Uma análise do resultado da World Beer Cup 2012

Na noite do último sábado, foram divulgados os vencedores da World Beer Cup 2012. A nona edição da chamada “Copa do Mundo das Cervejas”, evento bianual realizado em San Diego, contou com a presença de 57 países, que enviaram 3.921 amostras. O país com o maior número de medalhas foi os Estados Unidos, com 212 prêmios, representando 74,7% do total. O fato, ao mesmo tempo que demonstra o qualidade crescente das cervejas americanas, comprova o localismo da competição, apesar do corpo de jurados ter 2/3 de estrangeiros.

Alguns resultados foram surpreendentes. O Haiti, por exemplo, ganhou medalha de ouro na categoria American-Style Cream Ale or Lager, com a cerveja Prestige. Outros países como Malta, Islândia e Bolívia também ganharam medalhas, demonstrando que a tradição cervejeira de um determinado país pouco importa num teste cego. Afinal de contas, com o crescente acesso à tecnologia e a insumos de qualidade, qualquer um pode fazer uma cerveja digna de prêmio.

A análise dos vencedores é uma boa lista de sugestões para as importadoras. Dos 284 vencedores, apenas 14 estão disponíveis nas prateleiras brasileiras. Dessas, os destaques vão para as Leffe Brune e Leffe Blond, vencedoras nas categorias Belgian-Style Dubbel e Belgian-Style Blonde Ale or Pale Ale, respectivamente. Para os amantes das cervejas de trigo, as vencedoras da prata (Baltika Nº 8 Wheat) e bronze (Edelweiss) na categoria South German-Style Hefeweizen/Hefeweissbier, bem como a Hoegaarden, prata na categoria Belgian-Style Witbier, podem ser encontradas até nas gôndolas de alguns supermercados no Brasil. Outras medalhistas que podem ser facilmente encontradas à venda no país são a Quilmes Cristal (ouro em Australasian, Latin American or Tropical-Style Light), Birra Moretti (bronze em International-Style Lager), Weltenburger Kloster Barock Dunkel (ouro em European-Style Dark/Münchner Dunkel), Schneider Weisse Original (prata em German-Style Dark Wheat Ale), Westmalle Tripel (ouro em Belgian-Style Tripel), Piraat (ouro em Belgian-Style Pale Strong Ale), Gauloise Amber (prata em Other Belgian-Style Ale) e Brooklyn Black Chocolate Stout (bronze em British-Style Imperial Stout).

Charles Papazian e a turma da Karl Strauss recebendo seu prêmio. Foto: Ryan Lamb. Fonte: West Coaster

O Brasil teve um desempenho ruim na competição. As 45 amostras enviadas pelas cervejarias Amazon Beer, AmBev, Backer, Bamberg, Bierland, Bodebrown, Boteco Colarinho/Confraria do Marquês, Cervejaria Premium, Colorado e Schincariol voltaram pra casa pela segunda edição consecutiva sem nenhuma medalha para o país. O último prêmio recebida pelo Brasil na competição foi o bronze da Eisenbahn Dunkel, em 2008 (fonte: Blog do Bob). A fraca participação brasileira não pode ser considerada terra arrasada – já que temos grandes cervejas que até nem participaram da competição – mas deve servir para que as cervejarias brasileiras aprimorem ainda mais seus produtos e processos, já que o reconhecimento de um prêmio desse tipo ajuda a consolidar a qualidade e o crescimento de um mercado cervejeiro emergente como o do Brasil.

Confira a lista completa dos vencedores aqui.

[com informações da Brewers Association]
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