cá.

Como lidar com os mendigos de cerveja

Ontem, o seguinte tweet do Paulo Cavalcanti, da Bodebrown, me tirou do sério:

Não condeno a atitude do cervejeiro, pelo contrário. Esse tipo de proposta pornográfica está cada vez mais sendo difundida por alguns aventureiros que acham que ter um blog de cervejas ou qualquer veículo de divulgação do tipo é sinônimo de beber na faixa. Esses picaretas, mendigos de cerveja, é que fazem com que alguns empresários do setor cervejeiro considerem os blogueiros em geral uns aproveitadores.

Vamos ser francos: alguns até são mesmo assim. No entanto, hoje temos o BBC, um coletivo sério e atuante que reúne os blogueiros brasileiros de cerveja, auto-regulamentando a atividade e estabelecendo diretrizes éticas na relação entre quem escreve e quem produz. Esse compromisso firmado entre os signatários da Carta de Intenções dos Blogueiros de Cerveja é a garantia de que as pessoas sérias não compactuam com “parcerias” como essa que o Paulo Cavalcanti citou no Twitter.

Confesso que cada vez que leio algo do tipo, me dói por ver que a maioria dos meus colegas blogueiros são pessoas idôneas, mas por causa dessa meia dúzia de safados acabam por serem jogados, junto comigo, na mesma vala comum dos mendigos cervejeiros. Por causa deles, temos que conviver com o estigma de “jabazeiros”, pecha que na grande maioria das vezes é pra lá de injusta. Como eu sempre digo, as faturas do meu cartão de crédito estão aqui para mostrar o quanto eu normalmente gasto em cervejas.

Veja bem, não estou aqui sendo hipócrita de dizer que ganhar cervejas de graça é condenável, sob qualquer perspectiva. Isso faz parte do negócio e é plenamente aceitável quando a iniciativa PARTE DO EMPRESÁRIO. Em outras palavras, vale o que você aprendeu em casa com seus pais: feio é PEDIR presente, não GANHAR presente. Mesmo assim, cabe ressaltar que, depois de ganhar o mimo, um blogueiro sério tem o compromisso com os seus leitores de deixar clara a origem da cerveja em questão, para que quem leia a sua opinião saiba que ela pode, de alguma forma, ter sido influenciada pela relação estabelecida.

Esse desabafo termina com uma sugestão: vamos dar nomes aos bois. Se vocês, cervejeiros, receberem uma dessas propostas indecorosas, escancarem quem foi o proponente. Digam para que todos saibam quem é quem nesse cenário. Isso ajuda a separar o joio do trigo e, de quebra, faz justiça a quem trabalha seriamente, evitando generalizações. Não caiam na comodidade de, ao não dizer o nome do santo, acusar genericamente a todos. E, principalmente, tenham coragem de denunciar quem vê o mercado cervejeiro como uma forma de levar alguma vantagem espúria.

Veja como foi o Festival Brasileiro da Cerveja

Estive no último final de semana em Blumenau/SC cobrindo o Festival Brasileiro da Cerveja para o Have a Nice Beer. Veja como foi:

A Maior Festa Cervejeira do Brasil

Festivais de cerveja são tradicionais no mundo inteiro. Os mais conhecidos são o Great American Beer Festival, nos Estados Unidos, e o Great British Beer Festival, em Londres. Tais eventos reunem o que tem de melhor na produção cervejeira desses países. Mas agora, aqui no Brasil, também podemos dizer que temos um grande festival. O Festival Brasileiro da Cerveja, realizado na semana passada em Blumenau/SC, a cada ano fica maior e se consolida como a maior festa cervejeira do Brasil.

Na sua 5ª edição, o Festival recebeu 27.738 pessoas, um crescimento de 25% em relação à 2012. O superlativo continua nos outros números. Estavam disponíveis mais de 500 rótulos de cervejas diferentes, oferecidos ao público em mais de 80 estandes. Estados como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estavam representados no evento. Além disso, restaurantes ofereciam pratos especiais para a festa e a estrutura da Vila Germânica – palco da tradicional Oktoberfest – oferecia todo o conforto aos visitantes. O clima cervejeiro tomou conta da cidade inteira. Nos hotéis e restaurantes, era notável o apoio da comunidade, com programações, promoções e pratos em comemoração ao Festival.

O Festival comprovou também a evolução da produção das microcervejarias brasileiras. Com muita ousadia e criatividade, os cervejeiros surpreenderam com cervejas de altíssima qualidade e algumas bastante originais. Cerveja de abóbora, com avelã, cacau, pimenta, figos, gengibre, cana de açúcar, damasco, centeio, castanha do pará, café, umas com muito lúpulo, outras sem nada de lúpulo, algumas maturadas em barris de madeira, outras feitas com uvas, lembrando vinho… Não havia limite para os curiosos, a não ser a resistência alcoólica.

As cervejarias paranaenses foram as mais comentadas do evento. Situadas estrategicamente na entrada do pavilhão, os stands da Morada Cia. Etílica, da Way Beer e da Bodebrownfiguraram entre os mais visitados do Festival. Na Morada, os destaques eram os seis barris de madeira que continham versões de maturação de uma Wheat Wine e também os destilados feitos pelo cervejeiro André Junqueira, que justificavam o apelido de “alquimista” dado por alguns de seus colegas cervejeiros. Já na Way, o sucesso foi a Avelã Porter, novo lançamento da cervejaria. Mas ali também haviam outras ótimas cervejas ainda não lançadas, como a Stout Corte do Cervejeiro, que leva figos na receita, e a Wit Wine, com mosto de uvas chardonnay.

