Começando…

A vida inteira eu conheci gente que entendia de whisky, de vinho e até de cachaça. Nenhuma delas era a minha bebida predileta. Sempre tive uma queda – ou um tombo – por cerveja. Desde sempre disse que, se fosse pra ter uma bebida fetiche, seria o “pão líquido”. A primeira bebida alcoólica que provei e a que mais consumi, visto minha adolescência passada no interior, onde se bebe muita cerveja.
Minha educação cervejeira foi igual à de 99,9% das pessoas. Muita Skol, Brahma, Antarctica e outras cervejas industriais consumidas aos litros por todos. Até pouco tempo atrás, era isso que eu conhecia de cerveja. Mas algo me dizia que existia um outro mundo além desse. Tive a certeza disso quando provei, lá pelo início dos anos 90, uma cerveja italiana, a Moretti La Rossa. Acostumado com as cervejas aguadas e refrescantes que conhecia, essa latinha preta foi inesquescível. Encorpada, amarga e de alto teor alcoólico, a La Rossa encheu minha boca durante anos quando eu quis dizer que entendia de cerveja (“Skol? Muito fraca. Boa mesmo é a La Rossa italiana”).
Os anos passaram e a vontade de provar novos sabores continuou. Porém, por falta de oportunidade ou, porque não dizer, grana, deixei essa vontade de lado. Pra não dizer que não tomava uma cerveja melhor, de vez em quando, na noite, tomava uma Coruja ou uma Bohemia Confraria pra tirar a catiça das comerciais. Até que um dia ganhei de presente uma sacolinha com três cervejas desconhecidas por mim: Eisenbahn Pale Ale, Leffe Blond e Hoegaarden. No momento em que tomei o primeiro gole da Eisenbahn, vi que estava entrando em um caminho sem volta. Senti aquele gosto que me remeteu à primeira vez que tomei uma cerveja na vida. Enfim, era uma cerveja com gosto de CERVEJA! Daí pra frente, foram algumas semanas de muitas leituras sobre a bebida e procura de novos rótulos dos mais variados estilos.
Sei que ainda sou um completo iniciante, mas já me acho suficientemente apto a falar uma ou outra coisa interessante sobre minha nova paixão. E é disso que vai tratar esse blog. Serão as impressões de um apaixonado por cerveja que sabe que ainda não é um entendido, mas que tem consciência do vasto caminho que tem pela frente e que não tem medo de trilhá-lo.
Prosit!



