Delirium Tremens

Uma cerveja que é um charme só. Sua criativa garrafa é inspirada nos sintomas do transtorno mental que a nomeia. Segundo a Wikipedia, delirium tremens “é uma psicose causada pela abstinência ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos frequentemente associada ao alcoolismo”, em que o paciente tem “alucinações táteis e visuais em que ‘vê’ insetos ou animais asquerosos próximos ou pelo seu corpo”. Isso explica os animaizinhos psicodélicos do rótulo, com destaque para o elefantinho rosa, marca registrada dessa cerveja. Além disso, é a estrela do Delirium Cafe, tradicional bar de Bruxelas que já teve a maior carta de cervejas do mundo, com mais de 2000 rótulos. Falando especificamente da cerveja, então… Seu líquido é dourado e translúcido, bastante borbulhante, e seu creme é espumoso, com grandes bolhas, de excelente tamanho e formação, mas de curta duração. O aroma é perceptível no já primeiro chiado do abrir da garrafa. Toda aquela complexidade das cervejas belgas aparece em notas de banana, laranja, abacaxi, frutas cítricas e especiarias, entremeadas pelo gostoso maltado de cereais e pelo aroma floral do lúpulo. O sabor é extremamente frutado e cítrico, com todos os aspectos acima aparecendo mais intensamente, acrescidos do álcool que esquenta levemente a boca e dá uma certa picância à breja. Sua carbonatação é vivida, com um corpo leve e uma textura tão leve quanto, e seu final é adstringente e seco, de altíssima duração.
Cerveja equilibradíssima, refrescante e complexa. Vale todo o folclore e um pouco mais. Se fosse um pouco mais encorpada, seria perfeita. Nota 8,2/10.