A Bodebrown – que ostentava o prêmio de Cervejaria do Ano conferido pelo I Concurso Nacional de Cervejas, realizado um pouco antes do Festival – fez muito sucesso com a sua Cacau IPA feita colaborativamente com o cervejeiro Greg Koch, da Stone Brewing (EUA), e com a Double Perigosa, uma versão ainda mais lupulada e alcoólica da já intensa Perigosa. A cervejaria também serviu suas iguarias numa Kombi estacionada em pleno pavilhão, devidamente equipada com torneiras na porta. Tamanha foi a procura pelas cervejas premiadas da Bodebrown que algumas cervejas já tinham acabado na sexta-feira, um dia antes do final do Festival. Sem dúvida, foi o grande sucesso do evento.

Além dos paranaenses, outras cervejarias também deram o que falar em Blumenau. A gaúcha Seasons impressionou com a Loverboy, uma deliciosa double witbier sem lúpulo, usando especiarias para conferir amargor à cerveja. A estreante Invicta, de Ribeirão Preto, foi assunto recorrente com as suas novas German Pilsener e Russian Imperial Stout. A carioca Mistura Clássica apresentou vários novos rótulos, com destaque para a ótima Amnésia IPA. A paulista Dama Bier mostrou que a contratação do cervejeiro Ilceu Dimer e do sommelier Paulo Feijão, ex-Bierland, já está dando resultado, comprovado pela belíssima ESB lançada no Festival. E a Colorado mostrou porque é uma das melhores cervejarias do Brasil, fazendo sucesso com as ótimas Berthô e Ithaca.

Mas nem só de cerveja viveu o Festival. Um dos stands mais visitados do evento foi o daGelataio, sorveteria de Curitiba que produziu diversas versões de sorvete com cervejas como a Wee Heavy (Bodebrown), Double Vienna (Morada), Bruxa (Bierland) e Amburana Lager (Way), entre várias outras. Era interessante ver os festeiros dividindo o copo de cerveja com o copinho do sorvete.

No entanto, o maior destaque do Festival Brasileiro da Cerveja não foi a estrutura, tampouco as cervejas, muito menos o sorvete. O melhor da festa foi ver o público cervejeiro mostrar que está ávido por novidades e, principalmente, está dando exemplo de comportamento. Diferente de outras festas em que o consumo exagerado é o personagem principal, no Festival não se viam pessoas embriagadas dando vexame ou brigando. O clima era alegre e não era raro ver famílias inteiras, inclusive com crianças, confraternizando por lá, num ambiente tranquilo e educado.

A próxima edição já está marcada: vai acontecer de 12 a 15 de março de 2014. Pode marcar na agenda, reservar passagem e hotel. O que não dá é pra perder essa grande festa!

[Post originalmente publicado no blog do Have a Nice Beer]

Os vencedores e alguns comentários sobre o I Concurso Brasileiro de Cervejas

O I Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado na abertura do Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau/SC, divulgou ontem seus resultados. Vinte jurados julgaram 215 cervejas nacionais, premiando 31 cervejarias com as medalhas de ouro, prata e bronze em 68 categorias.

Os jurados do I Concurso Brasileiro de Cervejas

Os grandes vencedores da noite foram a Wäls Pilsen, escolhida a Cerveja do Ano, por ter recebido a melhor nota entre todas as concorrentes, e a Bodebrown, que com seus 11 prêmios – 5 ouro, 2 prata e 4 bronze – foi considerada a Cervejaria do Ano.

Segue abaixo a lista completa dos vencedores:

