Carta aberta ao jogador Douglas, do Grêmio
Escrevo essa carta como gremista e cervejeiro.
Apesar de ter sentido bastante raiva de você nos últimos tempos, sua atuação na partida contra o Goiás, pelo Brasileirão, me fez lembrar que você ainda é aquele jogador diferenciado dos tempos de Corinthians. Um craque, se é que isso ainda existe. Técnica acima da média, inteligência e participação. Tudo que se espera de um jogador da sua posição.
No entanto, todas essas habilidades estavam escondidas não sei bem aonde. Dizem por aí que era pelo seu comportamento extra-campo.
Quanto a isso, você mesmo se manifestou e disse que, de vez em quando, tomava uma cervejinha em casa, bem tranquilo. Isso não é novidade para ninguém. Desde os tempos de Corinthians a gente sabe que você curte umas brejas. Ninguém tem nada que ver com o que você faz durante sua folga, eu sei. Mas mesmo assim, me sinto no direito e no dever de comentar o assunto.
Acredito que uma cervejinha em casa, para relaxar da rotina estafante de treinos, viagens e entrevistas, é perfeitamente normal e aceitável. Por você se tratar de um atleta, é até recomendável, desde que com moderação.
Imagino que essa cervejinha que você toma deva ser uma daquelas comerciais, fáceis de achar nas prateleiras dos supermercados, feitas de milho em vez de cevada, sem gosto e sem aroma, não é mesmo? Tão insípidas que, na busca da satisfação, é comum ocorrer o exagero e beber além da cota permitida. Não tem problema. Não se envergonhe por isso. Noventa por cento dos brasileiros caiu no conto histórico de chamar essa água suja de cerveja. Colegas seus, inclusive, ajudaram a enganar o povo com essa mentira deslavada. Mas sempre é tempo de, como alguns, evoluir.
O nosso lema, o lema de quem descobriu que existe vida melhor além da Brahma, é “drink less, drink better” (traduzindo, “beba menos, beba melhor”). Pensamos assim porque sabemos que, quando estamos diante de uma cerveja de verdade, com personalidade, a explosão de aromas e sabores é tão grande que uma garrafa é mais que suficiente para aplacar nossa sede.
Por isso, Douglas, te escrevo essa carta para sugerir que você aproveite que está morando no Rio Grande do Sul – um Estado com grande tradição cervejeira – e deixe essa cervejinha insossa e vagabunda de lado. Aprecie um belo exemplar de uma cerveja artesanal gaúcha. Temos uma penca de estilos disponíveis no mercado. Experimente tomar, por exemplo, uma Abadessa Slava no final de tarde. Ou uma La Brunette nas noites frias que fazem aqui nos pampas. Te garanto que não será necessário beber mais que uma garrafa para se satisfazer. Com isso você mantém a forma, não compromete seu rendimento atlético e fica mais relaxado (mas não ao ponto de pagar vale no YouTube dançando funk seminu).
Como torcedor do Grêmio e cervejeiro, espero de coração que você siga esse conselho. Mas cuidado! Apesar de ser uma ótima cerveja, fique longe da Anner Libertadora. Afinal, como jogador do Grêmio, é de bom tom ficar distante de tudo que lembre o time da beira do rio.
Atenciosamente.





Muito bom… RT na certa