American-Style Amber Lager Ouro Double Vienna Morada Cia Etílica
American-Style Amber Lager Bronze Capitão Senra Cervejaria Três Lobos Ltda
American-Style Amber/Red Ale Ouro Wallace Amber Cervejaria Seasons
American-Style Amber/Red Ale Prata Heilige Red Ale Cervejaria Heilige
American-Style Black Ale Ouro Black Rye Ipa Cervejaria Bodebrown Ltda
American-Style Black Ale Prata Hi-5 Black Ipa 2cabeças
American-Style Black Ale Bronze Invicta India Black Ale Cervejaria Invicta
American-Style India Pale Ale Ouro Green Cow Ipa Cervejaria Seasons
American-Style India Pale Ale Prata Double Apa Way Beer Ind. E Com. De Bebidas Ltda
American-Style India Pale Ale Bronze The Beers – Underground Rock Pale Ale Cervejaria Curitiba Ltda
American-Style Lager Or Light Lager Ouro Baden Baden Cristal Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Baden Baden
American-Style Lager Or Light Lager Prata Eisenbahn Pilsen Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
American-Style Lager Or Light Lager Bronze Bier Hoff Premium Cervejaria Cns Ltda
American-Style Pale Ale Ouro American Pale Ale Way Beer Ind. E Com. De Bebidas Ltda
American-Style Pale Ale Prata California Golden Ale Basement Cervejas Especiais
American-Style Premium Lager Or Specialty Lager Ouro Cerveja Província Premium Cervejaria Riograndense Ltda
American-Style Premium Lager Or Specialty Lager Prata Dama Bier Pilsen Cervejaria Bazzo Ltda
American-Style Premium Lager Or Specialty Lager Bronze Colorado Cauim Ici 01 Cervejaria Colorado
American-Style Stout Ouro Panhead Cervejaria Mistura Clássica
American-Style Stout Bronze Cirilo Coffee Stout Cervejaria Seasons
Baltic-Style Porter Prata Cream Porter Way Beer Ind. E Com. De Bebidas Ltda
Belgian-Style Blonde Ale Prata Cerveja Bierland Belgian Blonde Ale Cervejaria Bierland
Belgian-Style Dark Strong Ale Bronze Wäls Quadruppel Wäls Cervejas Especiais
Belgian-Style Dubbel Bronze Stolz – Belgium Dubbel Cruz De Malta Cervejas Especiais Ltda
Belgian-Style Pale Ale Bronze Eisenbahn Pale Ale Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
Belgian-Style Pale Strong Ale Bronze Eisenbahn Strong Golden Ale Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
Belgian-Style Tripel Ouro Wäls Trippel Wäls Cervejas Especiais
Belgian-Style Tripel Bronze Beatus Cervejaria Mistura Clássica
Belgian-Style Witbier Ouro Blanche De Curitiba Cervejaria Bodebrown Ltda
Belgian-Style Witbier Prata Wäls Witte Wäls Cervejas Especiais
Belgian-Style Witbier Bronze Bier Hoff Witbier Cervejaria Cns Ltda
Bohemian-Style Pilsener Ouro Wäls Pílsen Wäls Cervejas Especiais
Bohemian-Style Pilsener Prata Bier Hoff Pilsner Cervejaria Cns Ltda
Bohemian-Style Pilsener Bronze Bamberg Camila Camila Cervejaria Bamberg
British-Style Imperial Stout Prata Cerveja Bierland Imperial Stout Cervejaria Bierland
British-Style Imperial Stout Bronze Colorado Ithaca Cervejaria Colorado
Brown Porter Ouro Insana Chocolat Porter Cervejaria Insana Ltda
Brown Porter Prata Porter Opa Bier Cervejaria Joinville Ltda – Opa Bier
Brown Porter Bronze Heilige Porter Cervejaria Heilige
Chocolate Beer Ouro Cacau Ipa Cervejaria Bodebrown Ltda
Chocolate Beer Prata Backer Brown Cervejaria Três Lobos Ltda
Classic English-Style Pale Ale Prata Cerveja Bierland Pale Ale Cervejaria Bierland
Classic English-Style Pale Ale Bronze Pale Ale Opa Bier Cervejaria Joinville Ltda – Opa Bier
Classic Irish-Style Dry Stout Prata Baden Baden Stout Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Baden Baden
Dortmunder/Export Or German-Style Oktoberfest Bronze Zehn Bier Pilsen Extra Hezbier Cervejaria Ltda
English-Style India Pale Ale Ouro Pagan – India Pale Ale Cervejaria Curitiba Ltda
English-Style India Pale Ale Prata Colorado Indica Cervejaria Colorado
English-Style India Pale Ale Bronze De Bora Poderosa Ipa Cervejaria Bodebrown Ltda
English-Style Mild Ale Ouro Cara Preta Cervejaria Bodebrown Ltda
English-Style Mild Ale Prata Backer Pale-Ale Cervejaria Três Lobos Ltda
European-Style Dark/Münchner Dunkel Prata Bamberg Munchen Cervejaria Bamberg
European-Style Dark/Münchner Dunkel Bronze Dama Bier München Cervejaria Bazzo Ltda
Experimental Beer Ouro Cerveja Bierland Blumenau Cervejaria Bierland
Extra Special Bitter Prata Baden Baden 1999 Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Baden Baden
Field Beer Or Pumpkin Beer Bronze Bier Hoff Pumpkin Cervejaria Cns Ltda
Foreign-Style Stout Prata Dama Bier Stout Cervejaria Bazzo Ltda
French- & French- And Belgian-Style Saison Prata Eisenbahn Lust Prestige Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
French- & French- And Belgian-Style Saison Bronze Saison De Caipira Wäls Cervejas Especiais
Fruit Beer Ouro Amazon Forest Bacuri Amazon Beer
Fruit Beer Prata Falke Vivre Pour Vivre Micro Cervejaria Falke Bier Ltda
Fruit Beer Bronze Cerveja Do Amor Cervejaria Bodebrown Ltda
Fruit Wheat Beer Prata Göttlich Divina! Weiss Cervejaria Joinville Ltda – Opa Bier
Fruit Wheat Beer Bronze Amazon Witbier Taperebá Amazon Beer
German-Style Brown Ale/Düsseldorf-Style Altbier Prata Bamberg Altbier Cervejaria Bamberg
German-Style Kölsch/Köln-Style Kölsch Prata Morada Kölsch Morada Cia Etílica
German-Style Märzen Bronze Seasons/Heilige Oktoberfest Cervejaria Seasons
German-Style Pilsener Prata Invicta German Pilsner Cervejaria Invicta
German-Style Schwarzbier Ouro Falke Ouro Preto Micro Cervejaria Falke Bier Ltda
German-Style Schwarzbier Prata Bierbaum Dunkel Cervejaria Bierbaum Ltda
German-Style Schwarzbier Bronze Bamberg Schwarzbier Cervejaria Bamberg
Golden Or Blonde Ale Prata Cerveja Noi Avena Cervejaria Noi
Herb And Spice Beer Prata Exterminador De Trigo Cervejaria Três Lobos Ltda
Herb And Spice Beer Bronze Amazon Red Ale Priprioca Amazon Beer
Imperial India Pale Ale Ouro Perigosa Cervejaria Bodebrown Ltda
Imperial India Pale Ale Prata Invicta Imperial Ipa Cervejaria Invicta
Imperial India Pale Ale Bronze Amnésia Cervejaria Mistura Clássica
Imperial Red Ale Prata Baden Baden Red Ale Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Baden Baden
International-Style Lager Ouro Bohemia Imperial Companhia De Bebidas Das Américas – Ambev
International-Style Lager Prata Áustria Export Krug Bier Indústria Ltda
Irish-Style Red Ale Prata Cerveja Noi Rossa Cervejaria Noi
Irish-Style Red Ale Bronze Karavelle Red Ale Hell Cervejaria Independente Vera Cruz S.A.
Kellerbier/Zwickelbier Bronze Karavelle Keller Cervejaria Independente Vera Cruz S.A.
Münchner-Style Helles Bronze Bamberg Helles Cervejaria Bamberg
Non-Alcoholic (Beer) Ouro Cerveja Província Puro Malte Alcohol Free Cervejaria Riograndense Ltda
Old Ale Or Strong Ale Ouro Old Ale Opa Bier Cervejaria Joinville Ltda – Opa Bier
Other Strong Beer Bronze Tripel Hop Montfort Cervejaria Bodebrown Ltda
Pale American-Belgo-Style Ale Ouro Funhouse Belgian Blond Cervejaria Seasons
Robust Porter Prata The Beers – Chicago Blues Robust Smoked Porter Cervejaria Curitiba Ltda
Robust Porter Bronze De Bora Robust Porter Cervejaria Bodebrown Ltda
Scottish Heavy Ale Prata Wee Heavy Cervejaria Bodebrown Ltda
Smoke Beer Ouro Eisenbahn Rauchbier Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
Smoke Beer Prata Bamberg Rauchbier Cervejaria Bamberg
South German-Style Hefeweizen/Hefeweissbier Ouro Baden Baden Weiss Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Baden Baden
South German-Style Hefeweizen/Hefeweissbier Prata Insana Weizen Cervejaria Insana Ltda
South German-Style Hefeweizen/Hefeweissbier Bronze Cerveja Noi Bianca Cervejaria Noi
South German-Style Weizenbock/Weissbock Ouro Bierbaum Weizenbock Cervejaria Bierbaum Ltda
South German-Style Weizenbock/Weissbock Bronze Eisenbahn Weizenbock Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
Specialty Beer Ouro Wäls Brut Wäls Cervejas Especiais
Specialty Beer Prata Hop-Weiss Cervejaria Bodebrown Ltda
Specialty Beer Bronze Colorado Berthô Cervejaria Colorado
Specialty Honey Beer Bronze Colorado Appia Cervejaria Colorado
Sweet Stout Bronze Amazon Stout Açaí Amazon Beer
Traditional German-Style Bock Prata Cerveja Bierland Bock Cervejaria Bierland
Traditional German-Style Bock Bronze Baden Baden Bock Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Baden Baden
Vienna-Style Lager Ouro Bierbaum Vienna Cervejaria Bierbaum Ltda
Vienna-Style Lager Prata Eisenbahn 5 Anos Brasil Kirin Indústria De Bebidas S/A – Eisenbahn
Vienna-Style Lager Bronze Cerveja Bierland Vienna Cervejaria Bierland
Wood- And Barrel-Aged Beer Ouro Bravo Cervejaria Três Lobos Ltda
Wood- And Barrel-Aged Strong Beer Ouro Catarina Vintage Ale Basement Cervejas Especiais

O resultado do Concurso confirmou a qualidade de cervejas já consagradas pela crítica nacional, como a Double Vienna, da Morada Etílica, que levou o ouro na categoria Amber Lager; a Green Cow, da Cervejaria Seasons, ganhadora do ouro na categoria American IPA; a paranaense Way American Pale Ale, vencedora do ouro na categoria American-Style Pale Ale; e a Bodebrown Perigosa que conquistou o ouro na categoria Imperial IPA. Todas essas cervejas são praticamente unanimidades quando se fala nos respectivos estilos que elas representam.

O bom trabalho desenvolvido na Bierland nos últimos anos continua dando frutos. A ideia de recriar as cervejas feitas pelos imigrantes alemães que construiram Blumenau resultou no ouro na categoria Experimental Beer, mais um para a recente coleção dos catarinenses.

Como em qualquer Concurso do gênero, alguns resultados surpreendem. Por exemplo, a vencedora da categoria French & French And Belgian-Style Saison foi a Eisenbahn Lust Prestige, uma cerveja de estilo completamente diferente – e bem distinto de uma saison, diga-se de passagem. Já uma grata surpresa foram os prêmios da Cervejaria Província, de Santa Maria/RS, nas categorias Premium Lager e Non-Alchoholic. A Bierbaum voltou a surpreender como na South Beer Cup do ano passado, com sua recém-lançada Vienna desbancando cervejas consagradas do estilo, como a Eisenbahn 5 e a Bierland Vienna, na categoria Vienna-Style Lager.

Outras cervejarias novatas ou com pouca tradição em concursos também se destacaram em Blumenau. A Invicta mostrou que veio pra ficar no mercado nacional, com os prêmios nas categorias Imperial IPA, German Pilsner e American-Style Black Ale. Outra cervejaria que confirmou as boas impressões que tem causado no mercado é a Amazon Beer, que levou quatro prêmios, com destaque para o ouro recebido pela Forest Bacuri na categoria Fruit Beer, desbancando “medalhões” como a Vivre Pour Vivre (Falke) e Cerveja do Amor (Bodebrown).

Os proprietários da Wäls recebendo seus prêmios em Blumenau.

O prêmio de melhor cerveja do ano recebido pela Wäls Pilsen pode também ser considerado uma surpresa. Logicamente, não pela qualidade da cerveja, que há tempos é considerada uma ótima representante do estilo, mas por ficar a frente de cervejas estilisticamente mais complexas. Temos que levar em consideração que o prêmio é dado à cerveja com a melhor pontuação entre todas, mas não competindo com todas. Não desmerecendo o título conquistado pelos mineiros, acho interessante que essa ressalva seja feita para se ter uma ideia da real dimensão da conquista.

A impressão final é que o I Concurso Brasileiro estreou bem, com resultados satisfatórios. Algumas coisas devem ser melhoradas nas edições seguintes, como por exemplo, a postura de alguns jurados que, ingenuamente, publicaram fichas de avaliação em redes sociais durante o julgamento. Entretanto, sopesados os fatos, o saldo do Concurso foi bastante positivo, confirmando que a iniciativa foi muito válida e marcando definitivamente o evento no calendário brasileiro. Parabéns aos organizadores, jurados, competidores e vencedores!

Os formadores de opinião do mercado cervejeiro

Nada movimenta mais o cenário cervejeiro brasileiro no início de cada ano que a publicação da enquete dos melhores do ano anterior feita pelo Roberto Fonseca em seu blog. Tentando mostrar, nas palavras do próprio jornalista, um “termômetro do meio cervejeiro”, as respostas prolatadas por diversas personalidades do ramo geram elogios e, por óbvio, muitas críticas, externadas nas mídias sociais e nos comentários do referido blog. Muitos usam o termo “formadores de opinião” para se referir aos participantes da pesquisa. Mas afinal, o que são formadores de opinião quando se trata de cerveja?

Esse cara sabe mais que você. Será mesmo?

Primeiramente, vamos ao conceito do termo, dado por Washington Araujo, extraída do seu texto “O que é um formador de opinião”, publicado no Observatório da Imprensa:

“Mas o que é, exatamente, um formador de opinião? Pessoas que influenciam contingentes de pessoas, que levam as massas a concordar com uma dada opinião ou a consumir determinado produto, assistir determinado espetáculo, ler determinada revista ou jornal.”

No caso do mercado cervejeiro, levando-se em consideração o tamanho mínimo que as cervejas especiais possuem no contexto geral, eu trocaria o termo “massas” acima, pela expressão “um determinado nicho de mercado”.

Feita essa ressalva, refaço a pergunta: o que é um formador de opinião no mercado de cervejas? A resposta: espero que nada.

Estamos engatinhando na construção de um cenário cervejeiro de respeito no Brasil. Ainda não temos – e talvez nunca tenhamos – a tradição das grandes escolas cervejeiras, nem a força do mercado das craft beers americanas. Por isso, e principalmente por isso, a opinião sobre qualquer coisa no nosso meio deve feita em conjunto, horizontalmente, construída a partir de uma massa crítica cujo bolo cresce todo dia. Só com isso chegaremos a uma identidade própria, fortalecida na união de todos em torno de um objetivo comum.

De alguns anos para cá, muita gente começou a experimentar cervejas diferentes e a internet possibilitou que a opinião de cada um não ficasse restrita a meia duzia de pessoas. Isso tem seus prós e contras, como tudo na vida, mas o saldo é positivo, já que cada um de nós tem mais subsídios para formar a PRÓPRIA OPINIÃO, não apenas replicando e baixando a cabeça para alguns que se julgam superiores, mas processando as informações que chegam de todos os lados para fundamentar a sua opinião pessoal.

Mais uma citação de Araujo para continuar nosso pensamento:

“É também um conceito que a atual teoria da comunicação rejeita por não aceitar que um indivíduo tenha poder de formar a opinião da massa. Formador é exagero. O que temos, e muito, são pessoas que influenciam a opinião de outros. Quando se descarta o conceito de “massa manipulável” percebe-se que a população é heterogênea e interpreta as mensagens segundo seus códigos. Nesta perspectiva, o conceito de “formador de opinião” passa a ser tão efetivo quanto dar um susto para que uma pessoa se livre do repetitivo (e irritante) soluço. Alguns estudiosos afirmam que formador de opinião é quem consegue se destacar na atividade que exerce. Pessoa com grande grau de reconhecimento (de forma positiva) do público.”

Em outras palavras, não existem formadores de opinião. O que existem são (cada vez mais) pessoas que expressam a sua opinião pessoal, o que faz com que alguns compartilhem dela ou não, em vários graus. O que não dá pra aceitar, de jeito nenhum, são pessoas que acham que a sua opinião vale mais do que a de alguém e se posicionam num pedestal acima do bem e do mal. Volto a dizer: o pensamento deve ser formado horizontalmente, e não verticalmente, empurrado a fórceps na cabeça do destinatário. Desconfie de quem tenta fazer isso.

Na porrada, não rola...

Ora, em se tratando de cervejas, o gosto pessoal está acima de tudo, e se você gostou ou não de uma determinada cerveja, tenha coragem de ser contrário à unanimidade quando for o caso. Não se acanhe em defender o que você pensa. Ninguém tem o direito de fazer você mudar a sua cabeça. Faça um favor a você mesmo e ao mercado cervejeiro: se informe, leia, estude, conheça cada vez mais e retorne tudo isso enriquecido com a sua experiência pessoal. Não seja apenas um repetidor de opiniões alheias e respeite as opiniões contrárias às suas.

E se você não concorda com nada do que eu disse aqui, se você acha que eu me julgo um formador de opinião por falar tudo isso, por favor, não deixe de comentar. Quem sabe você não muda a minha opinião…

A dieta do bebum – ou como perder 18kg sem parar com a cerveja

Você já ouviu falar em Lüc Carl? Saca a biografia do cara: dono de bar, promoter, baterista, DJ, bartender e ex-namorado da Lady Gaga. Ele se descreve como sendo um cara com “longos cabelos negros, que tem um Cadillac e é um sonho de adolescente”.

Mas o que interessa para nós do Bebendo Bem não é o ego gigantesco da figura, nem o seu currículo amoroso, mas o seu livro The Drunk Diet: How I Lost 40 Pounds… Wasted, algo como “A Dieta do Bêbado: Como eu Perdi 18kg… bebaço”. Como um bom bebedor de cerveja, esse título te chamou a atenção, né? Afinal de contas, um dos maiores pesadelos para os cervejeiros que estão acima do peso – 99,9% deles, segundo estudos :D – é abdicar da adorada cervejinha em nome da saúde.

No livro, Carl mostra que nem toda a dieta tem que ser um tormento se os prazeres forem compensados com um pouco de sacrifício. Cheio de bom humor e fugindo do lugar comum dos especialistas que execram o consumo de álcool em qualquer dieta, o cara envereda pelo lado do conhecimento do funcionamento do próprio corpo, trocando o consumo de porcarias industrializadas por uma alimentação mais natural e um programa rígido de exercícios, sem abrir mão da vida social e, consequentemente, daquela cervejinha amiga.

Carl resolveu escrever o livro depois de uma manhã em que acordou cansado de ser gordinho e se meteu a correr. Depois de sofrer pra percorrer uma milha e meia, fuçou uns 15 livros de dieta e não encontrou nenhum que se encaixasse no seu estilo vida loca. Hoje, depois de seguir o próprio programa que desenvolveu, o músico costuma correr de 50 a 75 quilômetros por semana, faz uma infinidade de flexões, pratica spinning e yoga e segue a risca uma dieta que inclui clara de ovo, farinha de aveia, nozes e saladas.

Nas palavras do MESTRE: “Ficar em forma é divertido! Sair na noite é ainda mais divertido quando suas roupas vestem melhor e você está orgulhoso da forma que os outros te olham. The Drunk Diet… é sobre acreditar em si mesmo e nunca deixar ninguém dizer que você não pode fazer algo. A parte difícil é perceber que, ao longo de toda sua vida, foi você mesmo que disse que não conseguia fazer algo”.

O livro ainda não foi lançado no Brasil. ALÔ, EDITORAS!!!

[com informações do Vírgula e do Every Day Health]

Importa quem fabrica a cerveja ou “show me the beer”?

Os cervejeiros da Grimor, sempre muito ligados no que acontece no cenário cervejeiro aqui e lá fora, chamaram a atenção no Twitter sobre a pesquisa proposta pelo fundador da Brewers Association e da American Homebrewers Association, Charlie Papazian. Ele pergunta, em sua coluna do Examiner, se importa saber quem fabrica a cerveja que você bebe.

Charlie Papazian

A iniciativa é, sem dúvida, uma resposta do movimento craft beer ao avanço de grandes cervejarias no mercado das artesanais nos EUA. Empresas como a SABMiller e a gigante Anheuser-Busch InBev tem voltado seus olhos para esse nicho de mercado, tentando atingir o novo público de cervejas que hoje responde por aproximadamente 10% do mercado total. Papazian, como grande porta-voz do movimento, levanta a bandeira do pequeno produtor oprimido pelo poderio econômico das grandes empresas do setor. No texto que introduz a pesquisa, ele lista vários argumentos em apoio à causa dos pequenos, tomando uma posição mais que esperada, de acordo com a sua atuação em 30 anos de batalha em favor das cervejas artesanais.

Os resultados da pesquisa até esse momento atestam que o público americano se preocupa com quem fabrica a sua bebida, mas que está aberto também a novos produtos além dos feitos pelas cervejarias locais – esvaziando um pouco o surrado lema usado pelos entusiastas das craft beers como Papazian, “support your local brewery”. Contudo, para os americanos, as grandes cervejarias são o diabo. Apenas 5% dizem que não se importam em tomar cervejas fabricadas pelas grandes.

Vamos analisar um pouco mais profundamente tudo isso?

Assim como a pesquisa que fizemos em agosto aqui no Bebendo Bem, temos que avaliar os resultados levando em consideração o público participante. A cultura que envolve o movimento craft beer tem como característica um consumidor mais engajado, que consome e apoia, além das cervejas, todo o discurso do “pequeno x grande” usado como ferramenta de marketing pelas pequenas cervejarias. Esse marketing é reforçado por Papazian na sua coluna, ao dizer que as macrocervejarias irão tomar conta dos distribuidores e tirar o espaço dos pequenos nas prateleiras e nos distribuidores. O discurso do medo é a tônica do texto e é frequentemente alardeado pelas microcervejarias a fim de angariar a simpatia – ou a pena? – dos consumidores.

Tudo isso me leva a também perguntar: quem faz a cerveja importa ou não para você? A minha resposta usa o bordão criado pelo amigo e cervejeiro caseiro Alessandro Ren e que vem se popularizando cada vez mais: “show me the beer”. Ou seja, se a cerveja é boa, não importa quem a faça. Dizer que a cerveja é feita pelo cervejeiro Fulano ou Beltrano, ou que a cervejaria Sicrana é pequena e, por isso, tem mais preocupação com a qualidade do seu produto é apenas marketing. Nada contra isso, pelo contrário! Como qualquer empresa, a preocupação com a divulgação é sempre bem-vinda. Mas em relação à qualidade, dizer que a “sua cerveja é feita pelo cervejeiro” é a mesma coisa que dizer “a boa”, ou “cervejão”. Meras palavras pensadas para valorizar o seu produto.

O mercado de cervejas é extremamente competitivo, dominado por grandes e poucas cervejarias há muito tempo estabelecidas. As novas empresas que foram criadas nos últimos anos deveriam saber onde estavam se metendo. Então não adianta agora pagar de coitadinho e chorar as pitangas dizendo que as macrocervejarias vão acabar com os pequenos produtores. Não vão. O que vai certamente acontecer com a entrada das grandes no mercado de especiais é uma peneira na concorrência, onde restarão as cervejarias com bons produtos e com uma visão negocial competente, preparadas para suportar as pressões das macrocervejarias. E isso, não é ruim, pelo contrário! Ganha o consumidor e ganha quem sobreviver com a quebra dos concorrentes incompetentes.

E para você, importa quem faça a sua cerveja preferida?

P.S. Recomendo a leitura complementar do texto do Modern Day Merrick, Dear Craft Beer, I Stopped Giving a Shit. Love, Me. (a versão traduzida está aqui). Não poderia representar melhor o que venho sentindo nos últimos tempos sobre o assunto.

Empresas fortalecem sua marca lançando cervejas personalizadas

Antigamente, as empresas adoravam fazer um brindezinho para mimar os clientes. Eram canetas, bloquinhos, chaveiros e até caixas de fósforo personalizadas. Com o tempo, os brindes foram melhorando, mas a originalidade era sempre um desafio. Bem ou mal, um produto de marca própria sempre gera valor à empresa, e se o produto tiver qualidade e uma característica exclusiva, esse valor é ainda maior.

Aproveitando a esteira do sucesso das cervejas especiais nos últimos anos e seguindo exemplos como o da Ikea, algumas empresas tem visto com bons olhos a ideia de fazer uma cerveja personalizada, estampada com a sua marca. Em parceria com pequenas cervejarias ou mesmo com produção própria, os produtos são concebidos tendo uma atenção toda especial na apresentação e na qualidade, o que agrega valor à marca da empresa. Vejamos alguns exemplos bem legais desse tipo de ação.

IndHED Craft Beer

A Indústria HED, agência de design e branding de Porto Alegre, teve a ideia de produzir uma cerveja com a sua marca nos happy hours que acontecem toda sexta-feira depois do expediente. Entre uma cerveja e outra, os sócios pensaram: “por que não produzir uma cerveja que seja nossa”? Com a comemoração dos dois anos de empresa, o que era apenas uma ideia se tornou realidade.

Em parceria com a Cervejaria Baldhead, de Porto Alegre, foi produzida a IndHED Craft Beer, uma kölsch tradicional, inspirada no estilo originário da região de Colônia, na Alemanha. Apesar da cervejaria possuir uma cerveja do mesmo estilo em seu portfolio, a receita da IndHED foi levemente modificada para torná-la ainda mais exclusiva.

O forte, porém, da IndHED Craft Beer é a sua apresentação. Distribuída para clientes e amigos em belos kits que contém porta-copos e adesivos – além da cerveja, é claro – toda a expertise da Indústria HED no que se refere ao design salta aos olhos. Além disso, o seu lançamento foi precedido de teasers bem legais veiculados na fanpage da empresa.

De acordo com a Indústria HED, “o conceito da cerveja segue a proposta da agência em oferecer aos seus clientes e amigos uma cerveja diferenciada, high end em todos os sentidos, desde a qualidade do produto até sua preocupação com o branding”.

Quem quiser provar a IndHED Craft Beer e não for cliente nem amigo da empresa, pode participar do sorteio que está sendo realizado no Facebook. A princípio, as cervejas não serão comercializadas, mas é bom ficar ligado que novidades podem surgir no futuro ;)

It’s Beer

A ideia da empresa paulista It’s Digital, especializada em consultoria de mídias sociais, de fazer a sua própria cerveja partiu do gosto pessoal do proprietário Lucas Couto pela cerveja de qualidade. A visão da empresa de que as mídias sociais são um grande papo de bar – em que ser autêntico e saber ouvir e falar são consideradas boas práticas – casou com a característica fundamental da cerveja, conhecida por ser um lubrificante social.

Depois de perceber que nenhuma agência tinha feito a sua própria cerveja até então, Lucas fez um curso de produção de cerveja no começo de 2012 e, alguns meses depois, a primeira leva da It’s Beer já estava nas garrafas.

De lá pra cá, foram 6 levas de 20 litros cada uma, todas elas feitas no processo mais artesanal que existe, feita em casa na panela. Cada leva tem um estilo – Pale Ale, IPA, Scottish Ale, Dunkelweizen e Golden Ale – e outros estão na fila para serem produzidos, como o clone da White House Honey Ale, seguindo a receita da cerveja feita na Casa Branca.

Como a produção é caseira, a cerveja não é vendida. No entanto, conforme a It’s Digital, se você for cliente, parceiro ou amigo da empresa, pode ganhar um exemplar. Outra maneira é convidá-los para tomar uma cerveja :D .

Have a Nice Saison

O Have a Nice Beer, clube de cervejas que com pouco mais de um ano de funcionamento já é considerado um case de sucesso do mercado cervejeiro, tem se notabilizado por trazer aos seus associados cervejas exclusivas ou distribuídas em primeira mão. No entanto, o conceito de exclusividade tem se expandido desde outubro, quando do lançamento de uma edição especial da Hi5 Black IPA, da cervejaria carioca 2Cabeças, em comemoração da marca de 5000 associados.

Foi o primeiro projeto de produção de uma cerveja com a marca do clube, mas como se tratava de uma cerveja anteriormente lançada, ainda não tinha toda a exclusividade que tem a Have a Nice Saison, uma cerveja comemorativa de Natal vendida apenas para os associados.

A Have a Nice Saison foi produzida em parceria com as cervejarias Mistura Clássica e 2Cabeças e carrega em seu conceito a tradição européia de produção de cervejas natalinas adaptada para o Brasil. Por isso, a escolha pelo estilo Farmhouse Ale, que é conhecido pela refrescância e leveza. A apresentação em garrafas rolhadas de 750ml dá um toque ainda mais especial ao produto, com o lindo rótulo criado por Jacqueline Lemos, diretora de arte da revista que acompanha os kits mensais entregues aos associados.


Três ótimos exemplos de como a cerveja pode agregar valor a sua marca. Se você é empresario e quer dar um upgrade na imagem da sua empresa, fale com a cervejaria mais próxima e lance o seu produto exclusivo. Tenho certeza que o retorno é garantido.

MAPA abre consulta pública para regulamentar produção de cerveja artesanal e caseira

Ainda na esteira do assunto do post anterior, o Marcos Estellita, Diretor Comercial da Cervejaria Colorado, gentilmente me enviou a minuta da Consulta Pública aberta pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, para definir os requisitos e procedimentos administrativos para o registro de estabelecimento e produto, incluindo no texto, a produção de cerveja artesanal e caseira.

A consulta pública é uma ferramenta de participação popular de iniciativa dos órgãos governamentais que tem o objetivo de, como o próprio nome diz, ouvir o que os setores da sociedade envolvidos com o assunto tem a dizer sobre uma futura regulamentação de alguma questão polêmica. 

No caso em questão, a Portaria SDA/MAPA 142/2012, do dia 7 de novembro, institui a consulta pública referida acima, a fim de saber o que os envolvidos tem a dizer sobre os novos procedimentos de registro de estabelecimento e produto. Falando especificamente sobre a cerveja, a minuta estabelece, no seu artigo 11, inciso III, um limite de 30 mil litros de produção anual máxima para as cervejarias se enquadrarem na classificação de estabelecimento artesanal ou caseiro localizado em área urbana. Mas o que significa isso, na prática?

Para as cervejarias artesanais, significa muito pouco. A grande maioria produz bem mais que 2500 litros por mês – algumas até ultrapassam o limite estipulado pela minuta em apenas um mês de produção. O restante da minuta especifica apenas procedimentos burocráticos de registro, que não diferem muito do que já existe.

Já para os cervejeiros caseiros, a especificação de limite de produção para a cerveja pode parecer um começo de resolução da discussão sobre a venda de cerveja caseira, mas na verdade não ataca o cerne da questão, que é a regularização das cervejarias. A minuta é bem clara quando diz no seu artigo 4º, que o estabelecimento deve ser registrado no MAPA com toda a documentação exigida no seu Anexo I (PDF), qual seja, CNPJ, Inscrição Estadual, contrato social, alvará de funcionamento, autorização ambiental, documento expedido pelo conselho de classe do responsável técnico, projeto e manual de boas práticas e laudo de análise físico-químico e microbiológico da água a ser utilizada no estabelecimento.

Se o texto da minuta for aprovado dessa maneira, fica definido que, para estar dentro da legalidade e poder vender a sua cerveja sem conflito com o MAPA, o produtor caseiro deve se submeter a todas essas exigências. Mesmo para uma produção caseira, será necessário ter uma empresa devidamente estabelecida, com os ônus e os bônus de qualquer negócio. Em poucas palavras: para vender cerveja, seja caseira, artesanal ou industrial, só se for com empresa devidamente registrada.

A conclusão é, portanto, que a minuta apresentada pelo MAPA não muda nada em relação à realidade existente hoje. Ela apenas delimita a quantidade da produção para fins de denominação, mas não altera o fato de que para vender cerveja, a empresa deve estar devidamente regularizada no MAPA de acordo com as exigências. Aprovada dessa forma, ela bota uma pá de cal em qualquer divergência interpretativa a respeito da questão, definindo que mesmo os produtores caseiros precisam de registro para vender seus produtos.

Como é uma consulta pública, ainda há tempo de aperfeiçoar o texto ou até mesmo alterá-lo completamente. Para isso, as respostas e sugestões tecnicamente fundamentadas deverão ser encaminhadas para os endereços eletrônicos: dbeb@agricultura.gov.br ou dvd@agricultura.gov.br ou, por escrito, para o seguinte endereço: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal – DIPOV – Coordenação Geral de Vinhos e Bebidas – CGVB – Esplanada dos Ministérios – Bloco D – Anexo B – Sala 333 – CEP 70.043-900 – Fax 55 (61) 3224 8961

Agora é a hora de mobilizar os envolvidos e mostrar para onde se quer ir. O MAPA está abrindo espaço para que os interessados se manifestem, numa atitude democrática e participativa. Apenas ficar na frente das panelas e reclamar na internet não é mais suficiente.

A saber: a consulta pública vai até o dia 5 de janeiro de 2013.

Festival Brasileiro da Cerveja: a encruzilhada dos cervejeiros caseiros

Foto: Marcelo Martins - Festival Brasileiro da Cerveja

A notícia de que os cervejeiros caseiros não poderão vender suas cervejas no próximo Festival Brasileiro da Cerveja gerou muita discussão nas redes sociais. De acordo com o post do Blog Do Pancho, não ficou bem claro de quem foi a decisão, se foi uma determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou apenas uma precaução da organização do Festival, receosa com uma possível ação do MAPA no evento. Entretanto, o fato é que a presença dos homebrewers no já tradicional festival está ameaçada.

Não se discute a importância do cervejeiro caseiro para o Festival e para toda a cultura cervejeira no Brasil. Eram eles que davam um charme especial ao evento, com sua ousadia e suas cervejas peculiares e inventivas. São os homebrewers que puxam a frente da criatividade cervejeira no Brasil sendo, não raras vezes, os primeiros a fazer alguns estilos nunca antes produzidos por aqui e também os inventores de algumas misturas inusitadas, coisas que dificilmente podem ser feitas por cervejarias que tem o compromisso empresarial com o risco do negócio.

No entanto, é fato que existe um impeditivo legal e ideológico quanto à venda de cerveja caseira no nosso país. A lei não é clara, mas a interpretação dada pelos órgãos de fiscalização é de que essa venda é proibida. Na mesma linha é o discurso das Acervas, que não estimulam a venda das cervejas de seus associados.

Porém, na prática, muita cerveja caseira é vendida por aqui. Não é difícil encontrar bares que as servem, nem lojas que as vendem, mesmo com todas as barreiras legais que existem. O que falta, tanto para os caseiros, quanto para os órgãos governamentais, é encarar essa realidade de frente e fazer alguma coisa para deixar a coisa dentro dos conformes, como deve ser.

O problema é a postura antagônica – e incoerente, em muitos casos – de alguns que preferem colocar a culpa no Governo pela falta de sensibilidade, quando não se organizam decentemente para reparar o status quo. Ora, se você faz cerveja em casa e quer vendê-la, mesmo que seja apenas para “pagar o custo” do seu hobby, você está fazendo algo que é considerado ilegal, simples assim. Não quer ser punido por isso? Mobilize-se e tente mudar a situação.

O que não pode é bater no peito dizendo que faz cerveja em casa apenas por prazer e ficar furioso quando a venda dessa cerveja é proibida. No texto do post já existe uma solução para o caso do Festival de Blumenau: “Uma possibilidade é permitir que os caseiros ofereçam a bebida apenas para degustação”. Não seria perfeito, já que trata-se de um hobby e não de uma atividade empresarial? Não seria condizente com a cultura cervejeira a simples demonstração das cervejas, sem o objetivo financeiro? Tem que se ter coerência, minha gente!

Por outro lado, se algum cervejeiro caseiro ainda acha que deve receber pela venda do fruto do seu hobby, então que trate de fazer a coisa da maneira certa. Regularize-se, obtenha os alvarás necessários, submeta-se às fiscalizações regulares, recolha os impostos devidos. Ou faça como a Acerva Mineira, que escolheu ter uma postura agregadora e trabalhou conjuntamente com o MAPA/MG para a criação de uma Lei que possibilita que o cervejeiro caseiro venda a sua cerveja.

O que não dá é para acender uma vela pro santo da cultura-homebrewer-sem-fins-lucrativos e outra para o santo do capitalismo-sonegador-que-visa-o-lucro-sem-contrapartida. É querer ser como a China que escolhe ser comunista ou capitalista, dependendo da conveniência. Qualquer coisa além disso é gritaria incoerente.

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